Darcy Ribeiro e a educação no Brasil

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Antropólogo nasceu em 26 de outubro de 1922. Veja a nossa lista com livros do educador e de outros pensadores que fizeram história no país

A educação brasileira que conhecemos hoje recebeu influências de grandes pensadores no passado. Um dos principais intelectuais é Darcy Ribeiro, conhecido como “antropólogo da educação“. O educador conquistou reconhecimento no país e no mundo a partir da década de 1950, quando começou a focar seus estudos na educação dos índios e das classes mais populares. Nascido em 26 de outubro de 1922, em Montes Claros, em Minas Gerais, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Medicina, mas abandonou o curso e seguiu para o campo das Ciências Sociais.

Em 1946, formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia. Ao longo da vida, Darcy Ribeiro contribuiu para a Unesco e a Organização Internacional do Trabalho com estudos de etnografia e defesa da causa indigenista.

Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”

Aos 33 anos, ele organizou o primeiro curso de pós-graduação em antropologia, na Universidade do Brasil (Rio de Janeiro). Lá, o antropólogo lecionou aulas de etnologia até 1956. Um ano depois, ele foi ministro do Ministério da Educação e lutou em defesa da escola pública. Ao lado do educador Anísio Teixeira, fundou a Universidade de Brasília, em 1962.

Darcy Ribeiro foi vítima de falência múltipla dos órgãos, causada por uma neoplasia maligna de próstata, em 17 de fevereiro de 1997. O escritor tratava a doença desde 1994, mas abandonou o hospital para finalizar seu último livro, O povo brasileiro, que encerra a coleção de seus Estudos de Antropologia da Civilização.

Outros educadores

Além de Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Gilberto Freyre também foram cruciais na construção do pensamento crítico e na educação. Único autor brasileiro na lista de 100 livros mais requisitados em universidades dos Estados Unidos, Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, em Recife.

Influenciador do movimento denominado de Pedagogia Crítica, ele é o patrono da educação no país e considerado um dos pensadores mais importantes da história da pedagogia mundial. Entre seus principais livros estão Pedagogia da autonomia Pedagogia da esperança. O educador morreu, em São Paulo, em 2 de maio de 1997.

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Paulo Freire
Paulo Freire

O antropólogo Gilberto Freyre também é considerado um dos intelectuais mais importantes do país. Nascido em 15 de março de 1900, em Pernambuco, foi ainda escritor, ensaísta, historiador, sociólogo e pintor. Suas obras foram caracterizadas pela interpretação da história do Brasil e de seu povo.

Em 1933, Freyre publicou seu primeiro livro, Casa-grande e senzala, considerado até hoje uma das obras mais significativas sobre a formação da sociedade brasileira. Outros títulos de destaque foram Sobrados e mucambosBrasis, Brasil e Brasília.

Gilberto Freyre
Gilberto Freyre

Durante a carreira, conquistou diversos prêmios, como o Jabuti de Literatura, e foi eleito imortal na Academia Pernambucana de Letras. O antropólogo morreu em 18 de julho de 1987, em Recife.

Para marcar a data de aniversário de Darcy Ribeiro, fizemos uma lista para homenagear esses três grandes pensadores que fizeram história no nosso país. Confira a seleção completa!


Os índios e a civilização, de Darcy Ribeiro

Os índios e a civilização é fruto de observações de campo feitas pelo autor por dez anos, quando ele era etnólogo do antigo Serviço de Proteção aos Índios, além de pesquisa bibliográfica e de entrevistas com funcionários, missionários e indigenistas. Valendo-se do conceito de transfiguração étnica, Darcy Ribeiro recusa as explicações correntes baseadas nas noções de assimilação ou aculturação. Os índios e a civilização, de Darcy Ribeiro


O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

Por que o Brasil ainda não deu certo? Quando chegou ao exílio no Uruguai, em abril de 1964, Darcy Ribeiro queria responder a essa pergunta na forma de um livro-painel sobre a formação do povo brasileiro e as configurações que ele foi tomando ao longo dos séculos. A resposta veio com este que é sua obra mais ambiciosa. Trata-se de uma tentativa de tornar compreensível, por meio de uma explanação histórico-antropológica, como os brasileiros se tornaram o que são hoje.O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro


Noções de coisas, de Darcy Ribeiro

Noções de coisas reúne uma série de textos, pequenas crônicas, em que o autor conversa com os jovens na linguagem deles. Um papo irreverente, inteligente, bem humorado, cheio de força e poesia. Fala-se de tudo: o jeito de viver dos índios, da matemática, o lugar do ser humano no Universo, a vida da natureza, a vida dos homens, o prazer da leitura, as dúvidas e os prazeres de viver.Noções de coisas, de Darcy Ribeiro


Educação e mudança, de Paulo Freire

Educação e mudança coincide com o retorno de Paulo Freire ao Brasil, em 1979. É uma crítica aberta ao falso dilema “humanismo X tecnologia”. Nos quatro estudos que formam esta obra e que abordam os mais diferentes aspectos da relação do homem e seu estar no mundo, vemos como o compromisso com a própria realidade, a impossibilidade de se assumir uma posição neutra perante o mundo, é peça-chave para que educadores e educandos se insiram na sociedade e possam transformá-la.Educação e mudança, de Paulo Freire


Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire

Com poucas páginas, este livro tem uma densidade de ideias pouco vista em qualquer outra das obras de Paulo Freire. Seu poder de síntese demonstra maturidade, lucidez e vontade de, com simplicidade, abordar algumas das questões fundamentais para a formação dos educadores, de forma objetiva. Pedagogia da Autonomia sintetiza a pedagogia do oprimido e o engrandece como gente. É o livro-testamento de sua presença no mundo. Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire


Professora sim, tia não, de Paulo Freire

Vivemos um tempo de crise do valor atribuído ao professor. Sabe-se da importância inalienável de Paulo Freire para esta questão, seja em sua prática ou na sua escrita. A reedição atualizada de “Professora sim, tia não” vem na busca de que o acesso aos textos do Patrono da Educação Brasileira permaneçam acessíveis aos professores deste país, dando, continuamente, elementos de reflexão para seu crescimento e valorização profissional.Professora sim, tia não


Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre

Este é o principal livro de Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala enfatiza a formação da sociedade brasileira no contexto da miscigenação entre os brancos, principalmente portugueses, dos escravos negros das várias nações africanas e dos diferentes povos indígenas que habitavam o Brasil.Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre


Sobrados e mucambos, de Gilberto Freyre

Publicado em 1936, Sobrados e Mucambos avalia o declínio do patriarcado rural do século XIX. Enfraquecida pelo declínio da escravidão e pressionada pelas forças da modernidade que vem de fora, a aristocracia se vê obrigada a trocar a casa-grande pelos sobrados urbanos. Enquanto isso, seus ex-escravos saem das senzalas e instalam-se nos casebres de barro e palha dos bairros pobres das cidades. Sobrados e mucambos, de Gilberto Freyre


Ordem e progresso, de Gilberto Freyre

Quase meio século depois de sua publicação, Ordem e Progresso se mantém moderno e provocativo como na época de seu lançamento. A obra de Gilberto Freyre foi discutida, atacada, louvada, sem que perdesse uma lasca de sua importância, espécie de montanha pétrea na planície dos estudos brasileiros. Este livro abrange o período histórico de transição da monarquia para a República, que se estende da assinatura da lei do Ventre Livre, 1871, quando as pressões para a abolição da escravatura começam a se tornar irresistíveis, à eclosão da Primeira Guerra Mundial, 1914, época de decadência da economia cafeeira e de aceleramento do processo de industrialização. Ordem e progresso, de Gilberto Freyre


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Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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