9 HQs para você conhecer ainda em 2020

(0 Estrelas - 0 Votos)

Selecionamos histórias em quadrinhos incríveis que merecem ser lidas ainda neste ano. Veja nossas indicações e boa leitura!

As histórias em quadrinhos conquistam públicos de todas as idades, desde crianças até adultos. Inclusive, as HQs costumam ser a porta de entrada dos pequenos no mundo da literatura. Afinal, quem não cresceu lendo as aventuras da Turma da Mônica, do Mickey e da Minney, além dos personagens da DC e da Marvel, né?

Mas vale destacar que as HQs vão muito além desses universos. Há livros desse gênero literário que abordam temas históricos, como é o caso do premiado Maus, de Art Spiegelman, que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, e autobiográficos, como Entre umas e outras, de Julia Wertz.

Quer ficar por dentro do mundo das HQs? Selecionamos nove dos principais títulos que merecem ser lidos ainda em 2020. A lista inclui tanto obras de quadrinistas estrangeiros quanto brasileiros. Confira a seleção completa e boa leitura!


Maus, de Art Spiegelman

Esta HQ conta a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. O livro ganhou ainda o Prêmio Pulitzer de literatura. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.


Persépolis, de Marjane Satrapi

Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.


Angola Janga, de Marcelo D’Salete

Apesar do nome, Macaco, a capital da cidade, tinha uma população equivalente a das maiores cidades do Brasil da época. Formada no século XVI, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. Tornou-se o grande alvo do ódio dos colonizadores e um símbolo de liberdade para os escravizados. Seu maior líder, Zumbi, virou lenda e inspirou a criação do Dia da Consciência Negra.


Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá

Esta HQ é uma adaptação do livro Dois irmãos, um dos principais do escritor Milton Hatoum. Ao mesmo tempo que preserva a força narrativa de Hatoum, esta adaptação evidencia o talento de Bá e Moon na construção de histórias que alternam entre a tragédia, a delicadeza, a brutalidade e o humor. No traço deles, a vida dos gêmeos Yaqub e Omar ganha novos contornos épicos. A Manaus dos quadrinhos, feita de um jogo de luz e sombras, acolhe este drama que cruza gerações e, seja nos grandes planos ou nos mínimos detalhes, carrega o enredo original de energia e vitalidade. Quem conhece a obra de Hatoum vai não apenas reencontrar, mas redescobrir com outros olhos personagens marcantes como Domingas, Halim, Zana e Dália.


Entre umas e outras, de Julia Wertz

Nesta graphic novel autobiográfica, Julia Wertz documenta o ano em que decidiu ir embora de São Francisco, sua cidade natal, para ganhar as ruas desconhecidas de Nova York. Mas não se engane: esta não é aquela história manjada de redenção da jovem que supera todas as adversidades ou bobagens desse tipo. É um livro pra lá de engraçado – às vezes incisivo, é verdade –, repleto de ilustrações divertidas, de um humor ácido e de muita autodepreciação.


Minha coisa favorita é monstro, de Emil Ferris

Com o tumultuado cenário político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha coisa favorita é monstro é narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diário, todo feito em esferográfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro. Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmática vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histórias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens.


Fun home, de Alison Bechdel

Fun Home é um marco dos quadrinhos e das narrativas autobiográficas, além de uma obra-prima sobre sexualidade, relações familiares e literatura. Um labirinto da memória trazido à tona com graça, humor e a força das maiores realizações artísticas. Pouco depois de revelar à família que é lésbica, Alison Bechdel recebe a notícia de que seu pai morreu em circunstâncias que poderiam indicar um suicídio. Nesta autobiografia, ela explora a difícil, dolorosa e comovente relação com o pai. A autora retraça também os próprios passos, da criança que cresceu entre os cadáveres da funerária da família à jovem que se encontrou nos livros e na arte.


A saga do monstro do pântano, de Alan Moore

A Saga do Monstro do Pântano reúne as primeiras histórias escritas por Alan Moore para o personagem. Como extras, o volume conta com introdução do próprio quadrinistas e algumas páginas de textos explicativos com as referências encontradas na obra.


Toda Mafalda, de Quino

Mafalda é apenas uma garotinha. Gosta de brincar, de dançar e odeia tomar sopa. Mas, com apenas seis anos, a menina criada pelo cartunista argentino Quino na década de setenta tem plena consciência do mundo em que vive, cheio de injustiças, guerras e intolerância. Ela e sua turma gostam dos Beatles, mas questionam o insano universo dos adultos, suas manias e suas maneiras de encarar o mundo e a realidade. A última tirinha dessa personagem foi publicada em 1975, mas continua mais atual do que nunca.


Você já leu alguma HQ da lista?


Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

Conheça os livros de Jô Soares Se você gostou dessas séries, vai gostar desses livros! Clássicos do Horror para conhecer Os melhores romances para ler nos próximos meses Os melhores livros espíritas