Diversidade como protagonista de histórias

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As narrativas literárias precisam ser representativas para diferentes grupos. Veja alguns livros que colocam a diversidade em primeiro lugar

É acolhedor ler um livro e se sentir representado por algum personagem, seja por sua condição social, cultural ou de gênero. Mas também é fundamental ter leituras sobre histórias que não fazem parte do nosso dia a dia e fogem da nossa realidade, para que criemos mais empatia e proximidade com o outro.

Por isso, fizemos uma seleção especial de obras que colocam a diversidade em suas várias formas. Entre os títulos escolhidos estão O quarto de Giovanni, de James Baldwin, relançado pela Companhia das Letras em 2018, Na minha pele, do ator Lázaro Ramos, e o infantojuvenil 365 dias extraordinários, de R. J. Palacio. Veja a lista e boa leitura!


O quarto de Giovanni, de James Baldwin

O quarto de Giovanni é um dos principais clássicos modernos da literatura mundial. Com toques autobiográficos, este livro de James Baldwin trata de uma relação bissexual ao acompanhar David, um jovem americano em Paris à espera de sua namorada, Hella, que está na Espanha. Enquanto ela analisa se deve ou não casar-se com David, o jovem conhece Giovanni, um garçom italiano por quem se apaixona.


Meu menino vadio, de Luiz Fernando Vianna

O jornalista Luiz Fernando Vianna e seu filho, Henrique, são unha e carne — às vezes unha do filho na carne do pai. Henrique é autista. Pouco fala, mas algumas palavras repete à exaustão. Tem momentos de agressividade contra si mesmo e contra terceiros. Sabe ser irônico. Gosta de desenhos animados e de mergulhar no mar. Como todo adolescente, tem suas curiosidades e seus impulsos, só que sem grande cerimônia. Luiz Fernando decifra os sons que ele emite, seus desejos imediatos e muitos de seus silêncios, no entanto não tem como alcançar o que o filho sente lá no fundo do fundo.


Na minha pele, de Lázaro Ramos

Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Lázaro compartilha episódios íntimos de sua vida e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, ele nos fala da importância do diálogo.


Ricardo e Vânia, de Chico Felitti

Uma das reportagens de maior repercussão nos últimos tempos, a história de Ricardo – apelidado ofensivamente de “Fofão da Augusta” – surge retrabalhada a partir de uma nova descoberta: a trajetória de Vânia, sua namorada. Em 2017, um leito do Hospital das Clínicas de São Paulo foi ocupado por um homem sem identidade. Há 20 anos, ele circulava pela região das ruas Augusta e Paulista, onde liderou uma trupe de palhaços, distribuiu panfletos e pediu esmolas. Sua aparência lhe rendeu a alcunha de Fofão da Augusta e o status de lenda urbana. Por trás do apelido ofensivo estava um cabeleireiro disputado nos anos 1970 e 1980, que falava francês e inglês, era esquizofrênico, foi drag queen, artista de rua, teve dinheiro e frequentou o underground.


Este livro é gay, e hétero, e bi e trans…, de James Dawson

Este livro é gay trata de uma questão muito importante e, às vezes, de difícil abordagem entre professores, pais e jovens: a sexualidade. Com um texto muito claro e ilustrações engraçadas, o livro lembra um manual. O autor convida os leitores a refletir, de maneira honesta e sem preconceitos, sobre os desejos sexuais de cada um, defendendo, acima de tudo, o respeito às escolhas.


Fome – Uma autobiografia do (meu) corpo, de Roxane Gay

Nesta autobiografia escrita com sinceridade impressionante, a autora best-seller Roxane Gay fala sobre como, após sofrer um abuso sexual aos 12 anos, passou a utilizar seu próprio corpo como um esconderijo contra os seus piores medos. Ao comer compulsivamente para afastar os olhares alheios, por anos Roxane guardou sua história apenas para si. Até conceber este livro. Esta não é uma narrativa bem-sucedida de perda de peso. E este também não é um livro que Roxane gostaria de escrever. Entretanto, é uma história que precisa ser contada.


365 dias extraordinários, de R. J. Palacio

Esta edição reúne uma coleção de preceitos que vão iluminar, confortar e desafiar cada um a se tornar uma pessoa melhor. São palavras de sabedoria pinçadas de fontes que vão desde músicas e obras da literatura até inscrições em tumbas egípcias e frases de biscoitos da sorte, incluindo passagens de alguns dos mais importantes personagens de Extraordinário e de mais de cem dos milhares de leitores que enviaram seus preceitos à escritora R. J. Palacio.


Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva

Publicado originalmente em 1982, este livro é um relato do acidente que deixou Marcelo Rubens Paiva tetraplégico, poucos dias antes do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de Feliz Ano Velho.


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Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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