Por dentro de Chernobyl

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Baseada em livro e em relatos, série da HBO é sucesso em todas as mídias

Lançada em maio, a série Chernobyl, da HBO, tem dado o que falar nas últimas semanas. Baseados em algumas histórias do livro Vozes de Tchernóbil – A história oral do desastre nuclear, da escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, e em outros relatos, os cinco episódios desmembram os danos catastróficos do pior acidente nuclear da história mundial. Em abril de 1986, na Ucrânia, que fazia parte da então União Soviética, um dos reatores explodiu e provocou uma enorme quantidade de radioatividade na região.

Por segurança, o governo criou uma zona de exclusão em um raio de 30 quilômetros em torno do reator, o que levou, pelo menos, 130 mil pessoas a saírem da cidade. Os moradores foram expostos a altas doses de radiação e até hoje sofrem as consequências do acidente. Por causa dos ventos, as nuvens levaram radiação até mil quilômetros depois do local da usina. Entre os países atingidos estão Suécia, Bélgica, Reino Unido, Turquia e Grécia.

No livro que baseou a série, Svetlana conta como as autoridades soviéticas esconderam a gravidade dos fatos para a população. Com mais de 500 entrevistas, a autora dá voz às vítimas sobreviventes, desde os profissionais que trabalharam durante o acidente, como bombeiros e médicos, até os cidadãos comuns e representantes do governo.

Vozes de Tchernóbil foi lançado inicialmente em 1986. Em entrevista ao jornal El país, a escritora diz que é evidente que a natureza foge do controle do ser humano. “A filosofia de ‘viver na natureza’ transformou-se na filosofia de ‘viver à custa da natureza’, e a natureza se vinga”, afirma a autora, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura. Ela acrescentou ainda que seu nome não foi creditado na série.

Chernobyl ou Game of Thrones?

Elogiada pelo público e pela crítica, Chernobyl tem sido um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Em meio a milhares de comentários, os telespectadores têm feito uma inevitável comparação da série com Game of Thrones, que teve a oitava e última temporada em abril, também pela HBO, e foi criticada negativamente pelos fãs.

Em relação à GoT, os internautas dizem que os episódios, principalmente o último, tiveram problemas de roteiro, personagens mal construídos e decisões sem contexto ao longo da história. Enquanto isso, Chernobyl tem um forte apelo de documentário e conquistou o público pelo roteiro realista. E para você? Qual das duas é a melhor série?

Aprofunde-se no assunto e conheça alguns livros sobre o acidente nuclear de Chernobyl. Aproveite também para ver obras da escritora Svetlana Aleksiévitch. Boa leitura!


Chernobyl – Ameaça nuclear, de Roberto Pereira de Andrade

Chernobyl – ameaça nuclear, de Roberto Pereira de Andrade, desmembra os detalhes do acidente nuclear. É um livro raro, que você só encontra no site da Estante Virtual.


Bonecos de neve e Chernobyl, de Kezio Tokuriki

Publicado inicialmente em abril de 1986, o livro reúne a história de 25 crianças e adolescentes que sofreram com a radiação do acidente nuclear. Os depoimentos foram retirados da obra Rastro do vento negro. Esta segunda edição tem o objetivo de mostrar uma realidade sob ótica das crianças que viveram e ainda moram na região contaminada.


O fim do homem soviético, de Svetlana Aleksiévitch

Neste livro, Svetlana analisa o fim da União Soviética. O povo russo assistiu com espanto à queda do Império Soviético. A política de abertura do governo Gorbatchóv impôs uma mudança drástica da estrutura social, do cotidiano e, sobretudo, da direção ideológica da população. A autora examina a vida das pessoas afetadas por essa transformação. Em cada personagem está um pouco da história russa — a mãe cuja filha morreu em um atentado; a antiga funcionária do Partido Comunista que coleciona carteiras abandonadas de ex-filiados; o velho militante que passou dez anos em um campo de trabalhos forçados.


A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Aleksiévitch

A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada.


As últimas testemunhas

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha nazi invadiu a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão celebrado entre as duas nações e dando início ao que ficaria conhecido do lado russo como a Grande Guerra Patriótica. No final do conflito, em 1945, tinham morrido cerca de três milhões de crianças e, só na Bielorrússia, vinte e sete mil viviam em orfanatos. Os relatos destes órfãos foram recolhidos, passados mais de quarenta anos, por Svetlana Alexievich.


Você já assistiu à série? Comente e participe!

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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