Os 60 anos de ‘Quarto de despejo’

(5 Estrelas - 1 Votos)

Para comemorar, a Flup realiza debates sobre a escritora Carolina Maria Jesus todas as terças-feiras, de maio a agosto

Publicado inicialmente em 1960, o livro Quarto de despejo – Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus, completa 60 anos em 2020. Por meio do diário de uma catadora de lixo, o duro e sofrido cotidiano dos moradores de favela é relatado aos leitores. O dia a dia é narrado de forma simples, sem artifícios ou fantasias.

Para comemorar a data, a Festa Literária das Periferias (Flup) organizou debates online sobre o livro e a vida de Carolina Maria de Jesus, todas as terças-feiras, de maio a agosto. Entre os convidados estão a escritora Conceição Evaristo e a jornalista Flávia Oliveira.

Sobre a autora

Nascida em 14 de março de 1914, em uma comunidade rural na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, Carolina só começou ir à escola aos sete anos e logo se apaixonou pela leitura. Após a morte da mãe, em 1937, mudou-se para a favela do Canindé, em São Paulo, e, para sustentar os filhos, começou a trabalhar como catadora de papel.

Nos intervalos livres, ela registrava em cadernos as situações e fatos que ocorriam no seu cotidiano. Foi a partir desses escritos que surgiu Quarto de despejo, que sempre marca presença na lista de livros mais vendidos da Estante Virtual. Vendida em 40 países, a obra foi traduzida para mais de 15 idiomas.

Que tal conhecer mais sobre Carolina Maria de Jesus? Se você já leu Quarto de despejo, pode gostar também dos livros da nossa lista. Confira!


Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus

A dura luta cotidiana de uma família negra, nas primeiras décadas do século passado, narrada do ponto de vista de uma menina inteligente e interessada. O Diário de Bitita documenta seus esforços para, ainda criança, encontrar trabalho, garantir a sobrevivência material e manter a dignidade, acima de tudo. Um painel da sociedade agrária brasileira, realçado com tintas de injustiça social, preconceito e discriminação.


Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo

A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado. 


Úrsula, de Maria Firmina dos Reis

Úrsula não é apenas o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, mas também o primeiro da literatura afro-brasileira, entendida como produção de autoria afrodescendente que tematiza a negritude a partir de uma perspectiva interna.


Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves

No final do século XIX, Kehinde, uma africana idosa, cega e à beira da morte, viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Neste romance, os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, criando a saga emocionante e verossímil da história de Kehinde. 


A cor púrpura, de Alice Walker

Publicado com sucesso nos Estados Unidos, o romance A cor púrpura tornou-se conhecido, principalmente, após a adaptação para o cinema por Steven Spielberg. A personagem principal, Celie, negra, semianalfabeta, vivendo no Sul dos Estados Unidos, vive entre cuidar da família e planejar uma vida diferente da sua para a irmã, Nettie. Acompanhamos sua vida por mais de trinta anos, por meio das cartas que escreve para Deus e, posteriormente, para a irmã. Em oposição à solidão, pobreza, brutalidade e violência, Celie vai descobrir outras maneiras de sentir.


Você já leu “Quarto de despejo”?


Gabriela Mattos
Comentários

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *