As múltiplas visões do escritor Eduardo Galeano

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Escritor uruguaio nasceu em 3 de setembro de 1940. Em 2014, ele afirmou que não releria As veias abertas da América Latina, sua principal obra

Um dos maiores nomes da literatura latino-americana, o escritor Eduardo Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940, em Montevidéu, no Uruguai. O autor transcendeu as fronteiras dos gêneros literários e publicou ensaios, crônicas e poesias que mesclam ficção, análise política, história e jornalismo. No fim da década de 1960, ele tornou-chefe de redação em um jornal semanal. No entanto, foi com o livro As veias abertas da América Latina que o autor ganhou projeção internacional, em 1971.

Por causa da obra, considerada uma das referências da esquerda política, Galeano foi perseguido durante a ditadura militar no Uruguai. Em 1973, ele foi preso e exilou-se na Argentina. Três anos depois, com a ditadura no país, ele mudou-se para a Espanha, onde, em 1985, lançou o livro Memória do fogo. O escritor conquistou o Prêmio Internacional de Direitos Humanos, em 2006.As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano

A recusa da principal obra

Em As veias abertas da América Latina, Galeano analisa a história da América Latina desde a colonização até o mundo contemporâneo. Na obra, o autor posiciona-se contra a exploração econômica e a dominação política do continente, tanto dos europeus quanto dos norte-americanos. Além do Uruguai, o livro chegou a ser proibido no Brasil, na Argentina e no Chile durante os períodos de ditadura militar.

A partir desta obra, o uruguaio tornou-se um dos principais nomes da esquerda política. No entanto, em 2014, mais de 40 anos depois da publicação, ele afirmou que não leria novamente o livro. Durante a Bienal do Livro de Brasília, Galeano ponderou sua análise. “Eu não seria capaz de ler de novo, cairia desmaiado. Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é chatíssima. Meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro”, brincou.

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O escritor acrescentou ainda que “as experiências de partidos políticos de esquerda no poder às vezes deram certo, às vezes não, mas muitas vezes foram demolidas como castigo por estarem certas, o que deu a margens de golpes de Estado”.

O uruguaio destacou que, na época da publicação, ele tinha apenas 31 anos e não possuía uma formação ideal para fazer esse tipo de análise. “Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas foi uma etapa que está superada para mim”, reforçou. Galeano morreu, aos 74 anos, em Montevidéu, no dia 13 de abril de 2015. Na ocasião, ele estava internado por causa de um câncer de pulmão.

Para comemorar a data de aniversário do autor, selecionamos algumas de suas principais obras. Veja a nossa lista completa e boas leituras!


O livro dos abraços

O livro dos abraços foi escrito durante o exílio de Eduardo Galeano. A obra reúne memórias, sonhos e fábulas que entrelaçam o real e o fantástico. São fragmentos que celebram a diversidade e têm na memória do autor o seu fio condutor: “Recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.” O escritor dá voz aos amordaçados e estende um longo abraço aos resistentes, amaldiçoados pela economia, afugentados pela polícia, esquecidos pela cultura.

O livro dos abraços, de Eduardo Galeano


A canção de nossa gente

Este é um livro que você não encontra mais nas livrarias físicas. A canção de nossa gente é um romance histórico sobre a inquisição na América Latina. Nesta obra, o escritor Eduardo Galeano restaura e inova o significado da liberdade – uma linguagem muitas vezes desgastada.
A canção de nossa gente, de Eduardo Galeano


Vagamundo

Publicado inicialmente em 1973, Vagamundo reúne uma série de narrativas curtas de Eduardo Galeano. Estes contos e relatos são marcados pelo estilo do autor, um dos mais importantes da América Latina, que revisita seus ancestrais. Nos textos, ele mantém sempre uma visão de estranhamento em relação às coisas da vida.

Vagamundo, de Eduardo Galeano


O caçador de histórias

O caçador de histórias foi escrito durante os últimos anos de vida do escritor Eduardo Galeano. Esta obra é o derradeiro presente do autor a seus leitores e mostra que o uruguaio foi um caçador feliz, curioso em relação a tudo até o fim da vida. Este livro marcará gerações na literatura.O caçador de histórias, de Eduardo Galeano


Mulheres

Em Mulheres, temos uma magnífica prova da fascinante prosa do escritor Eduardo Galeano. Arrebatadora, a obra reúne diversos textos do autor, que são uma verdadeira homenagem a todas as mulheres – célebres ou anônimas – da América Latina.

Mulheres, de Eduardo Galeano


A descoberta da América (que ainda não houve)

O livro A descoberta da América (que ainda não houve) reúne crônicas e ensaios que giram em torno da conquista sangrenta na América. Os textos mostram as contradições de um continente dividido entre a violência das elites e a esperança dos menos favorecidos, das verdades e mentiras sobre dor e poesia.

A descoberta da América


Ser como eles

Assim como em suas outras obras, em Ser como eles, o escritor Eduardo Galeano apresenta uma visão ácida, realista e bem-humorada dos problemas que atingem os países latino-americanos em suas relações com os países desenvolvidos. Esse livro também não é mais encontrado nas livrarias tradicionais.Ser como eles, de Eduardo Galeano


Futebol ao sol e à somba

Para capturar o universo de conquistas e perdas no futebol, Eduardo Galeano analisou a história que se passa dentro e fora dos campos. Futebol ao sol e à sombra é um verdadeiro monumento à paixão por esse esporte. Neste livro, diversos craques são mostrados nos seus momentos de esplendor e desgraça, como Pelé, Maradona, Didi, Garrincha e Di Stéfano. Futebol ao sol e à sombra, de Eduardo Galeano


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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