8 livros para ressignificar a relação com seu cabelo

(2.8 Estrelas - 51 Votos)

Quantas ‘rapunzeis’ – com ou sem tranças –  existem dentro de nós? Oito autoras respondem sobre cabelo a partir dos seus lugares de fala!

Recentemente, a escritora americana bell hooks lançou o livro infantil ‘Meu crespo de rainha’ no Brasil – um lindo ensaio que incentiva às meninas negras a amarem seus cabelos. A obra, além de ser uma das poucas produções traduzidas da autora, foi publicada pela primeira vez em 1999, nos Estados Unidos. Trata-se de um poema ilustrado por Chris Raschka, com uma linguagem de empoderamento e fortalecimento da autoimagem das crianças em uma sociedade contaminada por padrões estéticos e referencias eurocêntricas. Logo, valorizar o cabelo – seja ele como for – nada mais é do que um ato político, de amor-próprio.

Você conhece o seu cabelo?

Diante disso, queremos despertar algumas reflexões sobre cabelo – como um símbolo forte e importante da identidade das mulheres, principalmente das mulheres negras – historicamente discriminadas. Longe da pretensão de generalizar processos e vivências existentes, a percepção positiva ou negativa que temos do nosso cabelo tem uma relação direta com a autoestima e o autoconhecimento. Aprender a amar e aceitar as madeixas naturais, assim como permitir-se mudar e escolher um visual com liberdade é uma forma de ‘transgredir’ o imaginário coletivo – nos livrando de estereótipos, padrões pré-estabelecidos e ressignificar o próprio conceito de beleza.

Da transição capilar à aceitação

Aproveite nossa lista de livros que abordam de diversas formas a relação – de amor, cuidado ou rejeição – que temos com o nosso cabelo da infância à fase adulta. São obras literárias desafiadoras e que – convenhamos? – todas as mulheres e todos os homens deveriam ler. Confira!


 Sem perder a raiz – corpo e cabelo como símbolo da identidade negra, de Nilma Lino Gomes

A obra brilhante é a publicação da tese de doutorado da professora Nilma Lino Gomes – umas das maiores intelectuais brasileiras no campo da educação, das relações raciais e da antropologia. A centralidade da sua pesquisa percorre por salões étnicos de Belo Horizonte, interpretando depoimentos de cabeleireiros e cabeleireiras sobre suas percepções sobre o cabelo como expressão e símbolo de resistência cultural. O livro, porém, é muito mais do que isso. Com uma linguagem leve, fluida e emocionante, a autora desperta reflexões sobre autoestima, memórias da infância e como o binômio de aceitação/rejeição atua no psicológico das mulheres negras. Uma leitura fantástica e indispensável a todos e todas que precisam ir além das representações negativas da negritude, solidificar uma conscientização positiva e fortalecer a identidade negra. Um verdadeiro ensaio sobre a geografia do corpo negro!

Sem perder a raiz - corpo e cabelo como símbolos da identidade negra, de Nilma Lino Gomes


O livro dos cachos, de Sabrinah Giampa

Quem foi que disse que o liso é mais elegante e chique? Quem disse que não é possível ir à festa sem fazer chapinha? Fizeram a gente acreditar em um padrão de beleza universal de cabelo. Segundo o livro, não é à toa que o Brasil é um dos países que mais gasta dinheiro com tratamentos químicos de alisamento. Por isso que este livro desvenda o que está por trás da supremacia dos cabelos lisos, denunciando os males das escovas progressivas e japonesas para a nossa saúde, por exemplo. A obra traz ensinamentos práticos da jornalistas e cabeleireira especializada em cachos – com perguntas e respostas, além de dicas práticas de cuidado e manutenção.

O livro dos cachos, de Sabrinah Giampa


Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida

Djaimilia é uma das novas vozes da literatura lusófona. Cursou estudos portugueses na Universidade Nova Lisboa e doutourou-se em teoria da literatura na Universidade de Lisboa. Seu primeiro livro, Esse cabelo (2017), arrebatou a cena literária de Portugal. Um romance surpreendente que mistura memória, imaginação e crítica social com humor e leveza na medida certa. Mas que fala também de racismo, feminismo e identidade. Falar de cabelos é uma bobagem? Não, até porque, segundo a narradora deste livro, “escrever parece-se com pentear uma cabeleira em descanso”; e visitar salões de beleza é uma boa forma de conhecer hábitos, de aprender a distinguir modos e feições e até de detectar preconceitos.

Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida


Meu crespo é de rainha, de bell hooks

A ativista e feminista bell hooks faz poesia com a diversidade dos cabelos crespos e cacheados. Um poema rimado e ilustrado apresenta às meninas negras diferentes penteados e cortes de cabelo com uma linguagem positiva e alegre. Na contramão da falta de representatividade na mídia, a escritora faz um incentivo à liberdade expressão, amor-próprio e enaltece a beleza dos fenótipos negros. Um livro para que as mães, avós e tias leiam em voz altas para as suas filhas, netas e sobrinhas – de geração em geração.

Meu crespo é de rainha, de bell hooks


Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

 Este romance não é especificamente sobre cabelo. Vencedor do National Book Critics Circle Award, o livro é o romance levanta questões raciais, de imigração e de aceitação das próprias raízes – territoriais e ou mesmo de seu cabelo. Peças primordiais da história, que guiam a protagonista Ifemelu a levantar perguntas e hipóteses que as pessoas não estavam acostumadas a ouvir. A relação entre Ifemelu e Obinze acontece em tempos sombrios do governo militar da Nigéria. Em meio à guerra, a jovem vai sozinha para os Estados Unidos em busca de universidades, já que as instituições nacionais estão paralisadas e passando por sucessivas greves. Bem-humorado, sagaz e sensível, esta obra é, além de um romance arrebatador, um épico contemporâneo. Veja a resenha do livro aqui!

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie


O manual da garota cacheada – o método curly girl, de Michele Bender e Lorraine Massey

Abaixo à ditadura dos cabelos lisos! Para quem já passou pelo processo de assumir seu cabelo natural ou, quem sabe, precisa reconciliar com suas madeixas de origem, temos uma boa notícia. Este verdadeiro manual traz dicas de cortes, pintura, cuidado com os cachinhos, técnicas Low-Poo e No-Poo e muito mais. Um verdadeiro guia prático de manutenção capilar – especialmente para as cacheadas que estão no caminho de identificação com seu próprio cabelo.

https://www.estantevirtual.com.br/livros/massey-lorraine-bender-michele/manual-da-garota-cacheada-o-/1926171701?q=o+manual+da+garota+cacheada


Livro do cabelo, de Leusa Araújo

Você já parou para pensar no quanto rituais cotidianos de lavar-pentear-manter o cabelo estão repletos de significados? Seja qual for a sua magia, o livro nos mostra as múltiplas possibilidades de reinvenção do cabelo: turbantes, raspados, perucas, guirlandas de flores, véus… O que cada um desses elementos pode comunicar? Leia e descubra!

Livro do cabelo, de Leusa Araújo


Que cabelo é esse?, de Mariângela Bordon

Lançado em 2006, a obra conta basicamente a história de como as mulheres sempre cuidaram de seus cabelos, assim como curiosidades sobre os penteados que cruzaram os tempos e espaços. Logo, a autora aproveita o ensejo para citar grandes musas de outras épocas que marcaram suas gerações pela sensualidade que tinha o cabelo como pano de fundo. Outra novidade são as receitas caseiras compartilhadas com as leitoras, mostrando que o cuidado com as madeixas pode ser mais simples e eficientes do que elas imagina. Vale lembrar que Mariângela Bordon é criadora da marca de cosméticos Ox.

Que cabelo é esse?, de Mariângela Bordon

VEJA TAMBÉM: Em homenagem à Marielle: 7 autoras negras que marcaram o feminismo


Quais outros livros sobre corpo e cabelo vocês recomendam?

[wysija_form id=”5″]
Andréia Coutinho Louback

Andréia Coutinho Louback

Jornalista em Estante Virtual
Apaixonada por histórias e viciada em comprar livros. Mestre em relações étnico-raciais, ela atua rumo à superação do racismo na sociedade, em especial, na área da comunicação.
Andréia Coutinho Louback

Colaborou: Natália Figueiredo | Foto: Igor Defavéri

Comentários

Andréia Coutinho Louback

Apaixonada por histórias e viciada em comprar livros. Mestre em relações étnico-raciais, ela atua rumo à superação do racismo na sociedade, em especial, na área da comunicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Shares