Quatro livros proibidos pela ditadura

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29 de outubro – Dia Nacional do Livro No Dia Nacional do Livro, o Estante Blog aproveita para lembrar de um tempo em que escrever um livro requeria ainda mais coragem. Antes da redemocratização do Brasil, a censura proibiu, processou e recolheu das livrarias cerca de duzentos títulos nacionais. Sob o argumento “da moral e dos bons costumes”, até livros com ilustrações de Pablo Picasso foram tirados de circulação. Felizmente, vivemos uma outra época e a liberdade de expressão é um direito constitucional de todos os brasileiros. Conheça cinco livros que foram proibidos durante os anos de chumbo. Feliz ano novo, de Rubem Fonseca [caption id="attachment_19825" align="alignnone" width="297"]Veja o livro Veja o livro[/caption] Esta reunião de contos de Rubem Fonseca foi proibida de circular em 1976, um ano depois de seu lançamento. As histórias apresentavam críticas sociais e uma ou outra expressão mais chula. Ambos os argumentos foram utilizados para justificar a apreensão dos exemplares. Segundo o parecer dos censores, além da linguagem pornográfica, o livro faz “alusões desmerecedoras aos responsáveis pelo destino do Brasil e ao trabalho censório”.  Zero, de Ignácio de Loyola Brandão [caption id="attachment_19826" align="alignnone" width="298"]Veja o livro Veja o livro[/caption] A obra foi publicada originalmente em 1974, na Itália, já que nenhuma editora brasileira quis correr o risco de cair nas garras dos censores. Ela só chegou no Brasil no ano seguinte. Em 1976, foi proibido por ser considerado um atentado à moral e aos bons costumes. Rosa e José, os protagonistas, vivem uma relação complexa de desprezo e incontrolável desejo. A história de Ignácio de Loyola Brandão, cuja temática é justamente a repressão e o desejo de liberdade, se passa durante a ditadura militar, ou seja, o mesmo período em que o livro foi escrito.  Em câmara lenta, de Renato Tapajós [caption id="attachment_19827" align="alignnone" width="299"]Veja o livro Veja o livro[/caption] Esta foi a primeira obra brasileira escrita por um membro da esquerda armada. O autor era filiado ao Ala Vermelha, grupo de influência maoísta que praticou ações armadas. Tapajós cumpriu pena de 1969 a 1974. O livro despertou a fúria de setores conservadores: em julho de 1977, Tapajós foi preso em São Paulo e ficou dez dias incomunicável, sob a acusação de que sua obra era um “instrumento de guerra revolucionária”. Tessa, a Gata, de Cassandra Rios [caption id="attachment_19828" align="alignnone" width="297"]Veja o livro Veja o livro[/caption] Ninguém foi tão censurado pela ditadura quanto Cassandra Rios. Em 1976, ela teve 33 de seus 36 livros proibidos. Comunista? Guerrilheira? Não, senhores. Cassandra escrevia livros eróticos. Imagine se o governo resolvesse recolher todas as cópias de Cinquenta tons de cinza pelo seu conteúdo “subversivo”. Era o que acontecia com tudo que Cassandra publicava. Os censores alegavam “temas atentatórios à moralidade pública” para vetar livros apimentados, como O prazer de pecar. Tessa, a Gata, por exemplo, chegava a se vangloriar da perseguição na capa. Abaixo do título, le-se o texto “Um novo sucesso da autora mais proibida do Brasil”. Marketing involuntário à parte, nem tudo eram flores na vida de Cassandra. Homossexual, a autora chegou a ser condenada à prisão por sua orientação sexual.   Qual livro proibido você gostaria de ler? Deixe seu comentário e participe da conversa.]]>

Rodrigo Espírito Santo

Mestre em Comunicação Social, MBA em Comunicação Corporativa, Pós-graduado em roteiro de audio visual. Mais de 15 anos de experiência em comunicação empresarial, endomarketing, redação publicitária, jornalística e de conteúdo para redes sociais.

10 thoughts on “Quatro livros proibidos pela ditadura

  • 29.11.2015 em 10:00 am
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    Desses, infelizmente só li “Em Câmera Lenta” do Renato Tapajós. Um trabalho de composição da forma muito bom! Não estimula guerrilha coisa nenhuma. Aliás, pra bom leitor, desestimula a luta armada! Mais uma vez os milicos erraram…

  • 29.11.2015 em 7:21 am
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    Zero! Que livro espetacular. Não sou de esquerda, mas assusta ver o quanto a nova direita brasileira é anti _ liberal. Querem paradoxalmente transformar esse país em algo parecido com uma re publique tá insígnia te, escárnio de países desenvolvidos!

  • 24.11.2015 em 2:47 am
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    Geraldo Dalla Nora alienados e obscurantistas hahahaha Já li oFeliz AnoNovo do Fonseca Gostaria de ler Tessa a Gata da Cassandra

  • 02.11.2015 em 2:39 pm
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    E causa espanto que hoje em dia tenha pessoas querendo a volta daqueles tempos ! Só enendo uma posição destas por dois motivos : Ou eram pessoas que mamavam nas tetas da Ditadura , ou então são tão alienados e obscurantistas que ainda não se deram conta de que estamos no século XXI.

  • 02.11.2015 em 2:23 pm
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    Feliz Ano Novo e zero Quando cursava Letras na FIDENE, hoje UNIJUI , O professor e escritor Deonizio da Silva nos estimulava muito a leitura e debate do conteúdo desses livros

  • 02.11.2015 em 1:30 pm
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    A cultura brasileira não perdeu nada. Quem sabe com o marketing de “proibido na ditatura” outros idiotas, além de mim, se animem em comprar pra descobrir que foram enganados…

  • 31.10.2015 em 3:32 pm
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    Sei que estamos novamente numa democracia…e onde andam as obras de monteiro Lobato nas escolas,nas bibliotecas deste meu Brasil?
    Tao mal quanto na ditadura, inventar racismo na obra de um dos maiores lutadores pelo petroleo e brasilidade e` outra malandragem desta ditadura vermelha

  • 31.10.2015 em 12:00 pm
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    Obra escrita por um membro da esquerda armada? queria que fosse liberado/ ahah

  • 30.10.2015 em 5:04 pm
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    Em 64 estudava num internato em Itaocara,interior do Rio de Janeiro e Cassandra era minha escritora preferida.Imagina só que loucura!

  • 29.10.2015 em 5:52 pm
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    Eu só não li o Tessa, A Gata da Cassandra Rios. Gostaria de ler.

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