Vida de livreiro – Mauricio Eloy e o sebo Chama de uma Vela

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Conheça o professor de História da Arte que dedica a vida aos livros. Ele mantém sebo online, mas sonha em reabrir loja em São Paulo

A relação do professor Mauricio Eloy com a literatura começou na adolescência. Aos 18 anos, ele sonhava em administrar uma livraria, em São Paulo, e mal podia adivinhar que realizaria seu desejo 15 anos depois. Em 2001, Eloy abriu o sebo Chama de uma Vela, na Rua Augusta, uma das principais vias da cidade. Lá, acumulou histórias e experiências com os clientes. Em um dos casos mais marcantes, um integrante da família de um restaurante italiano decidiu doar a biblioteca inteira dele para a loja.

“Um idoso foi ao meu sebo e queria comprar um livro específico de arte romena. A obra era R$ 80 e eu fiz por R$ 60, mas ele não entendeu o motivo do desconto. Expliquei que era uma forma de agradá-lo, já que era cliente novo. Ele disse que me daria a biblioteca inteira dele. Uns 15 dias depois, uma Kombi estacionou em frente à loja e descarregou os produtos”, lembra Mauricio, de 49 anos, acrescentando que o acervo reunia cerca de 800 itens, como relacionados a cantores de jazz.

Eloy começou a trabalhar com livros após atuar mais de dez anos na área cultural. Formado em História da Arte, ele foi contratado para uma livraria especializada em arte e ajudou em uma feira de antiguidades. Depois, o dono do estabelecimento o convidou para assumir a banca.

“Comprei meu primeiro lote da sobrinha-neta do Monteiro Lobato com R$ 500. Depois, comprei mais um lote com uns 500 livros em italiano da editora Mondadori. Era um risco, mas achei as obras tão fantásticas. E são raros de conseguir. No shopping [na Avenida Paulista, em São Paulo], minha banca chegou a 1,5 mil livros”, conta.

Mauricio Eloy, sebo
Mauricio Eloy no início do sebo (Foto: Arquivo pessoal)

Estante Virtual aumenta vendas

Por causa da crise financeira, Eloy fechou as portas da loja, na Rua Augusta, em 2016. No entanto, o sebo online continua funcionando a todo vapor. Hoje, o acervo inclui mais de oito mil itens. O professor também conta com o auxílio da Estante Virtual para vender os livros na Internet desde 2006. “Hoje, minha renda maior de vendas vem da Estante. O site proporciona maior facilidade na aquisição dos produtos”, afirma.

Eloy reforça ainda que a Estante Virtual ajuda na divulgação do material para pessoas do Brasil inteiro. “Inclusive aquelas pessoas que não têm acesso a livrarias em suas cidades. Trabalho com produtos esgotados, então há muita procura. Se não tivesse a Estante, com certeza eu não teria esse alcance todo”, completa.

Por que o nome?

Mas, afinal, por que o nome Chama de uma Vela? Um dos motivos está relacionado à memória afetiva da infância. “Quando era criança, vivia na periferia de São Paulo. Eu e minha família éramos muito pobres e não tínhamos energia elétrica, vivíamos à base de velas. Isso marcou muito para mim. Gostava da claridade proporcionada pela vela”, explica. Outro motivo está relacionado a uma de suas obras favoritas, A Chama de uma Vela, de Gaston Bachelard.

A série “Vida de Livreiro” vai continuar a contar as histórias dos personagens da nossa rede. Quer compartilhar suas experiências com os leitores do Estante Blog? Conte a sua jornada pelo universo dos livros através do e-mail: suahistoria@estantevirtual.com.br

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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