Dia do Professor – paixão pelo livro em sala de aula

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A comemoração do Dia do Professor tem origem em 1827, com um decreto de D. Pedro I, que a instituiu como uma forma de democratizar a educação no Brasil. Mas somente em 1947, em uma escola de São Paulo, os professores decidiram comemorar a data de fato, realizando uma confraternização com pais e aluno para evitar a estafa de um período letivo muito grande. Eles escolheram o dia 15 de outubro, e desde então essa data foi considerada verdadeiramente o Dia do Professor.

Esses mestres que tanto fazem pela educação enfrentam grandes desafios, em especial os professores de Literatura Brasileira, que têm a missão de ensinar mais de 500 anos de literatura em pouquíssimo tempo e ainda concorrendo com vídeo-games, players de música e outros apetrechos que distanciam os jovens do bom livro.

Para ajudar os professores nesse dia especial, pedimos algumas dicas para Gustavo Bernardo, professor de Teoria da Literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor de diversos ensaios como Educação pelo Argumento (2000) e A dúvida de Flusser (2002); e de muitas ficções, como Pedro Pedra (1985), Lúcia (1999) e A Filha do Escritor (2008).

Para Gustavo, a principal ferramenta para trabalhar  literatura com os jovens é o próprio professor: “É preciso que o professor goste de ler, leia muito e passe claramente seu exemplo para os alunos. O exemplo é mais forte do que qualquer metodologia”. A intenção, nesse caso, é fazer com que os alunos tenham a mesma paixão pela leitura que seu mestre.

Porém, não é apenas o professor de literatura que deve mostrar isso a seus alunos. Segundo Gustavo Bernardo, “todos os professores, de todas as disciplinas, devem ser exemplos de bons leitores, e de leitores de ficção”.

Os pais também têm um papel importante para a formação de seus filhos. “Melhor ainda se o exemplo (da leitura) parte de casa, isto é, se os pais gostam de ler, lêem sempre e falam de suas leituras para os filhos”, afirma o professor.

E se, mesmo assim, os alunos ainda não pegarem o gosto pela leitura?

Nesse caso, é preciso rever alguns conceitos. Para Gustavo, “o professor de literatura deve abandonar a preocupação de enquadrar autores e obras num estilo de época, sob pena de não ensinar literatura mas sim (má) história. O ensino de literatura é o ensino das singularidades, não das regularidades.” Como exemplo, o autor cita Machado de Assis, um escritor engraçado e instigante, mas que acaba se tornando chato se o professor teimar em ensinar isso para o aluno enquadrando-o no realismo. “Machado é machadiano, assim como Shakespeare é shakespeareano”, explica Gustavo Bernardo.

Se a sua paixão pela literatura surgiu do exemplo de algum professor,  faça uma homenagem a ele contando aqui a sua história!

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