O destaque de Thomas Mann na literatura alemã

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Nascido em 6 de junho de 1875, o escritor alemão exilou-se na Suíça e nos Estados Unidos quando Adolf Hitler tomou o poder

Um dos principais romancistas do século XX, Thomas Mann nasceu em 6 de junho de 1875, na cidade de Lubeck, ainda no Império Alemão. Escreveu seu primeiro texto para uma revista local aos 17 anos, logo após a morte do pai, que era um conhecido político e comerciante da região. No mesmo período, apaixonou-se por Wilri Timppe, filho de um de seus professores – o rapaz depois inspirou um dos personagens do livro A montanha mágica.

Aos 19 anos, mudou-se com a mãe para a cidade de Murique, no sul da Alemanha, onde a brasileira tornou-se uma produtora de saraus literários e programações culturais. Um ano depois, Mann decidiu ser escritor, também influenciado por seu irmão mais velho. Acompanhou o romancista em passeios por Roma, na Itália, e começou a rascunhar uma de suas principais obras, Os Buddenbrook, que fez sucesso a partir de 1901.

A glória em vida é algo problemático: é aconselhável não se deixar deslumbrar por ela, muito menos estimular.”

Em 1905, Mann casou-se com Katia Pringsheim, filha de uma família rica judia, com quem teve seis filhos. Durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1912 e 1924, ele produziu o livro A montanha mágica. O auge da carreira do escritor ocorreu cinco anos depois, quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo seu primeiro romance.

Os trabalhos literários de Mann, como ensaios, romances e contos, eram marcados pelo teor analítico. Nas histórias, o autor aborda temas comuns ao seu tempo e analisa o estilo de vida europeu do século XX.

Cenário político da Alemanha

Ao relembrar a trajetória de Mann, é necessário destacar seu posicionamento na Alemanha nazista. Em 1933, foi exilado do país e foi para Suíça, no momento em que Adolf Hitler tomou o poder. Três anos depois, perdeu a cidadania alemã e foi para os Estados Unidos, onde conseguiu a cidadania americana em 1944.

Com atuação política de destaque, no pós-guerra teve o nome cogitado por Franklin Roosevelt para assumir o governo alemão. Em 1952, voltou para a Suíça e morou no país até a morte, no dia 12 de agosto de 1955, aos 80 anos.

Para homenagear Thomas Mann, selecionamos alguns de seus principais livros. Veja a lista e boa leitura!


A montanha mágica

Neste clássico da literatura alemã, Thomas Mann renova a tradição do Bildungsroman – o romance de formação – a partir da trajetória do jovem engenheiro Hans Castorp. Durante uma inesperada estadia em um sanatório para tuberculosos, Hans relaciona-se com uma miríade de personagens enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes testamentos literários do século xx e uma das obras inesgotáveis da ficção ocidental.


O eleito

Narrado por um monge irlandês, o romance acompanha a vida de Gregor, lançado ao mar num cesto, ainda bebê, por ser o fruto pecaminoso de um casal de irmãos nobres. Ele sobrevive milagrosamente e é criado numa ilha por pescadores e um monge. Já adulto, o destino fará com que ele reencontre a mãe, agora rainha, e repita o pecado do incesto, pois ambos ignoravam seus laços de sangue.


Doutor Fausto

Este foi o último grande romance de Thomas Mann. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio – uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.


Os Buddenbrook

Primeiro romance de Thomas Mann, publicado em 1901, este livro monumental acompanha a saga dos Buddenbrook, uma família de comerciantes abastada do norte da Alemanha. Quatro gerações são retratadas na crônica familiar inspirada na linhagem do próprio escritor e situada numa cidade com todas as características de Lübeck, a terra natal dos Mann. Com personagens vívidos, diálogos brilhantes e elevada riqueza de detalhes, o autor lança um olhar preciso sobre a vida da burguesia alemã – entre nascimentos e funerais; casamentos e separações; desentendimentos e rivalidades; sucessos e fracassos.


A morte em Veneza

Este livro traz duas novelas magistrais de Thomas Mann. A morte em Veneza (1912) é um dos principais textos da moderna literatura ocidental. A história do escritor Gustav von Aschenbach, que viaja a Veneza para descansar e lá se vê hipnotizado pela beleza do jovem polonês Tadzio, mais tarde daria origem ao notável filme homônimo do diretor italiano Luchino Visconti, de 1971.


As confissões de Felix Krull

Recém-chegado à idade adulta, o jovem aristocrata Felix Krull se vê numa situação lamentável depois que o pai leva a família à falência, como resultado de uma má gestão dos negócios, e tira a própria vida. Mas ele não se dará por vencido e fará de tudo para reerguer-se, custe o que custar. Sedutor, belo e hábil na arte da trapaça, ele conhecerá um marquês que lhe propõe assumir sua identidade.


Sua alteza real

Sua alteza real dá continuação ao estilo ao mesmo tempo simbólico e realista de Thomas Mann, agora impregnado de uma preocupação dominante entre os intelectuais da época- podem os valores da elite, nem sempre práticos e objetivos. Muitas vezes são marcados por forte dose de sonho e imaginação (que fazem destoar da norma os grandes personagens do autor, sobretudo os artistas).


Qual seu livro favorito de Thomas Mann? Comente e participe! 🙂


Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
Gabriela Mattos
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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