Literatura marginal: Transgressão de padrões editoriais

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Tema será discutido durante a Flip 2018 na Casa Philos. Estante Virtual está apoiando o local em parceria com a Revista Philos. Confira!

O meio literário sofreu uma grande transformação na década de 1970 com o surgimento da literatura marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo ou poesia marginal. O movimento ganhou repercussão por causa da ditadura militar, período marcado pela forte repressão contra a cultura, liberdade de expressão e intelectualidade no país. Nos textos, os autores criticavam o conservadorismo presente na sociedade brasileira, focavam em temas periféricos e dava voz àqueles que são excluídos socialmente.

Além de quebrar padrões no mercado editorial, o grupo fugia das regras de escrita e utilizava vários tipos de linguagem nos textos. Muitos poetas evitavam vínculos com editoras, que subvertiam os padrões para a arte, e usavam mimeógrafos em processos de trabalho artesanais. As poucas cópias eram vendidas em shows e exposições ligados à contracultura.

Um exemplo desse tipo literário é a literatura de cordel, que é uma linguagem caracterizada por narrar uma história em forma de poesia e rimas. O cordel tornou-se uma vertente popular muito forte no Nordeste, onde as histórias, lendas, cultura e costumes do sertão foram imortalizados.

A chegada de lampião no céu

Destaques da literatura marginal

“Seja marginal, seja herói”. A frase emblemática do artista plástico Hélio Oiticica sintetizou as características do movimento. Os principais representantes da literatura marginal foram Paulo Leminski, Torquato Neto, Ana Cristina Cesar, Chacal e Francisco Alvim. A inventividade artística e a vitalidade criativa do grupo inspirou outros autores na literatura brasileira.

Até hoje há textos com características marginais. Em O sol na cabeça, Geovani Martins, retrata o duro cotidiano de jovens moradores de favelas do Rio de Janeiro e mostra o preconceito que eles sofrem na sociedade. Outro escritor inserido na literatura marginal contemporânea é Ferrez, autor dos livros Os ricos também morrem Capão pecado.

O sol na cabeça

 

Estante Virtual na Flip 2018

A literatura marginal também terá visibilidade durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2018). Em parceria com a Revista Philos, a Estante Virtual apoia a Casa Philos, que abrirá suas portas na Rua Dona Geralda, em Paraty, entre os dias 25 e 29 de julho. No espaço, serão organizadas mesas e debates sobre o tema “Escrevendo nas margens: visibilidades e visualidades”.

A Casa vai levar discussões sobre literatura negra contemporânea, literatura LGBTQ+, artes visuais, diversidade, memória, mercado editorial, entre outros assuntos. Entre os autores convidados estão João Anzanello Carrascoza, André Timm, Yassu Noguchi, Bell Puã e Cícero Nepomuceno. Vai à Flip? Então não deixe de conferir a nossa programação!

Conheça livros de alguns autores participantes


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
Gabriela Mattos

 

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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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