Os 65 anos de ‘Grande Sertão: Veredas’

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Um dos principais clássicos da literatura foi publicado em julho de 1956. Relembre a história e conheça outros livros de João Guimarães Rosa

O escritor João Guimarães Rosa consagrou-se na literatura brasileira com o livro Grande Sertão: Veredas, publicado em julho de 1956. Um dos principais clássicos do país, o romance vai além das paisagens e de episódios pitorescos do sertão, e narra o local de maneira profunda e subjetiva. Na obra, conhecemos a história de Riobaldo, desde a juventude até o momento em que virou jagunço e teve seu amor reprimido por Diadorim.

Guimarães Rosa começou a fazer uma pesquisa para o livro, em 1952, quando percorreu mais de 200 quilômetros no sertão mineiro. Na viagem, ele anotou inúmeros detalhes sobre a região, como costumes e expressões, para conseguir dar mais profundidade à narrativa.

Além da temática, um dos pontos fortes da obra é a linguagem, já que a história é toda contada, em primeira pessoa, pelo Riobaldo. O autor utiliza o mesmo idioma do sertão, para aproximar os personagens dos leitores. Com isso, no livro, percebemos elementos característicos da primeira fase do Modernismo e a temática regionalista da segunda fase do movimento.

O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.

Sobre o autor

Nascido em 27 de junho de 1908, em Minas Gerais, João Guimarães Rosa era autodidata e começou a estudar vários idiomas, como francês. Na década de 1930, formou-se em Medicina, na Universidade de Minas Gerais, e começou a trabalhar no interior do estado. Foi a partir desse momento que ele teve mais contato com a realidade vivida no sertão.

Em 1934, Guimarães Rosa foi aprovado em um concurso do Itamaraty e exerceu funções diplomáticas, na Alemanha. Anos depois, assumiu outros cargos no Itamaraty e foi promovido a ministro de primeira classe, cargo correspondente a embaixador.

Em paralelo aos seus trabalhos como médico e diplomata, Guimarães Rosa manteve uma rotina de escrita, já que gostava muito de literatura e de aprender idiomas. Sua estreia literária ocorreu, em 1929, após publicar alguns contos na revista O cruzeiro. O primeiro livro do autor, Sagarana, foi lançado, em 1946, e já chamou a atenção pela inovação na linguagem.

Entre as principais características da obra de João Guimarães Rosa estão o realismo mágico, regionalismo, liberdade de invenções linguísticas e neologismos.Que tal conhecer outros livros de Guimarães Rosa? Veja a lista completa e boa leitura!


Sagarana

Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem já então exclusiva, através de contos, como O burrinho pedrês e Duelo, Guimarães Rosa fez deste livro a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão por ser inteiramente decifrados.

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Primeiras estórias

Contos em que sobressaem os costumes e a linguagem das gentes de Minas. Inclui A terceira margem do rio, clássico da literatura transformado em filme por Nelson Pereira dos Santos em 1993.


A hora e a vez de Augusto Matraga

A hora e vez de Augusto Matraga traz a história de um homem sertanejo acostumado a se impor pela força em seu cotidiano. Nhô Augusto é a perfeita síntese do mandonismo local que se fez presente em tantas cidades brasileiras durante o século XX. Manejando de forma magistral o dilema universal entre o bem e o mal, João Guimarães Rosa construiu um enredo surpreendente, que leva os leitores a refletir acerca de seus instintos.


Noites do sertão

As duas novelas que formam estas Noites do sertão têm como traço comum a sexualidade como força arrebatadora que se sobrepõe a convenções e preconceitos, e pode levar homens e mulheres tanto à plenitude do prazer quanto ao encontro de si mesmos. 


Estas estórias

Este livro reúne oito novelas em que Guimarães Rosa desvenda o grande sertão, como em Página de saudade e A simples exata história do burrinho comandante‘.


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Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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