Segurança pública em foco: Livros discutem violência no Brasil

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Uma das obras é A guerra – A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, lançada em agosto. Veja a lista completa!

A violência tem atingido números assustadores no Brasil. Segundo dados do Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país registrou mais de 62 mil homicídios em 2016 – número 30 vezes maior do que o registrado na Europa no mesmo período. Divulgada em junho deste ano, a pesquisa mostra ainda que, entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas foram mortas de maneira intencional.

No Rio de Janeiro, por exemplo, houve um aumento da letalidade violenta (que engloba homicídios dolosos, mortes em resistência policial, latrocínios e lesão corporal seguida de morte). De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado registrou 552 casos em julho deste ano, contra 461 do ano anterior. Destes, os homicídios dolosos subiram de 374 ocorrências em julho do ano passado para 408 no mesmo período de 2018.

Os estados mais violentos

Apesar de os casos de violência no Rio ganharem mais repercussão na mídia, o levantamento do Ipea revela que o estado não está nem no ranking dos dez mais violentos. Os dados revelam que o local mais violento do país é Sergipe, com uma taxa de 64,7 homicídios por 100 mil habitantes.

Em seguida, aparecem Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3), Bahia (46,9), Acre (44,4), Roraima (39,7), Rondônia (39,3) e Tocantins (37,6). O Atlas da Violência mostra ainda que os homicídios correspondem a 56,5% das mortes de homens entre 15 a 29 anos no Brasil.

Livros sobre segurança pública

Além das pesquisas, os altos índices de violência também são expostos em livros e reportagens. Uma das obras é A guerra – A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, lançada em agosto deste ano, do jornalista Bruno Paes Manso e da doutora em Sociologia Camila Nunes Dias. Este livro-reportagem comprova a falência da segurança pública no Brasil a partir de entrevistas com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais facções criminosas do país.A guerra - A ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil

O grupo foi criado em 1993 e passou a ditar as regras do crime dentro das penitenciárias de São Paulo, impor sua influência em outros estados e até se internacionalizar. A obra também retrata as entranhas e os bastidores de outras organizações. Entre os outros livros sobre o tema estão O dono do morro, de Misha Glenny, Todo dia é segunda-feira, de José Mariano Beltrame, e Abusado, de Caco Barcellos. Conheça mais sobre o assunto e veja a nossa lista completa!


O dono do morro, de Misha Glenny

O dono do morro conta a história do chefe do tráfico de drogas da Rocinha, favela da Zona Sul do Rio, por meio de um intenso trabalho jornalístico. A partir de uma série de entrevistas na prisão de segurança máxima, Misha Glenny mostra como Antonio Francisco Bonfim Lopes se transformou em Nem da Rocinha. A apuração impecável do jornalista revela cada peça de um complexo quebra-cabeça, que envolve traficantes, policiais e políticos. 
O dono do morro, de Misha Glenny


Abusado, de Caco Barcellos

Este livro-reportagem de Caco Barcellos é uma verdadeira lição sobre a lógica, os meandros e o modus operandi das grandes facções criminosas que comandam o tráfico de drogas no Rio. Abusado nos ajuda a entender como os bandidos impõem o terror na cidade. Por meio da história do traficante Juliano VP, temos um retrato histórico da ocupação do Morro Dona Marta pelo Comando Vermelho, principal facção criminosa no estado.


Por que cresce a violência no Brasil?, de Luís Flávio Sapori e Gláucio Ary Dillon Soares

Como é possível uma sociedade que reduz a exclusão social sofrer com o recrudescimento da violência? Como explicar esse aparente paradoxo? A proposta do livro Por que cresce a violência no Brasil? é oferecer respostas a esses questionamentos. Os autores defendem que a dinâmica da violência na sociedade brasileira não é mera derivação da dinâmica da estrutura socioeconômica. Para eles, é possível reduzir os índices de violência se formos capazes de implementar políticas públicas consistentes. 
Por que cresce a violência no Brasil?, de Luís Flavio Sapori


O sertão arcaico do Nordeste do Brasil, de Nilton Freixinho

Em O sertão arcaico do Nordeste do Brasil, o historiador Nilton Freixinho contribui com a luta contra a violência e o crime organizado no Brasil ao proporcionar uma perspectiva histórica e acontecimentos que estigmatizaram o sertão arcaico do Nordeste. Na obra, o autor retoma o tema de uma forma totalizada, integral e abrangente, e mostra o drama vivido pelas populações da região. O sertão arcaico do Nordeste no Brasil, de Nilton Freixinho


Cabeça de porco, de Luiz Eduardo Soares, Celso Athayde e MV Bill

O livro Cabeça de porco é o resultado de um trabalho baseado em entrevistas e filmagens feitas por MV Bill e seu empresário Celso Athayde durante 15 anos em favelas de nove estados brasileiros. Os vídeos mostram a realidade de crianças e jovens que vivem no mundo do crime. Essa pesquisa associa-se aos textos do antropólogo Luiz Eduardo Soares, com registros etnográficos apurados ao longo de sete anos, sobre polícia, violência e juventude. Cabeça de porco, de Luiz Eduardo, MV Bill e Celso Athayde


Todo dia é segunda-feira, de José Mariano Beltrame

José Mariano Beltrame aceitou o desafio de assumir a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro e se tornou o mais duradouro secretário da pasta. Em Todo dia é segunda-feira, ele divide experiências e angústias, além de revelar bastidores dos momentos mais tensos do cargo, como a ocupação do Complexo do Alemão, em 2010. Beltrame fala ainda sobre a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e conta sobre sua história.

Todo dia é segunda-feira, de José Mariano Beltrame


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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