Os 100 anos de Clarice Lispector

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Nascida em 10 de dezembro de 1920, Clarice é um dos principais nomes da literatura brasileira. Conheça alguns de seus livros de destaque!

Todo amante da literatura brasileira tem um livro favorito da escritora Clarice Lispector. Afinal, quem não adora a personagem Macabéa, de A hora da estrela? Com uma escrita densa e intimista, a autora ficou conhecida, principalmente, por retratar conflitos psicológicos dos personagens em suas narrativas. Até hoje, ela conquista milhares de fãs pelo país e também pelo mundo. E este ano é ainda mais especial: comemora-se os 100 anos de Clarice Lispector.

Nascida em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, a escritora veio para o Brasil, aos dois anos, com a família, por causa da Guerra Civil Russa e a perseguição contra judeus. Ela morou no Recife durante a infância, local que inspirou algumas de suas histórias literárias. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde entrou na Escola de Direito da UFRJ, mas depois abandonou o curso.

Paixão pela literatura

Clarice sempre foi apaixonada por literatura e idiomas desde criança. Ela falava fluentemente pelo menos quatro línguas: português, inglês, francês e espanhol. A morte de sua mãe, quando ela tinha dez anos, marcou a sua vida, inclusive literária.

Seu primeiro conto, Triunfo, foi publicado na revista Pan, em 1940. Mas Clarice só publicou a primeira obra, Perto do coração selvagem, três anos depois, e conquistou o prêmio de melhor livro de estreia, da Fundação Graça Aranha. Ao lado de grandes escritores, como Cecília Meireles e Murilo Mendes, ela fez parte também do movimento Modernista.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

Clarice também chegou a trabalhar em alguns jornais. Em 1952, assinou a coluna Entre mulheres, com o pseudônimo Tereza Quadros, no jornal Comício. Já no Correio da manhã, ela escrevia a coluna Correio feminino, como Helen Palmer, e também foi colunista no Jornal do Brasil.

Em 1966, Clarice quase morreu após um incêndio no seu quarto, provocado por um cigarro aceso. Ela foi hospitalizada e sua mão direita quase precisou ser amputada. Em 1977, pouco tempo depois da publicação de A hora da estrela, a escritora foi diagnosticada com um câncer de ovário avançado e, no dia 9 de dezembro, ela morreu, no Rio de Janeiro.

Para homenagear Clarice Lispector, selecionamos alguns dos seus principais livros e obras que falam sobre a autora, como a biografia do escritor Benjamin Moser. Confira a lista completa e boa leitura!


A hora da estrela

Este é um dos principais livros da escritora Clarice Lispector. A obra narra os momentos em que o escritor Rodrigo S. M. cria a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, levada ao Rio de Janeiro por uma tia tirana. A Hora da Estrela é, no fim das contas, uma despedida de Clarice, que põe um pouco de si nas personagens de Rodrigo e de Macabéa.


Clarice na cabeceira, de vários autores

Antes de cada texto, o organizador da coletânea, o jornalista, escritor e crítico literário José Castello faz uma síntese do romance em questão e do momento vivido por Clarice ao escrevê-lo. Diferentes personalidades apresentam seus textos favoritos da autora, a nova seleção traz o olhar ao mesmo tempo especializado e sensível do jornalista, e funciona como porta de entrada para a obra de Clarice, assim como uma oportunidade de tê-la sempre à mão.


Laços de família

Nesta coletânea de contos, as personagens – sejam adultos ou adolescentes – debatem-se nas cadeias de violência latente que podem emanar do círculo doméstico. Homens ou mulheres, os laços que os unem são, em sua maioria, elos familiares ao mesmo tempo de afeto e de aprisionamento. Clarice Lispector trata a solidão, a morte, a incomunicabilidade e os abismos da existência.


A maçã no escuro

Seriam os atos do homem, às vezes os mais cruéis, necessários para elevá-lo à condição de imagem e razão? Em A maçã no escuro, Clarice Lispector faz crer que sim, transformando o atordoado Martim em um novo homem após ter supostamente assassinado a mulher. Fugindo do crime, Martim acaba descobrindo-se como homem, desprezando os antigos valores estabelecidos em sua vida. Na corrida por uma nova existência, ele se revela numa outra condição. Sua fuga, em vez de isolá-lo, remonta à criação do homem, de um novo ser surgido do nada.


Clarice, de Benjamin Moser

Escrita pelo norte-americano Benjamin Moser, esta biografia revela, pela primeira vez, aspectos fundamentais na trajetória da escritora Clarice Lispector. A biografia confirmou a autora no cenário internacional como uma grande autora do século 20.


A paixão segundo G.H.

A paixão segundo G.H. conta o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. 


Felicidade clandestina

Felicidade clandestina reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos. 


Qual seu livro favorito de Clarice Lispector?


Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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