Por dentro da literatura de Luiz Alfredo Garcia-Roza

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Escritor morreu, aos 84 anos, nesta quinta-feira (16). Autor ficou consagrado na literatura policial, principalmente com o detetive Espinosa

Um dos principais nomes da literatura policial do Brasil, o escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza morreu, aos 84 anos, nesta quinta-feira (16). Com dezenas de livros, o autor carioca ficou conhecido no meio literário, principalmente, após criar o detetive Espinosa, personagem que aparece em quase todos os livros. Até o momento, a família ainda não divulgou a causa da morte.

Nascido em 16 de setembro de 1936, Garcia-Roza também era psicanalista e começou na literatura apenas ao 60 anos, com o livro O silêncio da chuva, vencedor da categoria de Melhor Romance do Prêmio Jabuti. Contextualizadas em Copacabana e no bairro Peixoto, na Zona Sul do Rio, as narrativas do autor exploravam o interior e o drama de cada personagem.

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As histórias de Garcia-Roza receberam ainda adaptações no cinema e na televisão. Em 2006, Achados e perdidos, protagonizado pelo ator Antônio Fagundes, ganhou a tela dos cinemas. Já em 2017, Berenice procura foi destaque no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Para homenagear o escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, selecionamos alguns de seus principais livros. Veja a lista completa!


Berenice procura

Um menino de dois anos, filho de diplomata, brinca na praia de Copacabana sob os olhos vigilantes da babá. Ele tem uma das mãos ocupada com uma pá, que carrega com orgulho, e a outra entretida em recolher objetos do chão. Quando avista um morrote de areia, resolve pôr o utensílio de plástico em ação e começa a cavar, até que encontra um corpo. Esse seria mais um caso para o inspetor Espinosa – se Luiz Alfredo Garcia-Roza não tivesse decidido dar um descanso ao personagem de seus cinco romances anteriores. No lugar dele, o autor apresenta Berenice, uma taxista de 34 anos, que cansada de ser apenas uma ‘caixa de ressonância da cidade’, um vazio onde as vozes dos passageiros ecoam, trazendo opiniões que entram e saem sem deixar nada, se envolve emocionalmente com o caso do assassinato do travesti Valéria.


Uma janela em Copacabana

Copacabana, Rio de Janeiro. Dois policiais são executados em curto espaço de tempo. Suas mortes têm muito em comum. Ambas as vítimas eram tiras de segundo escalão, com carreiras medíocres. Foram eliminados pelo mesmo homem, um assassino que dispara à queima-roupa e não deixa rastro. O mundo policial entra imediatamente em rebuliço. Quem estaria disposto a correr o risco de sair matando tiras, ainda que inexpressivos? Gente ligada ao tráfico? À própria polícia? Em meio às confusões de seu cotidiano de livros sem estantes e mulheres fugidias, o delegado Espinosa tem poucos elementos para desvendar o caso, mas sabe que quem cometeu os crimes tem uma motivação forte.


O silêncio na chuva

A morte misteriosa de um executivo no centro do Rio; um segundo assassinato com requintes de crueldade. Cabe ao bibliófilo inspetor Espinosa descobrir o nexo entre os dois crimes numa complexa investigação.


Perseguido

O delegado Espinosa é encarregado de um caso que envolve um psiquiatra acometido de forte sentimento de perseguição e um paciente que desaparece em circunstâncias misteriosas. Este é o quinto livro do autor.


Um lugar perigoso

São muitos os lugares perigosos deste livro. O primeiro é o próprio Rio de Janeiro, onde a história se desenrola. Como de costume nos romances de Garcia-Roza, a cidade é protagonista e sua geografia se torna parte indissociável da trama. Outro lugar de perigos insondáveis é a memória do professor Vicente, figura central neste enredo. Afastado da universidade em razão de problemas de saúde, ele passa os dias em casa e ganha a vida como tradutor, numa rotina aparentemente tranquila. Até que se depara com uma lista cheia de nomes de mulheres.


A última mulher

O novo caso do delegado Espinosa envolve um jogo de gato e rato que conta com um cafetão bem-sucedido, sua nova prostituta favorita e outras figuras da Lapa profunda. Ratto é um cafetão da Lapa, coração do Rio de Janeiro, que, acompanhado de seu sócio, Japa, consegue tirar uma pequena fortuna todo mês. Quando um violento policial resolve chantageá-lo, querendo abocanhar parte do quinhão, Ratto precisa desaparecer dali e arranjar um jeito de sobreviver. Refugiado em Copacabana, ele conhece Rita, uma prostituta jovem e muito inteligente que vira sua protegida, mas logo ambos se veem em meio a uma caçada pelas ruas e becos escuros da cidade.


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Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

Um comentário em “Por dentro da literatura de Luiz Alfredo Garcia-Roza

  • 16.04.2020 a 10:01 pm
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    “Eu acredito que o que a gente acabou levando para a tela, para além da trama de suspense, um alerta e até mesmo em um tributo para toda e qualquer pessoa que tenha sido marginalizada e oprimida por seu gênero, orientação sexual ou sua liberdade de expressão.” Foi assim que a roteirista Flávia Guimarães apresentou o drama com toques de thriller policial Berenice Procura no encerramento da conferência Rio2C, realizado na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

    Baseado no livro homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, o longa-metragem acompanha a vida de Berenice (Abreu), uma mulher que trabalha como taxista no Rio de Janeiro e leva uma vida pacata de classe média em Copacabana. Ela vive debaixo do mesmo teto que Domingos (Eduardo Moscovis), com quem foi casada e está separada. Ele é um repórter televisivo que investe em coberturas sensacionalistas, e que, dentro de casa, assume uma postura patriarcal opressiva, especialmente com Tiago (Caio Manhente), um adolescente de 15 anos em fase de descobertas sexuais. A rotina da família é afetada pela morte de Isabelle (Valentina Sampaio), uma jovem e bela mulher trans conhecida por encantar o público de uma boate LGBT comandada à mão de ferro pela cafetina Greta (Holtz). Intrigada pelo caso, Berenice passa a juntar peças que possam levar à resolução do crime.

    “O filme é muito corajoso em um Brasil tão conservador”, avaliou o ator Caio Manhente, conhecido por produções mais voltadas para o público infanto-juvenil, como Detetives do Prédio Azul (D.P.A.): O Filme e a novela Malhação. “O filme foi muito importante para mim porque era o meu primeiro grande desafio como ator estar nesse elenco incrível e fazer parte de uma preparação tão intensa como foi a nossa. O resultado foi um filme que é ao mesmo tempo forte e delicado. É um filme que brinca com o lado lúdico da vida que todos nós temos, pensamos e sentimos mas as vezes não nos permitimos conhecer. No filme a gente faz essa viagem para o mundo lúdico sem deixar de abordar questões tão fundamentais da nossa sociedade.”

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