8 livros que inspiraram filmes do cinema brasileiro

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No Dia do Cinema Brasileiro, nós selecionamos obras literárias que ganharam importantes adaptações para as telonas. Confira!

Anualmente, 19 de junho é marcado pela comemoração do Dia do Cinema Brasileiro. A data celebra o aniversário do primeiro registro cinematográfico no Brasil, realizado em 1898, por iniciativa do ítalo-brasileiro Afonso Segreto. Na ocasião, Segreto, primeiro cinegrafista e diretor do país, captou imagens da entrada da baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, a bordo do navio francês Brésil.

A produção cinematográfica brasileira é reconhecida internacionalmente pela sua qualidade estética e narrativa. Dentre os filões marcantes no cinema nacional, verifica-se a presença constante de adaptações de obras literárias. Personagens clássicos na cinematografia brasileira como Chicó, João Grilo e Zé Pequeno, nasceram no mundo dos livros. Aqui, nós preparamos uma lista com oito obras da literatura que foram adaptadas para o cinema nacional. Confira a lista e aproveite a sessão!


A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, Martha Batalha

Enquanto Guida Gusmão foge da casa dos pais, sua irmã Eurídice torna-se uma boa esposa e uma dona de casa exemplar. O primeiro romance de Martha Batalha se passa no Rio de Janeiro do início do século XX e conta a história de duas irmãs que são separadas pelo destino e, em caminhos totalmente opostos, lutam para serem felizes. No entanto, algo sempre estará em falta na vida dessas mulheres.

A Vida Invisível (2019), Karim Aïnouz

Cotado para representar o Brasil na corrida pelo Oscar, A Vida Invisível conta a história de Eurídice (Carol Duarte), uma jovem talentosa, porém tímida, e Guida (Julia Stockler), sua irmã mais velha. Diante de um ambiente repressivo e patriarcal, as duas resolvem trilhar os seus próprios caminhos: Guida foge de casa com o namorado e Eurídice se esforça para se tornar uma grande musicista. Por mais que a vida das irmãs tome rumos distintos, uma coisa sempre as manterá conectadas: a saudade.


Auto da Compadecida, Ariano Suassuna

A peça de Ariano Suassuna conta a história de dois amigos que vivem se metendo em confusões no vilarejo onde moram. João Grilo vive envolvido em confusões e Chicó é um covarde que adora contar mentiras. No entanto, o medo, a experiência com a morte, o céu e o inferno vão assombrar os personagens, fazendo com que eles repensem as suas atitudes.

O Auto da Compadecida (2000), Guel Arraes

O Auto da Compadecida narra as aventuras de João Grilo (Matheus Natchergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Juntos, os dois lutam para garantir a sua existência e enganam a todos no pequeno vilarejo de Taperoá, localizado no sertão da Paraíba.


Budapeste, Chico Buarque

Vencedor do Prêmio Jabuti de melhor livro de 2003, Budapeste é o terceiro romance de Chico Buarque. A obra conta a história de José Costa, um ghost-writer que, após viver uma reviravolta em sua carreira, passa a dividir a vida entre Copacabana e Budapeste. A simetria e a duplicidade entre cidades, línguas, livros e mulheres conferem ao texto um interessante processo de espelhamento, que atravessa toda a obra.

Budapeste (2009), Walter Carvalho

O longa-metragem de Walter Carvalho conta a história de José Costa (Leonardo Medeiros), um bem sucedido ghost writer. Ao reencontrar a esposa Vanda (Giovanna Antonelli) e o filho, após uma viagem à trabalho, o escritor percebe a sua vida cada vez menos empolgante. Em uma tentativa de vencer o tédio e salvar o casamento, ele escreve autobiografias, como o “Ginógrafo”. O livro será um sucesso, mas não para José Costa.


Capitães da Areia, Jorge Amado

O romance de formação de Jorge Amado narra a história de meninos pobres e infratores que vivem em um cais na praia de Salvador, na Bahia.
Com críticas à miséria e ausência de oportunidades para tantos jovens no país, o autor nos aproxima dos capitães da areia, liderados por Pedro Bala, e nos contagia com o intenso desejo de liberdade do grupo de garotos.

Capitães da Areia (2011), Cecília Amado

O filme de Cecília Amado narra a história de Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora, um grupo de jovens que foram abandonados por suas famílias e vivem pelas ruas de Salvador. Junto, os Capitães da Areia, a trupe encara aventuras, realiza sonhos e vive pesadelos reais. Tudo isso, enquanto lutam para sobreviver.


Cidade de Deus, Paulo Lins

O aclamado livro de Paulo Lins narra as transformações sociais e espaciais sofridas pelo bairro carioca Cidade de Deus desde a década de 1960. Para além das modificações urbanas, a obra também promove reflexões a respeito da consolidação do tráfico de drogas na comunidade a partir dos anos 1990, dando início a uma guerra.

Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund

Considerado como uma das produções mais importantes no cinema nacional, o longa-metragem Cidade de Deus conta a história do bairro carioca, desde a sua criação, a partir da trajetória das personagens que a compõem. Buscapé (Alexandre Rodrigues), um jovem negro que trabalha como fotógrafo e mora no lugar, revela através de sua câmera o dia-a-dia da Cidade de Deus, ressaltando, principalmente, o contexto de extrema violência vivido na comunidade.


Eles Não Usam Black-tie, Gianfrancesco Guarnieri

A peça de Gianfrancesco Guarnieri aborda os conflitos e contradições que permeam a vida de Tião e da classe trabalhadora do país na década de 1980. Aspectos como a recuperação de um espaço de participação política, representada por Otavio, o aumento do desemprego, o achatamento dos salários e o autoritarismo dentro das fábricas são trabalhados no livro. Além disso, a narrativa em formato de folhetim discute problemas familiares e as questões femininas, presentes em Maria e Romana.

Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman

Um clássico do cinema brasileiro, Eles Não Usam Black-Tie se passa em São Paulo da década de 1980. Na cidade, o jovem operário Tião (Carlos Alberto Riccelli) e sua namorada Maria (Bete Mendes) decidem enfim se casar, após ela descobrir que está grávida do rapaz. Porém, no mesmo momento, surge uma greve que divide a categoria metalúrgica. Com medo, Tião fura a greve e entra em conflito com o pai, Otávio (Gianfrancesco Guarnieri), que luta a anos pela causa sindical e chegou a ser preso durante o regime militar.


Turma da mônica – Laços, Vitor Caffagi e Lu Caffagi

A história em quadrinhos criada pelos irmãos Vitor e Lu Caffagi narra as aventuras dos fiéis escudeiros Cascão, Mônica, Magali e Cebolinha que embarcam em uma busca por Floquinho, cachorrinho de estimação de Cebolinha que desapareceu da casa de sua família.

Turma da Mônica – Laços (2017), Daniel Rezende

No longa-metragem Turma da Mônica – Laços, Mônica (Giulia Benite), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se unem ao amigo Cebolinha (Kevin Vechiatto) para encontrar o seu cachorro Floquinho, que anda perdido pela cidade.


Vale Tudo: o Som e a Fúria de Tim Maia, Nelson Motta

Em Vale Tudo: o Som e a Fúria de Tim Maia, o jornalista Nelson Motta discorre sobre a vida de um dos artistas mais lendários na música popular brasileira. Nascido na Tijuca, Tim Maia era dono de uma voz inconfundível e produziu sucessos que iam do funk ao soul, passando pelos ritmos brasileiros. Conhecido como “sindico”, o artista era dono de uma personalidade indomável e fazia questão de desafiar a lei e a ordem em nome da música e da liberdade.

Tim Maia (2013), Mauro Lima

Inspirada no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, o longa-metragem aborda a trajetória de Tim Maia (Babu Santana). A cinebiografia dirigida por Mauro Lima viaja por cinquenta anos na vida do artista, passeando por episódios como a infância no Rio de Janeiro, a época que viveu nos Estados Unidos e foi preso por roubo e posse de drogas, até morrer precocemente aos 55 anos de idade.


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Yasmin Lisboa


Comentários

Yasmin Lisboa

Yasmin é jornalista e estudante de Cinema. Cantora e colecionadora de discos e livros, é fascinada pela cultura popular brasileira.

Um comentário em “8 livros que inspiraram filmes do cinema brasileiro

  • 19.06.2020 a 9:48 am
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    Muito boas indicações. Contribui imenamente para a nossa cultura. Nos auxilia aorganizar nossa estante, quer seja física ou virtual. Obrigada!
    Zaira

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