Autores para ler no Dia Internacional contra a Homofobia

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Objetivo da data é discutir o preconceito contra diferentes orientações sexuais e reforçar a importância da criminalização da homofobia

Com o objetivo de debater o preconceito contra diferentes orientações sexuais, o Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia é celebrado em 17 de maio. Criada em 1990, a data relembra o momento em que a homossexualidade foi retirada da classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a data foi incluída no calendário oficial apenas em 2010.

Os dados de homofobia no mundo são alarmantes. Segundo o estudo Homofobia patrocinada pelo estado, da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (ILGA), 70 países consideram relações homossexuais como crime. Em seis deles, a lei prevê ainda pena de morte.

Por outro lado, de acordo com o levantamento, 26 países legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo, sendo que quatro deles (Austrália, Áustria, Alemanha e Malta) aprovaram a partir de 2017. Em nove lugares, como Portugal e Equador, a Constituição diz que a orientação sexual não deve ser motivo discriminatório e, com isso, cria um espaço para criação de políticas públicas em relação ao assunto.

Para marcar o Dia Internacional contra a Homofobia, que tal conhecer mais o tema? Veja a nossa lista de livros e boa leitura!


O quarto de Giovanni, de James Baldwin

A lista não poderia começar diferente: O quarto de Giovanni é um dos principais clássicos modernos da literatura mundial. Com toques autobiográficos, este livro de James Baldwin trata de uma relação bissexual ao acompanhar David, um jovem americano em Paris à espera de sua namorada, Hella, que está na Espanha. Enquanto ela analisa se deve ou não casar-se com David, o jovem conhece Giovanni, um garçom italiano por quem se apaixona.


As coisas, de Tobias Carvalho

Este livro venceu o Prêmio Sesc de Literatura 2018, na categoria Contos. Sensível e implacável por trás de uma escrita limpa e simples, As coisas traz uma costura de vivências humanas sob a ótica de um jovem homossexual. O personagem constante dessas histórias trabalha, viaja, estuda, cruza ruas de metrópoles agitadas, passa horas em aplicativos de encontros sexuais. Não há maquiagens para a solidão, nem disfarce para o sexo.


Antes que anoiteça, de Reinaldo Arena

O escritor Reinaldo Arena deixou este impressionante relato autobiográfico que havia concluído poucos dias antes de morrer. Arenas reunia três condições essenciais para se tornar uma vítima do regime de Fidel Castro: era escritor, homossexual e dissidente. O testemunho do autor é violento, mas, ao mesmo tempo, de extrema sensibilidade. Esta obra foi adaptada para o cinema por Julian Schnabel, com Javier Bardem no papel do protagonista.


Nicotina zero, de Alexandre Rabelo

Esta noite, o DJ está de folga. Não fará os corpos despejarem de prazer pelos toques mágicos de seus dedos. Esta noite, não será um deus. Não consegue sequer imaginar uma boa trilha sonora para embalar sua caminhada noturna pelo centro de uma São Paulo. Decide então que esta noite não haverá nem mesmo sexo. Sente que precisa sobreviver a seus 27 anos, idade crítica dos astros suicidas. Talvez esteja na hora de parar de fumar, ao menos para distrair-se de si mesmo. Ter uma boa causa, algo que faça contrair novamente uns músculos para além da euforia da juventude. Num beco, longe de todas as ilusões de neon, encontra um rapaz de preto, que só pode ser o diabo. Mas o diabo existe?


Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan

Esta obra é fundamental para o estudo da homossexualidade no Brasil. Publicado originalmente em 1986, Devassos no paraíso abrange as grandes mudanças ocorridas no Brasil nesse período, fruto, principalmente da disseminação da Aids. João Silvério Trevisan investiga a atuação no Brasil, aborda a formação dos conceitos de pecado e desvio de conduta em relação à homossexualidade e analisa os esforços de políticos, autoridades policiais, juízes, higienistas e psiquiatras para entender e tentar conter a pederastia nos séculos XIX e XX.


Oito do sete, de Cristina Judar

Não por acaso o dia é oito, número do infinito. Não por acaso o mês é julho, o sétimo do ano. Não por acaso vamos nos inteirando da trama pelos fragmentos narrados por quatro vozes distintas: duas amantes (Magda e Glória), um anjo (Serafim) e uma cidade (Roma). Não por acaso Magda e Glória se entregam a uma relação hétero com Rick e Jonas. Nem por acaso elas se veem como cisternas e os homens como torres. E, não por acaso, aqui os homens são embarcações; as mulheres, terra para que se afundem. Também não por acaso, neste livro, o sentimento é mar; a emoção é onda. Uma obra estruturalmente engenhosa, de alta voltagem lírica e primoroso labor com a linguagem.


O que você achou da lista? Comente e participe! 🙂


Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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