Por dentro dos 100 anos da Semana de Arte Moderna

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Semana de 1922 reuniu escritores, músicos, arquitetos e artistas plásticos em evento no Teatro Municipal de São Paulo. Conheça alguns dos principais autores!

Um dos principais movimentos literários, o modernismo é caracterizado por transgredir e romper com os padrões estéticos e artísticos. O primeiro grande evento em que obras modernistas foram expostas no Brasil foi na Semana de Arte Moderna, entre os dias 13 e 17 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo. Na época, os artistas foram severamente criticados pela imprensa e por autores, como Monteiro Lobato.

Ao contrário do que outros movimentos artísticos anteriores pregavam, o modernismo rompeu com a linguagem culta da época e era anti-academia. Para os artistas modernistas, o importante era inovar, trazer uma arte própria brasileira, mesmo com certos elementos da vanguarda europeia. Entre as principais características estavam a linguagem simples, quase beirando à oralidade, o regionalismo e o nacionalismo crítico.

Quais são as fases do modernismo?

O modernismo foi marcado por três fases. Na primeira, havia, principalmente, uma preocupação pela liberdade formal e de criação, regionalismo e nacionalismo. Entre os autores deste período estão Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Manuel Bandeira.

Na segunda fase, os textos eram marcados pelo conflito espiritual e o sentido existencial. Entre os escritores desta fase estão Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Já a terceira fase do modernismo é muito marcada pelo neorregionalismo e pelo uso da linguagem simples. Os autores de destaque deste período são Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz.

Para comemorar o centenário da Semana de Arte Moderna, as editoras lançaram diversos livros no período. Que tal conhecer esses lançamentos e alguns dos principais títulos modernistas? Veja a lista completa e boa leitura!


O guarda-roupa modernista – O casal Tarsila e Oswald e a moda, de Carolina Casarin

Entre 1923 e 1929, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade formaram um par icônico da cultura brasileira. O casal Tarsiwald — apelido cunhado por Mário de Andrade — se consagrou como um símbolo tanto no campo das artes visuais quanto no da literatura. Em O guarda-roupa modernista, a professora e pesquisadora Carolina Casarin mostra como os dois se apropriaram da moda para deixar a sua marca. Inédita, esta farta pesquisa revela como os ideais modernistas e as contradições do movimento podem ser compreendidos a partir da escolha das roupas de dois notáveis intérpretes do Brasil.


Diário confessional, de Oswald de Andrade

Os cadernos deixados por Oswald de Andrade incluem uma seção intitulada “Diário confessional”, que teve início em 1948 e fim em 1954, meses antes de sua morte. Esse material — que permaneceu inédito por cerca de setenta anos — finalmente vem à luz com a publicação do presente volume. Nesses registros, somos apresentados a uma figura bem distinta do personagem irreverente que se consagrou em nosso imaginário. Aqui está a mente extraordinária e inquieta, cáustica e ao mesmo tempo amorosa do escritor — mas também passamos a conhecer um homem em crise, profundamente atormentado por incertezas.


Lira mensageira, de Sergio Miceli

Desde os anos 1970, Sergio Miceli se destacou como estudioso da trajetória de intelectuais. Seus muitos trabalhos transformaram o modo de entender as relações entre cultura e sociedade. Este livro dá continuidade a esse projeto singular. No centro da análise estão Carlos Drummond de Andrade e seus contemporâneos em Minas Gerais.


Macunaíma, de Mário de Andrade

Resultado de anos de pesquisas sobre a cultura brasileira, é considerado um dos livros mais importantes da literatura brasileira. Macunaíma é o herói sem caráter, símbolo de um povo que não descobriu sua identidade.Uma releitura do folclore, das lendas e mitos do Brasil, escrita numa linguagem popular e oral, tida por seu autor como a verdadeira língua do país.


Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade

Um dos mais ousados romances brasileiros de todos os tempos, “Memórias sentimentais de João Miramar” é a exacerbação da genialidade de Oswald de Andrade (1890-1954), um escritor que ainda hoje suscita controvérsias, pela paixão com que abraçou as causas nas quais acreditava. O filho dileto da aristocracia cafeeira paulista haveria de se transformar em sincero comunista, chegando ao final da vida sem dinheiro sequer para pagar seu tratamento de saúde. O boêmio amigo dos últimos parnasianos e decadentistas, que começou escrevendo peças em francês, se tornaria o mais radical militante da causa modernista, findando sua carreira com um painel em prosa da formação da sociedade brasileira. E isso sem falar de sua poesia e de seu teatro.


Qual livro você incluiria na lista?


Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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