O mundo distópico de Margaret Atwood

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Autora de “O conto da Aia” nasceu em 18 de novembro de 1939. Para homenageá-la, selecionamos alguns de seus principais livros. Confira!

A escritora canadense Margaret Atwood é uma das principais expoentes do universo distópico, que utiliza a ficção para revelar fatos que poderiam ser verídicos em qualquer lugar do mundo. No último ano, ela virou um fenômeno internacional após a adaptação do livro O conto da Aia, publicado inicialmente em 1985, para uma série de TV. O romance retrata uma sociedade onde as mulheres têm seus direitos restritos e são divididas em “aias”, aquelas que são férteis e devem procriar os filhos dos comandantes da região.

Nascida em 18 de novembro de 1939, na cidade de Ottawa, Margaret tornou-se uma leitora voraz ainda na infância. Desde cedo, lia títulos de diferentes gêneros literários, como contos de fadas, suspense e quadrinhos. Ela cursou Artes e Inglês na Universidade de Toronto e publicou artigos em um jornal literário da faculdade. Formou-se como mestra na Radcliffe College de Harvard e conquistou ainda diploma honorário do Royal Military College of Canada e de outras universidades, como a de Sorbonne e de Oxford.

Tudo o que é silenciado clamará para ser ouvido ainda que silenciosamente.”

Ao longo da carreira, a escritora já ganhou diversos prêmios, como o Arthur C. Clarke Award, em 1987, o Man Booker. em 2000, o Princesa das Astúrias, em 2008, e o PEN Pinter, em 2016. A série The Handmaid’s Tale também foi premiada com o Emmy, em 2017, e o Globo de Ouro, em 2018.

Ficção especulativa e feminismo

Além de O conto da Aia, o livro Oryx e Crake também é um romance distópico. No entanto, Margaret não denomina suas obras como “ficção científica”, mas sim como “ficção especulativa“. A autora argumenta que o “especulativo” indica algo do futuro, que poderia acontecer e está dentro do campo plausível, mesmo que não respeite literalmente o realismo de outros romances.

As obras de Margaret também costumam ser utilizadas em estudos de gênero e de feminismo, já que as narrativas são voltadas para a maior visibilidade das mulheres na sociedade. No entanto, a escritora reforça que os direitos das mulheres são direitos humanos.

Existe um certo consolo que pode ser encontrado na rotina.”

Em entrevista à New Yorker, a autora lembra que cresceu com o pensamento de que havia igualdade entre os sexos.  “Meu problema não era que as pessoas quisessem que eu usasse vestidos cor de rosa, e sim que eu queria usar os vestidos, mas minha mãe não via nenhum motivo para isso”, contou.

Para homenagear Margaret Atwood, selecionamos nove de suas principais obras. Além de O conto da Aia, a lista reúne títulos como Madame oráculoVulgo Grace. Veja a seleção completa e escolha a sua próxima leitura!


O conto da Aia

Este é um dos principais livros de Margaret Atwood. Neste romance distópico de 1985, da autora canadense retrata o cotidiano de um futuro apocalíptico, no qual a Nova Inglaterra é parte de um movimento totalitário e fundamentalista cristão. O grupo derrubou o governo dos Estados Unidos e assumiu o controle do país. A série The Handmaid’s Tale, que possui o  mesmo título original do livro e também é baseada na obra de Atwood, recebeu na temporada de premiações de 2018 o Globo de Ouro e o Emmy de melhor série de drama.O conto da Aia, de Margaret Atwood


Madame oráculo

Denso, o livro Madame oráculo descreve a vida de Joan Foster, de garota obesa a mulher elegante. De ruiva a morena, de Londres a Toronto. De um conde polonês a um marido radical, de escritora de romances baratos a poeta renomada. Essa vida de múltiplas identidades está conseguindo deixá-la terrivelmente confusa. Por isso, decide fugir para uma pequena cidade nas montanhas da Itália com intuito de avaliar a própria existência. No entanto, primeiro, precisa arquitetar a própria morte.Madame oráculo, de Margaret Atwood


Vulgo Grace

Este livro remonta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão, Thomas Kinnear, e a go­ver­nanta da casa, Nancy Montgomery. Com a sutileza que lhe é peculiar, Margaret Atwood deixa subenten­didos importantes aspectos da trajetória da protagonista para que o leitor forme sua própria opinião sobre o que teria motivado o crime. 

Vulgo Grace, de Margaret Atwood


A noiva ladra

Neste clássico, Margaret Atwood conta a história de três amigas de longa data. Elas cumprem o ritual de se reunirem mensalmente no restaurante Toxique quando são surpreendidas por uma desagradável descoberta: Zenia, que afetou profundamente a vida de Tony, Charis e Roz, está viva, e observando o trio com uma voracidade aterradora. Ao saberem que ela está hospedada em um hotel local, cada uma das personagens segue em busca de explicações; das quatro mulheres, uma não sairá viva de lá. A noiva ladra, de Margaret Atwood


Oryx e Crake

Em Oryx e Crake, Margaret Atwood apresenta o mundo como um lugar pós-apocalíptico e melancólico, habitado por criaturas biologicamente modificadas e tomadas pelo vício. O narrador do romance é o Homem das Neves, um sobrevivente do antigo planeta, que um dia chamou-se Jimmy. No início da trama, ele está em cima de uma árvore, vestindo um velho lençol, lamentando a perda de sua amada Oryx e de seu amigo Crake. A autora reúne uma fábula fantástica, mórbida e cheia de ação, com personagens cujo mundo interior é misterioso e uma constante descoberta.Oryx e crake, de Margaret Atwood


A vida antes do homem

A vida antes do homem conta a história de Elizabeth e Nate. Elas formam o casal de protagonistas que lutam para preservar o decadente casamento e manter a sufocante rotina conjugal. É neste pano de fundo que se forma o triângulo amoroso com Lesje, jovem mulher que trabalha no Museu de História Natural. Casados há uma década, Nate e Elizabeth vivem aprisionados ao instante e resumem-se a atender às necessidades do momento. Amor, família, solidão, sexo, morte e traição são os fios condutores deste romance. 

A vida antes do homem, de Margaret Atwood


Olho do gato

Finalista do Booker Prize de 1989, Olho de gato traz a história da pintora Elaine Risley, que, de volta à cidade natal, Toronto, para uma retrospectiva de sua obra, é levada a refletir sobre seu passado, marcado por humilhações. Intercalando os momentos de estranheza da Elaine de meia-idade com as descobertas da Elaine de nove anos, a canadense Margaret Atwood descreve de maneira densa e realista as crueldades que as pessoas são capazes de cometer, independente da idade. Olho do gato, de Margaret Atwood


Lesão corporal

Lesão corporal é um romance psicológico com o ritmo de thriller de suspense para acompanhar a incisão profunda, que atravessa corpo e alma de Rennie, protagonista da história. Jornalista freelancer, Rennie se considerava uma especialista em superfícies e aparências até se deparar com um fato real e iminente – um câncer em estágio avançado. Casada com Jack, Rennie parecia satisfeita em fazer parte do pacote completo idealizado pelo amante. A relação acaba com a descoberta da doença. Ela decide tirar férias de si, do câncer e do relacionamento desfeito para escrever uma reportagem de turismo no Caribe. Lesão corporal, de Margaret Atwood


O ovo do Barba-Azul

Este livro reúne contos que exploram temas como amor, casamento, sexualidade, fidelidade, traição. Na história que dá nome à coletânea, uma mulher apaixonada, sem saber se é correspondida, reflete sobre a função do ovo na lenda do bruxo que sequestrava mulheres e as testava para ver se mereciam se casar com ele. Aparentemente passivo, o ovo acaba por ser a causa das mortes que acontecem na história. O ovo do Barba-Azul, de Margaret Atwood


Os Testamentos

Em Os testamentos, Margaret Atwood retoma a história de “O Conto da Aia” 15 anos depois que Offred seguiu rumo ao desconhecido a partir dos surpreendentes testamentos de três narradoras femininas de Gilead: tia Lydia, Agnes e Daisy.


Qual seu livro favorito de Margaret Atwood? 🙂

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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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