Leitores indicam livros de crônicas inesquecíveis

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Machado de Assis foi o pioneiro no gênero literário, mas Rubem Braga é considerado o inventor da crônica brasileira, já que a popularizou no país

Histórias curtas, intensas e sobre fatos do cotidiano. Como não amar as crônicas? Esse tipo de texto normalmente é divulgado em meios de comunicação, como jornais, sites e revistas. Algumas dessas publicações de autores renomados, como Machado de Assis, Rubem Braga e Luís Fernando Veríssimo, foram compiladas e reunidas em livros.

As características mais presentes nas crônicas são: uma linguagem mais coloquial, poucos personagens nas narrativas e “data de validade”, já que são relacionadas com fatos da história e com o contexto no qual foram escritas. O gênero abrange três tipos de textos: crônicas jornalísticas, que são as mais comuns e propõem uma reflexão sobre o cotidiano; históricas, marcadas por acontecimentos históricos; e humorísticas, que utilizam a ironia durante discussões sobre aspectos culturais, sociais e políticos de algum lugar.

Autores consagrados

O cenário literário brasileiro revelou diversos cronistas ao longo dos séculos, como Machado de Assis. Quase sempre com pseudônimo, ele escreveu centenas de crônicas para a imprensa carioca, entre 1859 e 1900. Nos textos, o autor fazia uma análise da vida cotidiana no Rio de Janeiro e narrava acontecimentos da política nacional e internacional, como a Proclamação da República e a Guerra de Canudos.

Apesar do pioneirismo de Machado, o escritor Rubem Braga é considerado o inventor da crônica no país, por levar a poesia, a simplicidade, a melancolia e o lirismo aos textos. Foi a partir dessas características que o gênero literário tornou-se popular no Brasil. Na contemporaneidade, vale lembrar de Luís Fernando Veríssmo, autor de O melhor das comédias da vida privada. Além de cronista, o filho do escritor Érico Veríssimo é ainda tradutor, jornalista e roteirista de programas de televisão.

No início do mês, pedimos indicações de livros de crônicas inesquecíveis aos nossos leitores. Recebemos tantas sugestões, que resolvemos reunir as dicas em uma lista! A seleção inclui os autores clássicos, como Machado de Assis, mas também contemporâneos, como Maria Ribeiro e Luís Fernando Veríssimo. Confira a seleção e boa leitura!


Machado de Assis – Crônicas escolhidas: seleção, introdução e notas, de Jonh Gledson

Machado de Assis é um dos clássicos cronistas brasileiros. Neste livro, o crítico e professor de literatura Jonh Gledson consultou os arquivos da imprensa carioca no século XIX para selecionar 50 textos com o melhor da produção jornalística do autor. A seleção oferece uma ótima introdução ao Machado cronista, permitindo cortejá-lo com o criador dos grandes contos e romances.Crônicas escolhidas de Machado de Assis


200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga

200 crônicas escolhidas reúne os melhores textos de Rubem Braga, publicados entre 1935 e 1977. Com base na seleção original do escritor Fernando Sabino, a seleção das crônicas foi feita pelo próprio autor. As histórias abordam assuntos do dia a dia, além de fatos da rotina, da infância, dos amores e da adolescência de Rubem Braga. 
200 Crônicas Escolhidas, de Rubem Braga


132 crônicas: Cascos & Carícias e outros escritos, de Hilda Hilst

Cascos & Carícias e outros escritos reúne 132 crônicas escritas por Hilda Hilst. Algumas delas foram publicadas no jornal Correio Popular, em Campinas, São Paulo. Bem-humorados e irônicos, os textos são marcados pela política conturbada da época e pela transgressão da autora. Divulgados entre 1992 e 1995, os escritos de Hilda são atuais, divertidos, imprescindíveis.
Cascos & Carícias e outros escritos, de Hilda Hilst


Trinta e oito e meio, de Maria Ribeiro

Com humor, as crônicas de Maria Ribeiro são reflexões e desabafos que mostram os bastidores dos sentimentos da autora. Em Trinta e oito e meio, a atriz revela seu interesse pelas histórias dos outros e reúne textos que escreveu nos últimos anos. A obra recebeu ainda ilustrações de Rita Wainer, que criam um guia de viagem pela vida da artista. 
Trinta e oito e meio, de Maria Ribeiro


Nu, de botas, de Antonio Prata

No livro Nu, de botas, Antonio Prata relembra passagens marcantes de sua infância, que são iluminações sobre seus primeiros anos de vida. As lembranças reúnem cenas desde as férias na praia e o encontro com amigos na vila, até o divórcio dos pais e o cometa Halley. Toda a educação sentimental de um paulistano de classe média, nascido na década de 1970, aparece nesta obra. 
Nu de botas, de Antonio Prata


O melhor das comédias da vida privada, de Luís Fernando Veríssimo

Clássico do humor, O melhor das comédias da vida privada reúne 35 crônicas escritas por Luís Fernando Veríssimo. O autor sabe como ninguém transformar em riso as sutis infidelidades, tiranistas e ódios mortais. Os personagens mais marcantes da obra estão o marido do Dr. Pompeu, o Mendoncinha, as noivas do Grajaú e a mulher do Silva.

O melhor das comédias da vida privada, de Luis Fernando Veríssimo


As cem melhores crônicas brasileiras, de Joaquim Ferreira dos Santos

Esse é o livro ideal para quem quer conhecer as melhores crônicas brasileiras. A obra reúne 100 textos de 62 autores que marcaram esse gênero literário. Como define o curador Joaquim Ferreira dos Santos, a crônica é uma fina iguaria com direito à eternidade no paladar do leitor. O título reúne textos de diversos escritores renomados, como Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, João do Rio e Nelson Rodrigues. 
As cem melhores crônicas brasileiras, de Joaquim Ferreira dos Santos


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
Gabriela Mattos
Comentários

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

2 comentários em “Leitores indicam livros de crônicas inesquecíveis

  • 24.08.2018 a 10:29 pm
    Permalink

    É bom lembrar de Sérgio Porto, ou “Stanislau Ponte Preta”, um grande cronista de estilo leve e humor irônico.

  • 22.08.2018 a 3:23 am
    Permalink

    Ótimas dicas! Eu incluiria ainda Fernando Sabino, João do Rio, Carlos Heitor Cony e mais alguns outros…

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