Dia Internacional contra a Homofobia: Veja 10 livros sobre diversidade

(0 Estrelas - 0 Votos)

Histórias e personagens podem ajudar no reconhecimento e na construção da personalidade dos leitores. Veja algumas obras!

Você sabia que 17 de maio é o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia? A data foi criada, em 1990, quando a Organização Mundial da Saúde desconsiderou o termo “homossexualismo”, que tratava a homossexualidade como uma patologia. O principal objetivo é conscientizar a sociedade sobre a luta contra a discriminação dos homossexuais, transgêneros e bissexuais.

Os números de violência contra pessoas LGBTQIA+ no Brasil ainda são alarmantes. Em novembro de 2020, o Trans Murder Monitoring, um estudo norte-americano, mostrou que, pelo 12º ano consecutivo, o Brasil foi o país que mais registrou assassinatos de transexuais. Enquanto isso, em 2019, um levantamento do Grupo Gay da Bahia já havia revelado que o país registra, em média, uma morte de LGBTQIA+ a cada 23 horas.

Para marcar o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia, selecionamos alguns livros que falam sobre diversidade. As histórias literárias e as personagens permitem que os leitores se reconheçam e, inclusive, construam sua própria personalidade. Ao ler sobre outras realidades, também conseguimos ter mais empatia e respeito pelo próximo.

Entre os livros escolhidos estão Azul é a cor mais quente, de Julie Maroh, Um milhão de finais felizes, de Vitor Martins, e Você tem a vida inteira, de Lucas Rocha. Confira a nossa lista completa e escolha a próxima leitura!


Um milhão de finais felizes, de Vitor Martins

 Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais. Sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. 


Sobre a Terra somos belos por um instante, de Ocean Vuong

Sobre a Terra Somos Belos por um Instante é uma carta de um filho para uma mãe que não sabe ler. Escrita quando o narrador, Cachorrinho, está perto dos 30 anos, a carta traz à luz uma história de família que começou antes de ele nascer – uma história cujo epicentro tem suas raízes no Vietnã e que chega a Hartford, no Connecticut – e que serve como porta de entrada para partes da vida dele que a mãe jamais conheceu, tudo levando a uma inesquecível revelação. Testemunho do amor angustiado, porém inegável, entre uma mãe solteira e seu filho, Sobre a Terra Somos Belos um Instante é também uma exploração brutalmente honesta de raça, classe e masculinidade.


Azul é a cor mais quente, de Julie Maroh

Adaptada para um filme, esta HQ conta a história de Clementine, uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.


Eu, travesti: Memórias, de Luísa Marilac e Nana Queiroz

Luísa Marilac nasceu em Minas Gerais e assumiu-se travesti aos 17 anos. Além dos tradicionais traumas associados à transição de gênero em uma família conservadora e de classe baixa, levou sete facadas aos 16 anos, foi vítima de tráfico sexual na Europa, prostituiu-se, foi estuprada e presa mais de uma vez. Alçou-se à fama depois que viralizou no YouTube um vídeo seu com o bordão “E disseram que eu estava na pior”. Em uma história de superação, transformou a dor em energia para lutar pela mudança do mundo para mulheres que nascem como ela – com um “pedaço de picanha entre as pernas”, como costuma brincar. Ativista das travestis, trabalha para combater o preconceito com humor e diálogo franco. Com Nana Queiroz, constrói um relato visceral e poético sobre sua trajetória, dedicado “a todas as travestis que nunca viveram para contar suas histórias”.


Amora, de Natalia Borges Polesso

Seria pouco dizer que os contos de Amora versam sobre relações homossexuais entre mulheres. Também estão aqui o maravilhamento, o estupor e o medo das descobertas. O encontro consigo mesmo, sobretudo quando ele ocorre fora dos padrões, pode trazer desafios ou tornar impossível seguir sem transformação. É necessário avançar, explorar o desconhecido, desestabilizar as estruturas para chegar, enfim, ao sossego de quem vive com honestidade.


Você tem a vida inteira, de Lucas Rocha

Um livro sensível sobre o amor após um diagnostico de HIV. O livro de estreia de Lucas Rocha é sensível e honesto sobre um assunto que ainda é um grande tabu As vidas de Ian, Victor e Henrique são entrecortadas pelo diagnóstico do HIV. Victor fica inseguro ao descobrir que Henrique, com quem está começando uma relação, é soropositivo e resolve fazer um teste, mesmo que os dois só tenham transado com camisinha. Logo depois de um resultado negativo, ele conhece Ian, um universitário como ele que acabou de receber uma notícia que pode mudar sua vida. No impulso de ajudar o garoto, Henrique entrelaça os destinos dos três.


Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan

Esta obra é fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986, Devassos no paraíso abrange as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids. João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juízes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX.


O quarto de Giovanni, de James Baldwin

Lançado em 1956, o segundo romance de James Baldwin é uma obra-prima da literatura americana. Com pinceladas autobiográficas, o livro trata de uma relação bissexual ao acompanhar David, um jovem americano em Paris à espera de sua namorada, Hella, que por sua vez está na Espanha. Enquanto ela pondera se deve ou não se casar com David, ele conhece Giovanni, um garçom italiano por quem se apaixona.


História da violência, de Édouard Louis

Este é um relato contundente e cruel de uma situação de violência extrema Na véspera do Natal de 2012, o escritor Édouard Louis foi estuprado – e quase assassinado – por um rapaz que ele havia acabado de encontrar nas ruas frias de Paris. Esse ato de violência crua e brutal deixou suas marcas no autor, e as consequências do trauma o levaram de volta à vila, à família e ao passado que ele jurara deixar para trás.


E se eu fosse pura, de Amara Moira

Professora de literatura, doutora em Letras pela Unicamp e prostituta em Campinas, Amara Moira traz um relato autobiográfico sobre sua transição de gênero e as experiências como profissional do sexo. Travesti em inícios de carreira, Amara Moira percebeu ser mais fácil transar sendo paga do que dando-se de graça. Decide então pela rua, encontrando nisso prazer em não só viver ali o sexo tributado (nas formas todas em que ele aparece), mas também em rememorar depois a experiência, retrabalhá-la em texto: travesti que se descobre escritora ao tentar ser puta e puta ao bancar a escritora.


O que você achou da lista? Comente e participe!


Gabriela Mattos
Comentários

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *