O protagonismo de Paulo Leminski na poesia

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Representante da Poesia Marginal, o escritor morreu em 7 de junho de 1989. Conheça alguns de seus principais livros!

Nascido em 24 de agosto de 1944, em Curitiba, o escritor Paulo Leminski é um dos principais nomes da poesia brasileira. Sua produção literária começou ainda na infância, quando inventou um jeito próprio de escrever poemas, brincando com trocadilhos e ditados populares. Aos 14 anos, participou de um congresso de poesias de vanguarda, em Belo Horizonte.

Ficou dez anos casado com a artista plástica Neiva Maria de Sousa e, em 1964, publicou cinco poemas na revista Invenção. Em 1968, casou-se com a poeta Alice Ruiz, com quem viveu durante 20 anos e teve três filhos. Entre 1969 e 1970, Leminski mudou-se para o Rio de Janeiro, mas retornou no ano seguinte a Curitiba para trabalhar como redator publicitário.

Poesia Marginal

Conhecido pela coloquialidade, irreverência e concisão, Leminski foi um dos representantes da Poesia Marginal, também denominada de Geração Mimeógrafo. O nome do movimento remete ao fato de os poetas usarem mimeógrafos para produzir seus textos e livros. Considerado alternativo, este método substituía meios tradicionais de produção de obras literárias.

Haja hoje para tanto ontem”.

Além da produção artesanal, o grupo vendia as obras com baixo custo apenas para frequentadores de eventos relacionados à cultura marginal. Assim como Leminski, outros artistas da literatura e da música participavam do movimento, como Torquato Neto, José Agripino de Paula e Chacal.

Apaixonado pela cultura japonesa, Leminski era ainda mestre do haikai – poema curto de três versos. Que tal conhecer alguns dos principais livros do autor? Confira a nossa seleção completa e boa leitura!


Toda poesia

Paulo Leminski foi corajoso o bastante para se equilibrar entre duas enormes construções que rivalizavam na década de 1970, quando publicava seus primeiros versos: a poesia concreta, de feição mais erudita e superinformada, e a lírica que florescia entre os jovens de vinte e poucos anos da chamada “geração mimeógrafo”. Este livro percorre, pela primeira vez, a trajetória poética completa do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia.


Guerra dentro da gente

Guerra dentro da gente conta a história de Baita, um menino pobre e filho de lenhadores. Um dia ele encontra um velho, que se oferece para ensinar-lhe a arte da guerra. Entusiasmado e sem saber o que o aguarda, o menino resolve acompanhá-lo em uma viagem, que o ajudará a compreender melhor a vida e descobrir o que há no coração do homem.


Agora é que são elas

Nesta obra, Leminski mostra a vida de um personagem sem nome, narrador-malandro que queria ser médico, mas virou astrônomo, e que tem um caso com Norma, filha de seu analista Vladimir Propp. As normas propostas pelo personagem norteiam ou confundem a vida e as ações dos outros envolvidos na história.


Catatau

O Catatau é um texto de vanguarda que trata de assuntos afeitos aos séculos 16 e 17. Nele, o autor emprega recursos como neologismos, aforismos, filosofemas e trocadilhos nonsense, parodiando clássicos portugueses.


Vida

Reunidas em volume único, quatro biografias arrebatadoras, originais e cheias de estilo, escritas ao longo da década de 1980 pelo mais pop dos poetas brasileiros. Sob o olhar poético e apaixonado de um mesmo admirador, essas quatro trajetórias aparentemente desconexas ganham novas dimensões, criam elos e se complementam, em comunicação permanente com a vida e a obra de seu biógrafo.


Ensaios e anseios crípticos

A maior parte dos ensaios deste livro foi publicada em dois volumes pela Criar Edições, em 1986 e 2001. O primeiro conjunto reúne textos em que Leminski dizia ter reunido as noções teóricas básicas a partir das quais pensava. O segundo, os textos práticos, isto é, voltados à análise de obras e de autores. Os textos estão dispostos na ordem que Leminski estabeleceu, focando obras de Brecht, Rimbaud, Haroldo de Campos, Sartre, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Dante, Whitmann, Fante, Jarry, Ferlinghetti, John Lennon, Mishima, Becket, Joyce e Petrônio.


Melhores poemas

Pertencendo a uma geração de insatisfeitos e irreverentes, Leminski levou a insatisfação e a irreverência àquele ponto extremo para o qual só há uma saída: renovar ou se retirar. Renovou. Em sua poesia também convivem muitos contrastes e inquietações, ideais libertários e de contracultura, possivelmente os contrastes, ideais e inquietações de sua geração, o que explica a intensa receptividade popular de sua poesia. Os poemas de Leminski nascem de suas vivências de beatnik caboclo, extraídos ainda palpitantes da árvore verde da vida, e, como observou Leyla Perrone Moisés, parecem tão simples que é quase um desaforo.


O bicho alfabeto

O bicho alfabeto tem vinte e três patas, ou quase. Por onde ele passa, nascem palavras e frases. Só que quando ele encontra o Paulo Leminski, das palavras nascem versos e poemas, que falam sobre o mar, o vento, a chuva, uma estrela, uma pedra, um cachorro, um sapo, uma formiga. Coisas que todo mundo conhece do dia a dia, mas que podem se transformar em outras quando entram na poesia do Leminski.


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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