Livros sobre racismo marcam lista de mais vendidos em 2020

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Ranking inclui grandes clássicos da literatura e também títulos contemporâneos. Confira a lista completa e boa leitura!

O ano de 2020 foi marcado por discussões antirracistas em todo o mundo, principalmente após as manifestações contra a morte do rapaz George Floyd, nos Estados Unidos. Esses debates também refletiram aqui no Brasil, inclusive na lista de livros mais vendidos do ano na Estante Virtual. O grande campeão do ranking foi Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, um dos principais clássicos da literatura brasileira.

Em segundo lugar, está o livro Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro, que aparece na nossa lista desde junho. Racismo estrutural, de Silvio Almeida, Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak, e Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon, também são alguns dos destaques do ranking.

Confira a seleção completa!


Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus

Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada é o diário de Carolina Maria de Jesus. Moradora da comunidade do Canindé, em São Paulo, e mãe de três filhos, Carolina registra a sua rotina como catadora de papel e revela aos leitores um sensível e contundente relato da dura realidade vivida na periferia da capital paulista.


Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro

Neste livro, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro discute temas como o racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Nos onze capítulos deste pequeno manual, a autora revela possibilidades de reflexão para que as pessoas aprofundem conhecimentos sobre discriminações racistas estruturais, assumindo o seu papel na luta pela transformação do estado das coisas.


A revolução dos bichos, de George Orwell

Escrito na Segunda Guerra Mundial, A Revolução dos Bichos constrói uma sátira feroz à ditadura stalinista com referências à figura de Stalin, Trostky e de eventos políticos, mimetizando o que de fato ocorria na União Soviética. Para compor uma representação da humanidade da época, George Orwell recorreu aos animais como personagens de uma realidade dura e cruel, que animalizava os homens.


1984, de George Orwell

Publicado inicialmente em 8 de junho de 1949, o livro é atemporal e traz reflexões sobre os danos causados por um governo totalitário. Nesta obra, o personagem Winston vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito de forma coletiva. No local, ninguém escapa à vigilância inquisidora do “Grande Irmão”, uma personificação literária de um poder cínico, ditatorial e cruel.


Racismo estrutural, de Silvio Almeida

Nesta obra, o professor Silvio Almeida compartilha dados estatísticos a respeito do racismo e estabelece o debate sobre de que maneira ele se apresenta nas estruturas social, política e econômica da sociedade brasileira.


Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon

Lançado pela primeira vez no Brasil em 1963, Pele Negra Máscaras Brancas constrói uma narrativa que parte da perspectivada descolonização e da Diáspora Africana para tratar da negação do racismo contra o negro na França. Em capítulos separados por diferentes temas, Frantz Fanon promove profundas reflexões sobre raça, baseadas em teorias da filosofia, das ciências e da literatura caribenha.


Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak

Este livro é uma adaptação de duas conferências e uma de entrevista de Ailton Krenak, realizadas em Portugal entre 2017 e 2019. Krenak nasceu na região do Vale do Rio Doce e é um importante líder indígena no país. Nesta obra, o autor tece uma crítica à ideia de humanidade como algo separado da natureza, isto é, uma “humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô”.


Dom Casmurro, de Machado de Assis

Dom Casmurro trata da trajetória de Bento Santiago, a partir das lembranças de sua infância na Rua de Matacavalos e da história de amor e desventuras que viveu com Capitu. Ao longo da narrativa, Bentinho revela-se um homem perturbado pelo ciúme diante da possibilidade de adultério da mulher com “olhos de ressaca” e o colega Escobar.


Vidas secas, de Graciliano Ramos

Vidas Secas, lançado originalmente em 1938, é o romance em que Graciliano alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa. O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.


O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe narra a história de um príncipe que faz amizade com um piloto que sofreu um acidente no meio do deserto. Com ilustrações em aquarela feita pelo próprio autor, o livro aborda temas universais como o amor, a amizade e o sentido da vida. A obra já foi traduzida em mais de 250 idiomas e tornou-se um dos maiores sucessos de todos os tempos, sendo o livro francês mais lido no mundo.


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Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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