Amazônia em foco: Livros e filmes para você ficar por dentro do assunto

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Segundo estudo do Inpe, focos de queimada na floresta superam a média histórica de agosto: mais de 25 mil locais foram atingidos

As queimadas na Amazônia têm atingido índices alarmantes. Em estudo divulgado no dia 25, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que o número de focos de incêndio na floresta já ultrapassou a média de agosto dos últimos 21 anos. De acordo com o levantamento, o número de locais atingidos bateu recorde: foram contabilizados 25.934 pontos, enquanto a média histórica era de 25.853, no mesmo período entre os anos de 1998 e 2008.

A partir de imagens de satélites, no início de agosto, o Inpe havia divulgado também que as queimadas no Brasil aumentaram 82% em relação aos oito primeiro meses de 2018. Ao todo, foram registrados 71.497 focos em 2019, contra 39.194 do ano anterior. Entre os estados mais atingidos estão o Mato Grosso do Sul, com uma alta de 260%, Rondônia, com 198%, e o Pará, com 188%,

A importância da Amazônia no mundo

Nunca é demais destacarmos a importância da Amazônia no Brasil e no mundo. Com alta biodiversidade, a floresta é fundamental para a manutenção do clima mundial. Diferentemente do que o senso comum diz, a Floresta Amazônica não chega a ser o “pulmão do mundo”, já que consome quase todo o oxigênio que produz. No entanto, vale reforçar que o desmatamento e as queimadas contribuem para o agravamento do aquecimento global, pois aceleram a liberação de gás carbônico no meio ambiente.

Para você entender melhor sobre o tema, selecionamos alguns filmes e livros que explicam a importância da Amazônia e fazem uma retrospectiva histórica da região. Confira a nossa lista completa!


  • Xingu: Dirigido por Cao Hamburguer, este filme conta a história dos irmãos Villas-Bôas durante a jornada de desbravamento do país. Os dois participam de aldeias indígenas, ajudam os índios a defenderem a cultura e criam o Parque Nacional do Xingu.
  • Amazônia, o despertar da Florestania: O documentário, lançado neste ano, resgata personagens históricos e compila depoimentos de representantes de diferentes segmentos. A narrativa discute toda a questão ambiental do século 20.
  • Coração do Brasil: Lançado em 2013, este documentário do diretor Daniel Solá Santiago também fala sobre os irmãos Villas-Bôas. Sérgio Vahia, Adrian Cowell e o cacique Raoni eram jovens aventureiros quando participaram, em 1958, da expedição liderada pelos irmãos. Depois de 50 anos, eles decidem refazer a viagem.
  • Tainá – Uma aventura na Amazônia: Clássico infantojuvenil, este filme narra a história da menina Tainá, que vive na Amazônia com o avô, um sábio índio. Por defender a floresta dos caçadores, ela é perseguida e precisa se mudar para uma vila, onde conhece um menino da cidade grande, chamado Joninho.
  • Amazônia eterna: Neste documentário, o diretor Belisário Franca apresenta projetos com propostas bem sucedidas do uso da floresta, sem abandonar a sustentabilidade. Além de gerar parcerias econômicas, as medidas beneficiam a comunidade local.
  • Amazônia groove: Este filme revela a música regional da Amazônia, principalmente da região do Pará. O público pode conhecer ainda as histórias dos artistas do local, responsáveis pela criação de movimentos tradicionais, como o Boi Bumbá.

História da Amazônia: Do período pré-colombiano aos desafios do século XXI, de Márcio Souza

Este é o livro definitivo sobre a história da Amazônia do período pré-colombiano aos dias atuais, por um dos autores que melhor interpretou a região. A Amazônia, que desde sempre atraiu viajantes e exploradores como um local desconhecido e misterioso, ocupa um lugar privilegiado na obra de Márcio Souza. Unindo suas perspectivas de sociólogo, historiador e crítico literário, ele se dedicou à tarefa de registrar esta História da Amazônia, abrangendo a totalidade de um território geográfico e histórico que se revela coerente em sua diversidade.


A terra inabitável, de David Wallace-Wells

Best-seller do New York Times, uma reportagem corajosa e desafiadora sobre os problemas que o século XXI enfrentará por conta do aquecimento global. O ritmo lento atribuído à mudança climática é um mito; talvez tão pernicioso quanto aquele que nega sua existência por completo. Mortes por calor, fome, enchentes, queimadas, queda da qualidade do ar, desertificação, colapso econômico. Nesta projeção do nosso futuro próximo, David Wallace-Wells joga luz sobre os problemas climáticos que nos aguardam: falta de alimentos, emergências em campos de refugiados, enchentes, destruição de florestas e desertificação do solo. Mas ele também fala de mudanças políticas e culturais que afetarão o mundo ainda neste século — uma mudança radical na forma como entendemos a vida.


Chico Mendes – Crime e castigo, de Zuenir Ventura

Chico Mendes – Crime e castigo reúne reportagens escritas por Zuenir Ventura a respeito do maior líder ambientalista que o Brasil já teve. Quando foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes estava com 44 anos e era mundialmente reconhecido por sua luta pela preservação da Amazônia. No Acre, à frente dos seringueiros que organizou, Chico desenvolveu táticas pacíficas de resistência para defender a floresta, que a partir da década de 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado. Chico lutou contra a devastação e chamou a atenção do mundo para essa luta.


Amazonas: Pátria da água, de Thiago de Mello

O projeto da eternidade está presente em Amazonas – Pátria da Água, livro escrito pelo poeta Thiago de Mello, para despertar os homens do silêncio e da apatia, para que aprendam a linguagem da simplicidade, a ouvir os cantos dos pássaros, a contemplar a grandeza do firmamento e a decifrar os mistérios da natureza. Vibra nas frases e versos que compõem a tessitura das palavras – humanidade, poesia e beleza. Denuncia, no prefácio, que a floresta precisa de cuidados: cada ano que passa, milhares de quilômetros verdes desaparecem, para nunca mais voltar.


Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak

Uma parábola sobre os tempos atuais, por um de nossos maiores pensadores indígenas. Ailton Krenak nasceu na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração mineira. Neste livro, o líder indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma “humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô”. Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era, o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação da ideia de que somos todos iguais.


Amazônia indígena, de Márcio Souza

Este também é um dos principais livros de Márcio Souza. Ele encarregou-se da tarefa monumental de reunir a mais recente pesquisa sobre a Amazônia e os índios da região, derrubando falsas ideias construídas por décadas de desinformação. Em capítulos curtos, de leitura fácil mas repletos de informação, Amazônia indígena fala das culturas primitivas da Amazônia, passando pelos horrores do processo colonial e dos sucessivos genocídios de indígenas que ocorreram na história do Brasil.


Rondon: Uma biografia, de Larry Rother

Um dos maiores exploradores da história mundial, Cândido Rondon teve uma vida extraordinária. Nesta minuciosa biografia, o jornalista Larry Rohter revela para o leitor a amplitude de seu legado para o país e os povos indígenas. Em 26 de abril de 1914, um grupo de 19 homens chegou à confluência de dois rios no coração da selva amazônica. Durante meses, eles enfrentaram uma sucessão de dificuldades e privações para realizar um feito notável: navegar e mapear um rio ainda desconhecido, chamado rio da Dúvida, porque seu curso e comprimento eram um mistério. Os líderes dessa expedição eram Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos, e o brasileiro Cândido Mariano da Silva Rondon, que há mais de 20 anos explorava a região.


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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