[Resenha] “Descansar do mundo” explora fatos do cotidiano com leveza

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Em seu segundo livro de crônicas, a escritora Marina Cardoso reverencia a cidade de São Paulo

Com textos curtos e intensos, as crônicas nos fazem sentir o dia a dia de uma cidade, de um estado e até de outro país. Em Descansar do mundo, Marina Bueno Cardoso transporta os leitores para São Paulo e explora as misérias, as ironias, os sonhos dos moradores e os encantos da região.

Mesmo quando não é protagonista da história, a cidade sempre aparece como pano de fundo nas crônicas da coletânea. Em meio a 43 textos narrados em primeira pessoa, Marina narra, com leveza, lembranças densas, como a morte da própria mãe. “O dia faz sol, está lindo, mas é de inverno. Um belo dia para me despedir, deixando rastros de amor e gratidão”, diz um dos trechos.

O livro também reúne casos curiosos, como a vez que a escritora foi atropelada por um motorista de Uber. Ele ajudou a chamar o Samu e deu toda a assistência durante e pós-acidente. Mesmo com a orientação policial de fazer a ocorrência contra o homem, Marina decidiu dar uma chance para ele e o chamou para levá-la a uma oficina que ela ministraria em São Paulo.

“Fomos conversando no percurso. Ele é filho de uma família de 12 irmãos, perdeu a sua mãe cedo e o pai, de 80 anos, teve um AVC, mas se recuperou. (…). Ao chegar em casa, não resisti: dei um dinheiro para o Edson comprar uma caixa de chocolates bem caprichada para o pai dele”, conta Marina.

Com orelha escrita por João Anzanello Carrascoza e a contracapa por Ruy Castro, Descansar do mundo é um livro ideal para quem gosta de conhecer os detalhes da cidade, como se estivesse nos bastidores dos pequenos acontecimentos do dia a dia.

Sobre a autora

Nascida em São Paulo, Marina Bueno Cardoso trabalhou na área editorial e de comunicação corporativa. Por dois anos, entre 1993 e 1995, escreveu crônicas para o Jornal da tarde. Com seu primeiro livro, Petit-fours na Cracolândia, conquistou o Prêmio Paulo Setúbal pela crônica que deu o título à obra.

Em 2017, Marina conquistou ainda o prêmio da Academia de Letras de São João da Boa Vista, com o texto Entre perucas e solidéus. Durante cinco anos, foi professora nas oficinas de literatura na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Lourenço Castanho e, atualmente, lidera a Oficina de Crônicas Coisas da vida, em unidades do Sesc de São Paulo.

Veja livros que você pode gostar também:


Crônicas para ler na escola, de Ruy Castro

Ruy Castro é um dos autores de maior prestígio na literatura brasileira. Crônicas para ler na escola é uma seleção indispensável na prateleira de qualquer estudante que esteja aprendendo a se tornar um leitor. Com um texto elegante, o cronista e romancista Ruy Castro domina como poucos a arte de escrever. Ao longo de anos trabalhando em redações de jornais, incorporou um estilo jovial e sardônico, que se reflete nos seus livros sobre personalidades da história e da cultura do país. Esta obra apresenta uma pequena seleção de seu vasto repertório, que em nada se repete ou omite. São crônicas sarcásticas, bem-humoradas e críticas, que apresentam um autor opinativo, inteligente e cujo texto foge de qualquer obviedade.


Ironias do tempo, de Luis Fernando Verissimo

Nas voltas e reviravoltas da vida, lá estão elas, as ironias do tempo, o tema da nova antologia de crônicas de Luis Fernando Verissimo. Faz tempo que o autor registra em suas crônicas nos jornais toda a poesia, graça e lógica dos principais eventos do Brasil e do mundo. Pensamentos, desastres, sentimentos, escândalos, está tudo ali, acontecendo em tempo real diante dos nossos olhos. Adriana e Isabel Falcão se debruçaram sobre pilhas e mais pilhas de textos produzidos nos últimos vinte anos para montar esta antologia. O resultado é uma curiosa jornada pelo tempo.


Trinta e poucos, de Antonio Prata

Antonio Prata é um dos principais cronistas brasileiros. Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade. Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo.


200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga

200 crônicas escolhidas reúne os melhores textos de Rubem Braga, publicados entre 1935 e 1977. Com base na seleção original do escritor Fernando Sabino, a seleção das crônicas foi feita pelo próprio autor. As histórias abordam assuntos do dia a dia, além de fatos da rotina, da infância, dos amores e da adolescência de Rubem Braga. 


Trinta e oito e meio, de Maria Ribeiro

Com humor, as crônicas de Maria Ribeiro são reflexões e desabafos que mostram os bastidores dos sentimentos da autora. Em Trinta e oito e meio, a atriz revela seu interesse pelas histórias dos outros e reúne textos que escreveu nos últimos anos. A obra recebeu ainda ilustrações de Rita Wainer, que criam um guia de viagem pela vida da artista. 


As cem melhores crônicas brasileiras, de Joaquim Ferreira dos Santos

Esse é o livro ideal para quem quer conhecer as melhores crônicas brasileiras. A obra reúne 100 textos de 62 autores que marcaram esse gênero literário. Como define o curador Joaquim Ferreira dos Santos, a crônica é uma fina iguaria com direito à eternidade no paladar do leitor. O título reúne textos de diversos escritores renomados, como Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, João do Rio e Nelson Rodrigues. 


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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