Quando ler?

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Leitores falam sobre lugares e situações para uma boa leitura

Há quem diga que a leitura tem lugar e hora certa para acontecer. Para estes, ler na biblioteca, nos intervalos do estudo e do trabalho, por exemplo, satisfaz. Mas também há aqueles que acreditam que ler vai muito além de limitações de espaço e tempo: ler é um ato de liberdade. Para estes últimos, ler na piscina, no ônibus em movimento ou em meio à multidão é lugar comum. Para eles, a leitura deve ser feita em qualquer momento e lugar: dos tradicionais aos mais inusitados.

A advogada Denise Bentes, 34 anos, varia seus lugares de leitura e garante que a mudança enriquece até mesmo as histórias que lê. “Leio em qualquer lugar, seja em uma poltrona aconchegante ou em um belo jardim. Os ambientes livres sempre fazem a leitura mais prazerosa”, afirma Denise. “Vai ver que é a quantidade e a qualidade do ar”, brinca a advogada.

A psicóloga Maria Eduarda Bandeira, 31 anos, acha que as rodas de leitura são os lugares mais oportunos para se iniciar a leitura de um livro. “A troca sempre comprova os múltiplos olhares que se pode ter sobre um mesmo livro, exercício que por si só já é prazeroso. Poder ouvir outras versões é sempre enriquecedor. Quase vale pela leitura de um outro livro. Além disso, no clube do livro do qual faço parte, tenho o prazer de contextualizar mais os títulos que leio, desmistificar os clássicos e alguns autores específicos”, afirma a psicóloga que, com a ajuda do grupo, começou a ler Guimarães Rosa. “Eu tinha muita vontade de ler as obras do escritor, mas ainda não tinha me aventurado por saber que sua leitura é mais densa e difícil. Motivada pelo interesse coletivo, comecei pelos contos (a princípio mais simples) e já vou partir para ‘Grande Sertão Veredas’ com muito mais interesse, prazer e sem medos”, revela Maria Eduarda.

Adepta da “leitura em movimento”, a jornalista Mônica Vitória Mendes, 25 anos, gosta mesmo é de ler no ônibus. “Tem muita gente que diz que é difícil se adaptar ao vai e vem do transporte público, mas em minha opinião, não tem coisa melhor do que poder se distrair com um bom livro durante um engarrafamento. Você não se estressa e até esquece que vai demorar a chegar ao seu destino”, argumenta a jornalista. A advogada Denise Bentes concorda. “Leio em todos os horários que posso. Isso inclui quando estou espremida no metrô”.

E quando o interesse e o envolvimento com o livro é grande – daqueles que você não deseja piscar para chegar mais rápido ao seu final, Denise conta que já leu até mesmo andando em uma avenida! “Tem vezes que não consigo largar o livro e leio até mesmo caminhando. Já fiz isso algumas vezes e somente depois de algumas trombadas ou tropeções, me convenci de que era melhor guardar o livro naquele momento”. A jornalista Mônica Vitória é outra leitora que sustenta o hábito de ler livros em pé. “Faço isso, sobretudo, quando estou à espera do ônibus”.

Ficou mais que comprovado que para Denise, Maria Eduarda e Mônica não há lugar nem momento certo para a leitura de um livro. “Falar em momento certo para ler é como falar em momento certo para pensar”, contesta Denise. Ainda que, no geral, prefira lugares tranquilos para a leitura de um livro, Maria Eduarda complementa: “Quando se está absorto na leitura, o lugar não importa tanto. Qualquer lugar torna-se um bom lugar. Já me vi totalmente entretida na leitura mesmo em meio a conversas alheias, música e televisões às alturas”.

E essa liberdade na escolha de quando ler também inclui a idade para se tornar um leitor. “Não existe idade certa para começar a ler. É hora de ler quando se apresenta o desejo, ainda que venha de uma criança que não esteja em idade escolar de alfabetização. Leitura é interesse puro”, afirma Denise. E Maria Eduarda concorda, relembrando um fato curioso de sua infância: “Estava no consultório de uma psicóloga quando me deparei com uma obra sobre interpretação de desenhos infantis. Lembro-me de, na época, me ter feito uma pergunta: ‘isso é possível’, achando a situação incrível e estimulante. O fascínio despertado pelo livro quando ainda era pequena foi muito importante, então, para eu me dedicar à leitura de tantos outros livros de psicologia e me graduar nessa profissão”, finaliza a psicóloga.

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