Da MPB ao Prêmio Camões: Os 75 anos de Chico Buarque

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Compositor conquistou principal premiação da literatura em Língua Portuguesa do mundo. Conheça seus livros e boa leitura!

A vida de Chico Buarque é feita de superlativos. Na música, lançou quase 80 discos (solos, em parcerias com outros cantores ou compactos), foi indicado quatro vezes ao Grammy Latino e conquistou o troféu uma vez, em 2002, na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira, com Cambaio. Na literatura, o compositor também coleciona prêmios: ganhou três Jabuti e agora, em maio, venceu o Prêmio Camões, principal premiação da literatura em Língua Portuguesa.

Nascido em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro, Chico Buarque é filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pintora Maria Amélia Cesário Alvim. Aos 19 anos, chegou a ingressar no curso de Arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), mas, depois de dois anos, desistiu da faculdade para começar a carreira artística.

No meio musical, ganhou notoriedade após a música A banda, interpretada por Nara Leão, ganhar o Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Dois anos depois, voltou a fazer sucesso no festival, com a canção Roda viva, interpretada por ele e pelo grupo MPB-4. No ano seguinte, venceu a premiação do evento, com a música Sabiá, que compôs ao lado de Tom Jobim.

A felicidade / morava tão vizinha / Que, de tolo / Até pensei que fosse minha.”

Vale destacar ainda as críticas de Chico Buarque durante a ditadura militar brasileira, na década de 1960. Na época, suas músicas Cálice e Apesar de você foram censuradas pelo então presidente Emílio Médici e, em 1969, o compositor exilou-se na Itália. Para driblar a censura, o cantor adotou o pseudônimo de Julinho da Adelaide e continuou suas composições que denunciavam mazelas sociais, culturais, políticas e econômicas do país.

Além da música, Chico Buarque também tem grande atuação na literatura e no teatro. No caso do meio literário, ele ficou consagrado com livros como Budapeste, Leite derramado e Estorvo. Em 2019, conquistou o Prêmio Camões de literatura pelo conjunto da obra. “Ele não era o único nome, mas o Chico Buarque reúne uma universalidade que faltava a outros candidatos. Universalidade de tocar em várias culturas. E isto dava ao Chico um consenso quase natural”, disseram os jurados da premiação.

O cantor publicou obras infantojuvenis, como Chapeuzinho amarelo. Já no teatro, seu maior destaque foi a peça Roda viva, em 1967. Que tal conhecer melhor as obras literárias de Chico Buarque? Para comemorar seus 75 anos, selecionamos os oito principais livros do autor. Confira a lista completa!


Budapeste

Dividido entre duas cidades, duas mulheres, dois livros e dois idiomas, o ghost-writer carioca José Costa vai buscar refúgio em Budapeste e no idioma húngaro. Combinando densidade narrativa com um especial senso de humor, Budapesteconfirma Chico Buarque como um dos grandes romancistas brasileiros da atualidade.


Estorvo

A campainha insiste, o olho mágico altera o rosto atrás da porta e o narrador inicia uma trajetória obsessiva, pela qual depara com situações e personagens estranhamente familiares. Narrado em primeira pessoa, Estorvo se mantém constantemente no limite entre o sonho e a vigília, projeções de um desespero subjetivo e crônica do cotidiano. E o olho mágico que filtra o rosto do visitante misterioso talvez seja a melhor metáfora da visão deformada com que o narrador, e o leitor com ele, seguirá sua odisséia.


O irmão alemão

A partir da memória e da história familiar, Chico Buarque constrói romance sobre a busca obsessiva do autor/narrador por um irmão desconhecido, misturando as fronteiras entre ficção e realidade. A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação.


Ópera do malandro

Ópera do Malandro é uma peça escrita por Chico Buarque de Holanda, em 1978. O livro narra a história de um cafetão de nome Duran, que se passa por um grande comerciante, e sua mulher Vitória, que do nome nada herdou. Vitória era uma cafetina que, na realidade, vivia da comercialização do corpo. A sua filha Teresinha era apaixonada por uma patente superior, Max Overseas, que vive de golpes e conchavos com o chefe de polícia Chaves.


Leite derramado

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos.


Benjamim

Girando em torno da obsessão pela morte de uma mulher, um enigma na vida do protagonista, Benjamim, o segundo romance de Chico Buarque, narra a história de um ex-modelo fotográfico que, como uma câmara invisível, vê o mundo desfilar diante de seus olhos sob uma atmosfera opressiva. Sem conseguir distinguir o que vê fora de si do seu passado, e de si mesmo, Benjamim avança, pouco a pouco, em direção ao destino trágico que sua obsessão lhe reserva.


Chapeuzinho amarelo

Chapeuzinho amarelo traz o traço premiado de Ziraldo. Neste livro infantojuvenil, Chico Buarque retrata a história de uma bela menina que sofre de um mal terrível: sente medo do medo. Enfrentando o desconhecido “o lobo”, ela supera medos, inseguranças e descobre a alegria de viver.


Os saltimbancos

Os saltimbancos querem fazer a “lei da selva” mudar. Voltada ao público infantil, a peça levanta de maneira sutil questões sobre as formas de organização social e a importância da solidariedade e da união.


Qual seu livro favorito de Chico Buarque? Comente e participe!


Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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