40 anos da Revolução Islâmica no Irã

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7 livros para entender a Revolução Iraniana que este ano completa quatro décadas

Em 1979, os islâmicos xiitas do Irã, liderados pelo aiatolá Rouhollah Khomeini, derrubaram o governo do xá Reza Pahlevi proclamando a Revolução Islâmica. Pahlevi estava no poder desde a década de 1940 e era apoiado pelo Ocidente. Mas as manifestações de rua se avolumaram até o colapso do governo em 11 de fevereiro.

Após a queda, os iranianos se encheram de esperança e expectativa de um futuro melhor. Sonhos de liberdade e independência dos Estados Unidos incendiaram os revolucionários. Mas uma mudança tão grande e rápida deixou feridas profundas e duradouras. Mais capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.

Houve açoitamentos, enforcamentos e prisões em massa. Milhares de pessoas morreram e deixaram o país, algumas fugindo para proteger suas vidas e nunca mais voltar. O que se materializou depois daqueles primeiros anos sangrentos foi verdadeiramente revolucionário: uma República Islâmica, uma teocracia construída sobre escolhas ideológicas rígidas.

A população precisou se cobrir. As mulheres usarem véu; os homens manga comprida. Houve segregação de gênero. As escolas separaram meninos e meninas e as orações se tornaram obrigatórias. Álcool tornou-se proibido, assim como instrumentos musicais na televisão.

Muita coisa já mudou nesses 40 anos, muitas regras foram perdendo o valor. Hoje, mulheres podem ser vistas andando de bicicleta (que já foi proibido), moto ou com o cabelo tingido. Mas este, definitivamente, não foi um acontecimento simples na História. Há diversos pontos de vista sobre o país de antes e depois de 1979. Justamente, por essa ser uma nação muito antiga e com uma cultura vasta.

Por isso, selecionamos livros, que podem ajudar a entender melhor o que foi a Revolução Iraniana, quais eram seus antecedentes e como ela transformou radicalmente o país e o Oriente Médio. Veja abaixo:


Lendo Lolita Em Teerã, de Azar Nafisi

Azar Nafisi nasceu no Irã e aos 13 anos foi enviada para a Inglaterra para estudar. Na Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, concluiu seu doutorado em literatura inglesa. Em 1979, com a derrubada da ditadura e a fundação da República Islâmica do Irã, a autora retornou ao seu país com a expectativa de encontrar grandes mudanças políticas, mas deparou-se com um regime de terror, imposto pelos aiatolás. Azar Nafisi permaneceu em Teerã por 18 anos. Lecionou literatura inglesa na Universidade de Teerã de 1979 a 1981, quando foi expulsa por se recusar a usar o véu. Deu aulas na Universidade Livre Islâmica e na Universidade Allameh Tabatai, no Irã. A autora ficou conhecida mundialmente com a publicação do livro Lendo Lolita em Teerã, traduzido em 32 idiomas. Azar Nafisi vive em Washington e escreve regularmente para The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal.


Todos os Homens do Xá, de Stephen Kinzer

Há  mais de cinquenta anos, os Estados Unidos derrubaram um governo do Oriente Médio pela primeira vez. A vítima foi Mohamed Mossadegh, primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito. O golpe de Estado de agosto de 1953 serve hoje como uma dura lição sobre os perigos de intervenções estrangeiras. A conspiração que depôs Mossadegh e reconduziu o xá Mohamed Reza ao poder influenciou profundamente a história do Irã, do Oriente Médio e do mundo. Durante 25 anos, o tirânico regime pró-ocidental do xá fecundou a semente que gerou a revolução Islâmica de 1979, fonte de inspiração dos fundamentalistas de todo o mundo islâmico, incluindo os talibãs e os terroristas que se multiplicaram sob a sua proteção.


Persépolis Completo, de Marjane Satrapi

Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente,o humor se infiltra no drama — e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.


Descobrindo o Irã, de Ivonete Pinto

Mesclando ensaio e crônica com temperos de aventura, Ivonete Pinto oferece em ‘Descobrindo o Irã’ um rico painel sobre o país dos aiatolás. Em capítulos que radiografam os aspectos mais importantes do Irã, a autora não se furta à reflexão. A jornalista trata o tema do islã com o didatismo necessário, levando o leitor a desvendar o complexo universo religioso do país. No Irã, não se fala em política e revolução sem estar se falando em religião. Este livro é dirigido aqueles que tentam entender os conflitos do Oriente com o Ocidente e que sabem ser a cultura de um povo uma das principais ferramentas para este entendimento. É também dirigido, em especial, aos viajantes que até hoje não tiveram coragem e/ou informação suficientes para conhecer o Irã.


Prisioneira Em Teerã, de Marina Nemat

Era o tempo da brutal Revolução Islâmica do aiatolá Khomeini. Marina Nemat tinha apenas dezesseis anos quando foi presa pela Guarda Revolucionária do Irã por ter iniciado uma greve escolar. Levada para Evin, a temida prisão política de Teerã, foi torturada e condenada à morte. Mas um interrogador se apaixonou por ela e salvou-a do fuzilamento. Nessas memórias, tão terríveis que parecem ficção, Marina faz um relato desconcertante do horror e da ternura vividos entre 1982 e 1984. Por mais de vinte anos, ela tentou esquecer. Foi impossível. Prisioneira em Teerã põe fim a seu longo e angustiado silêncio.


Os Telhados de Teerã, de Mahbod Seraji

Em Teerã é muito comum, no verão, dormir no telhado. O calor seco do dia resfria após a meia-noite, e quem fica lá em cima acorda com os primeiros raios de sol na face e com o ar fresco nos pulmões. E é deste lugar que os adolescentes Pasha e Ahmed, amigos inseparáveis, observam o mundo e as pessoas ao redor. É também dali que Pasha consegue admirar Zari, sua vizinha, uma jovem já prometida para casamento. Este é o ponto de partida de Os telhados de Teerã, um sensível e cativante romance de iniciação que marca a estreia literária de Mahbod Seraji, iraniano radicado nos EUA. Uma trama densa e ao mesmo tempo leve, em que se misturam os sentimentos e descobertas dos adolescentes e seus primeiros vislumbres sobre o amor, mas também o contato com a dor, a repressão, a morte e as perdas, bem como a repressão política durante a ditadura do Xá Reza Pahlevi.


O Xá dos Xás, de Ryszard Kapuscinski

Nos anos 1950, com o repentino aumento do preço do petróleo, o Irã embarcou em um extraordinário processo de modernização. Foram importados armamentos, carros, aviões, tudo o que para o xá era sinônimo de desenvolvimento. Em 1979, no entanto, seu projeto de Grande Civilização ruiu: sob o impacto de manifestações populares e a pressão dos religiosos xiitas, o reinado despótico de Mohammed Reza Pahlevi chegou ao fim.

Para narrar o processo de ascensão e queda do último xá do Irã, Kapuscinski lança mão de uma técnica mista, em que entram narrativa histórica, crônica jornalística e escrita de ficção. Sem entrevistar representantes do novo governo ou adentrar o palácio onde viveu o xá, o autor busca no homem comum o significado profundo da cultura, da religiosidade e da revolução iraniana. Nesta brilhante cobertura, o jornalista-escritor põe em prática sua convicção de que todos os livros sobre as revoluções […] deveriam começar com um capítulo com tons psicológicos, em que se descrevesse o momento em que um homem sofrido e apavorado repentinamente derrota o terror; o instante em que ele deixa de sentir medo.


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Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo

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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

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