Flip 2018: Ter sido, estar sendo Hilda Hilst

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Confira a programação das mesas oficiais, as casas paralelas e um pouco da vida e obra da poeta, escritora e dramaturga homenageada na 16ª Festa Literária Internacional de Paraty.

Hoje, marcam exatos 30 dias para o início da Flip 2018. Este é o segundo ano, sob a curadoria da jornalista e historiadora Joselia Aguiar que promete apresentar mais uma edição com destaque para a pluralidade de autores, criações artísticas, poesia, teatro e irreverências.

Joselia Aguiar explica que a decisão de homenagear Hilda Hilst em 2018, anda bastante alinhada ao homenageado do último ano, Lima Barreto. “Ambos foram autores transgressores, cada um à sua maneira e em seu tempo, e se dedicaram à escrita de modo tal que ultrapassaram o limite do que era esperado de cada um: ele como autor negro de baixa renda, ela como mulher livre numa sociedade que não estava acostumada com isso”, explica a curadora em comunicado oficial.

A festa que terá início no dia 25 de julho, quarta-feira, contará com 33 autores e autoras em seu programa principal –17 mulheres e 16 homens. Os convidados multiculturais, vem de países diferentes, tendo passado por outros tantos territórios em suas trajetórias para construir em Paraty um recorte do mundo de Hilda Hilst. Neste ano, a Flip sairá das dependências da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios – monumento inaugurado em 1873 – e montará o Auditório da Matriz contando com 500 lugares e um desenho que remete aos teatros de arena. Já o Auditório da Praça, permanece como no ano passado, com 700 lugares e exibição das mesas ao vivo pelo telão.

Hilda Hilst: A linguagem como terreno de batalha

O pensamento libertário, na vanguarda de seu tempo, e o pioneirismo nas palavras fez com que Hilda Hilst nem sempre fosse bem compreendida pela crítica ou abraçada pelos leitores em vida. Uma década e meio após sua morte, seus livros estão em ascensão ganhando novas edições e reuniões de títulos “num volume que pare em pé, como gostam os americanos” e como zombava, H.H..

Da poesia - Hilda Hilst

O desejo de escrever sobre temas complexos como o amor, o sexo, a morte, Deus, a finitude das coisas e a transcendência da alma exigiam um olhar mais atento ao trabalho da autora, que nem sempre fora alcançado, por incompreensão ou silenciamento. Silêncio que resguardada uma das mais importantes vozes da literatura brasileira. Como disse a autora em entrevistas reunidas “fico besta quando me entendem”.

Hilda estreou na literatura em 1950 com o livro Presságios e logo no ano seguinte lançou um novo volume de poesia Balada de alzira. Mas sua alma poética não se bastava em si, com o desejo de escrever ainda mais, ela brilha na prosa, na ficção e ainda no teatro. Com títulos como: Fluxo-floema (1970), Ficções (1977), Cantares de perda e predileção (1983) – vencedor do Jabuti. A virada radical com a escandalosa tetralogia obscena e O caderno rosa de Lori Lamby (1990) – as escandalosas memórias sexuais de uma menina de oito anos sem nenhum pudor e jogando com os limites da linguagem, além dos diálogos com o divino em Estar sendo. Ter sido (1997).


LEIA TAMBÉM: 8 livros de autores que estão na Flip 2018


Programação para a Flip

  • Queimando a largada

Até o dia 7 de julho, a Flip e o Sesc organizam encontros e debates sobre a obra da autora. A Pré-Flip conta com mesas-redondas com especialistas na obra da escritora, sob diferentes perspectivas, a reflexão e o diálogo sobre o universo hilstiano. Entrada gratuita e encerrando com uma visita guiada a Casa do Sol.

Serviço: Ciclo da Autora Homenageada – Flip 2018 | Segundas e quartas, de 11/06 a 4/07, das 19h30 às 21h30. Endereço: Centro de Pesquisa e Formação do Sesc – R. Doutor Plínio Barreto, 285 – 4º andar – Bela Vista (mesas gratuitas). Visita à Casa do Sol – dia 7/07 (inteira: R$80 / meia:R$40)

  • Abertura de peso

Na quarta-feira, 25 de julho (20h), para abrir a festa três artistas geniais da mesma geração celebram a arte mais transgressora de Hilda Hilst, homenageada da Flip 2018, Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes brasileiras, e Jocy de Oliveira, pioneira na música de vanguarda hoje dedicada à ópera multimídia.

A Estante Virtual também estará presente este ano durante a festa. Em parceria com a revista Philos, vamos ocupar a Academia do Samba, para falar de visibilidades e visualidades. Unindo artistas, poetas e autores independentes, LGBTQ+, periferia e literatura negra contemporânea nos países de língua portuguesa e espanhola. Em breve a programação completa.

  • Slam, lugar de fala e femicídio

A slammer pernambucana, Bell Puã, convidada da Casa Philos também participará da programação oficial, ao lado da escritora Selva Almada – ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio e Djamila Ribeiro, feminista negra, autora dos livros: Lugar de fala e Quem tem medo do feminismo negro conversam sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.

livro garotas mortas

  • O estreante da vez e o vencedor do Pulitzer

No sábado (28), Colson Whitehead, o americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga se encontra com Geovani Martins, um estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras.

  • Conexão: Rússia

Um dos grandes nomes da literatura russa moderna, comparada a Gogol e Poe por seus contos de horror e fantasia que não dispensam o teor político, vai relembrar sua trajetória proibida por décadas no regime stalinista, hoje aclamada de Moscou a Nova Iorque. Confira a mesa: No pomar do incomum de Liudmila Petruchévskaia, sábado (28), às 20h.

  • Para editoras, livreiros e leitores

Assim como nos últimos três anos, a Casa PublishNews promete ser novamente o ponto de encontro do mercado editorial durante a festa literária. Em parceria com a Metabooks, a equipe abordará a importância que a gestão de metadados tem para editoras e livreiros. Em novo endereço (Rua Comendador José Luiz, 274), a casa manterá também seus happy hours diários.

  • Moda e política

A Casa de Não Ficção Época & Vogue irá promover uma série de debates durante a festa literária, de quinta a sábado. Política e jornalismo orientam as conversas, que poderão ser acompanhadas gratuitamente (com senhas distribuídas no local, na Rua da Matriz 107).  Entre os convidados da casa estão nomes como a atriz e escritora Fernanda Torres, Lilian Pacce, o juiz Marcelo Bretas e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. O papo vai ser bom!

Tem algum evento oficial ou paralelo que gostaria de adicionar à lista? Comente e participe!

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo

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Comentários

Natália Figueiredo

Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

Um comentário em “Flip 2018: Ter sido, estar sendo Hilda Hilst

  • 27.06.2018 a 5:20 am
    Permalink

    Descobrindo um novo olhar. Na literatura.
    Aprendendo a ler com frequência.

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