Samuel Beckett e a revolução no teatro

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Nascido em 13 de abril de 1906, escritor foi o precursor do movimento artístico chamado Teatro do Absurdo. Conheça alguns de seus livros!

Conhecido por seu estilo minimalista e por fazer críticas à modernidade, o escritor Samuel Beckett é um dos principais nomes da dramaturgia do século XX e revolucionou o mundo do teatro. Ele foi o precursor do movimento artístico-cultural chamado Teatro do Absurdo, na década de 1950, o qual mesclava o trágico e o cômico, com assuntos absurdos e fora da realidade nas peças, além de personagens com comportamentos estranhos.

Nascido em 13 de abril de 1906, em Foxrock, na Irlanda, formou-se em Literatura Moderna, no Trinity College de Dublin. Em seguida, aos 22 anos, mudou-se para a França, onde deu aulas de inglês na Escola Normal Superior de Paris. Foi neste período, sob influências de seu amigo James Joyce, que Beckett começou sua carreira como escritor.

Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem.”

O autor retornou ao país-natal pelo menos duas vezes, uma delas por causa da morte de seu pai, mas depois fixou-se de vez em Paris. Beckett também teve participação no ambiente político da França. Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, vinculou-se à resistência francesa ao lado de sua esposa e, no ano seguinte, ele e a mulher foram obrigados a fugir do país.

Legado na literatura

Assim como no teatro, Beckett deixou um extenso legado para o meio literário, seja com ensaios ou romances. Influenciado pelo escritor James Joyce, ele é considerado um dos últimos autores modernistas. Suas obras são marcadas por críticas à sociedade, riqueza de metáforas e visão pessimista. Em 1969, conquistou o Prêmio Nobel de Literatura.

Aos 89 anos, Samuel Beckett morreu após lutar durante três anos contra um enfisema pulmonar. Para homenagear o autor, selecionamos alguns de seus livros de destaque. Confira a nossa lista completa e escolha sua próxima leitura!


Esperando Godot

Expoente do Teatro do Absurdo, escrita em 1949 e levada aos palcos pela primeira vez em 1953, Esperando Godot é uma tragicomédia em dois atos que segue desafiando público e crítica. Na trama, duas figuras clownescas, Vladimir e Estragon, esperam por um sujeito que talvez se chame Godot. Sua chegada, que parece iminente, é constantemente adiada. Em um cenário esquálido – uma estrada onde se vê uma árvore e uma pedra -, Beckett revoluciona a narrativa e o teatro do século XX.


Molloy

Molloy divide-se em duas seções. Na primeira, é o próprio Molloy, o ‘narrador-narrado’, quem fala; na segunda, é Moran, homem encarregado de vigiá-lo. A história que os dois tentam registrar é a das idas e vindas de Molloy, num vai-e-vem que alterna lugares abertos e fechados, a partir do apartamento de sua mãe – e que mimetiza os impasses das frases curtas e da própria linguagem. O livro caracteriza-se pelas ações dramáticas que apresenta, incluindo um caso de amor e um de morte.


Malone morre

Este livro foi escrito em Paris, em pleno pós-guerra. Desde então, é considerado pela crítica como um dos principais romances do século XX. Nesta obra densa, Beckett leva. suas experimentações formais a um nível de radicalidade máximo.


Fim de partida

Escrita na atmosfera do pós-guerra, a obra traz para o centro da cena histórica o modernismo tardio de Samuel Beckett. Repetindo a estrutura dramática de Esperando Godot, os dois protagonistas, Hamm e Clov, encontram-se reclusos num abrigo, sofrendo com a escassez de alimentos e remédios. Fim de partida é um ensaio sobre o enigma de nossa condição, segundo Beckett, desumana.


Murphy

A narrativa acompanha a vida do anti-herói Murphy e sua companheira, a prostituta Celia. Uma trupe de amigos irlandeses os segue até Londres. Celia quer casar-se com Murphy e o convence a procurar trabalho. Num sanatório, o protagonista emprega-se como enfermeiro e descobre no cotidiano dos doentes uma vida mais atraente que a de fora.


Dias felizes

Ao lado de Esperando Godot (1952) e Fim de partida (1957), Dias felizes completa o trio de peças que consagrou Samuel Beckett como um dos principais renovadores da dramaturgia do século XX. Em cena, Winnie, uma mulher de meia-idade enterrada em uma colina e debaixo de sol a pino, busca agarrar-se às poucas coisas que estão ao seu alcance, os objetos de uma bolsa. Ao redor, uma paisagem inóspita e o marido indiferente – Willie.


O inominável

Escrito em 1949, este é o último romance da ‘trilogia do pós-guerra’ beckettiana, formada ainda por Molloy (1947) e Malone (1948). Neste caso, um denso pesadelo de meio século, começando pela noite escura da Primeira Guerra, passando pela Grande Depressão e o nazifascismo, para atingir seu auge na noite ainda mais negra da Segunda Guerra. A verdadeira “ação”, em todo caso, está aqui na própria linguagem – ainda que se trate de fazê-la comunicar a incomunicabilidade moderna.


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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