Estante Entrevista: veja os livros sugeridos por Luiz Ruffato e Marcelo Moutinho

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Autores conversaram sobre literatura brasileira e cidades e também indicaram leituras. Confira!

Na última edição do Estante Entrevista, recebemos os escritores Luiz Ruffato e Marcelo Moutinho em nosso perfil no Instagram para debater as representações do espaço urbano na literatura brasileira. A conversa aconteceu na noite da última sexta-feira (10) e percorreu diferentes épocas, contextos e características presentes nas narrativas literárias sobre o ambiente das cidades.

“A cidade fala.”

Os registros sobre as paisagens, questões sociais e o cotidiano das cidades na literatura coincidem com o seu próprio nascimento. Ao se debruçarem sobre o vai e vem da vida e refletirem a respeito da existência nesses espaços, autores assumem desde o século XIX o papel de flâneur. Criado por Charles Baudelaire, esse termo se refere a prática de caminhar pela cidade tomando nota de seus movimentos e personagens.

Mas, afinal, não seria a cidade um personagem à parte no interior das crônicas, contos e romances escritos a seu respeito? De acordo com o autor e jornalista carioca Marcelo Moutinho, a cidade, assim como o sociólogo Robert E. Park a caracterizou, trata-se de um organismo. Neste sentido, Moutinho explica que, para além das construções e da argamassa, a cidade carrega consigo uma diversidade de histórias e, sobretudo, de existências.

“A cidade fala. No bordão de um camelô, em uma conversa entrecortada no celular, no cara que anuncia uma promoção… A cidade está o tempo todo emitindo signos e esses signos nós podemos usar como matéria prima e transportar isso na hora de fazer um romance, um conto ou uma crônica”, acrescentou Moutinho.

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Em uma outra ponta deste protagonismo encontra-se, nítido, o indivíduo. Criador e criatura da urbe, o homem interage com o espaço urbano de maneiras distintas e há aqueles que, inclusive, não conseguem vivenciar plenamente a experiência de estar na cidade. O autor mineiro Luiz Ruffato afirma que o interesse da sua literatura se encontra no que está à margem.

“Os subúrbios e as classes médias baixas não estão na cidade. Elas estão às margens da cidade. Então, me interessa muito colocar os personagens dentro desse espaço urbano chamado cidade e tentar mostrar para o leitor como é negada a eles várias coisas, além do direito de habitar o espaço”, concluiu Ruffato.

Durante a conversa, Moutinho e Ruffato também indicaram livros fundamentais para quem deseja aprofundar os conhecimentos nos assuntos debatidos na live. Confira as recomendações de leitura dos dois autores!


A Estrela Sobe, Marques Rebelo

Jovem filha de um relojoeiro de origem alemã e de uma “mestiça disfarçada”, a tímida e ambiciosa Leniza Maier alimenta o sonho de ser cantora. O momento é propício: o país vive a novidade da era do rádio com o sucesso da brejeira Carmen Miranda, portuguesinha que crescera perto dali, na Lapa. Em busca do mesmo caminho de fama, vale passar por tudo: recusar o amor verdadeiro e aceitar outros, menos sinceros. 


A lua na caixa d’água, Marcelo Moutinho

No livro A lua na caixa d’água, Marcelo Moutinho compartilha histórias de pai e filha, exalta o samba e o saber das ruas e exalta figuras como a de Dona Ivone Lara e Tia Maria do Jongo. Dedicada a memória de Aldir Blanc, a obra é também um tributo a grandes nomes da crônica como Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Clarice Lispector.


A descoberta do mundo, Clarice Lispector

As crônicas de Clarice Lispector publicadas no Jornal do Brasil de 1967 a 1973 nos permitem compreender melhor a escritura desta que se consagrou como uma das maiores escritoras do Brasil. Se nos contos e romances o mistério de uma narrativa envolve o leitor num processo quase que iniciático, nas crônicas esse mistério vai aos poucos sendo desvendado, revelando o mundo pessoal e subjetivo da autora enigmática que viveu no Leme, próximo às areias e ao mar de Copacabana, que tanto apreciava.


Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato

Em episódios que se desenvolvem a partir de uma narrativa não linear e de uma linguagem fragmentária e disruptiva que flui entre registros literários e não-literários, Eles eram muitos cavalos revela a cidade de São Paulo dos anos 2000 em toda a sua polifonia de vozes e de ruídos, bem como nos fragmentos e nas idiossincrasias que compõem a vida urbana.


Pedrinhas Miudinhas, Luiz Antonio Simas

Do samba ao forró, de Noel a Jackson do Pandeiro, entre caboclos e políticos, Luiz Antonio Simas lembra de onde viemos e dá boas ideias para onde irmos. De preferência para bem longe dos descolados e da mania modernizadora de “profanar o sagrado e tornar provisório o que já transcendeu a esse próprio tempo”.


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Yasmin Lisboa
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Yasmin Lisboa

Yasmin é jornalista e estudante de Cinema. Cantora e colecionadora de discos e livros, é fascinada pela cultura popular brasileira.

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