Conheça 11 mulheres escritoras que inspiram as nossas leitoras

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Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, as nossas internautas contaram quem são suas escritoras favoritas. Veja a lista completa!

Diferentemente de outras datas, o Dia Internacional da Mulher não foi criado pelo comércio. Com origem na fábrica e oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) no século 20, o 8 de março tem o objetivo de relembrar a luta das mulheres pela igualdade de gênero e melhores condições de trabalho.

A data tem ainda uma relação com a história. Em 26 de fevereiro de 1909, pelo menos 15 mil operárias marcharam nas ruas de Nova York, nos Estados Unidos, em protesto contra as más condições nas fábricas – a jornada de trabalho chegava a 16h por dia. No ano seguinte, houve um grande movimento feminista também na Europa. Mas o principal marco ocorreu em 8 de março de 1917, quando um grupo de operárias fez uma passeata contra a fome e a Primeira Guerra Mundial.

Apesar de ter conquistado muitos direitos ao longo das décadas, as mulheres ainda precisam resistir e se manifestar contra preconceitos, diferenças salariais e assédios (em casa, nas empresas e nas ruas). Para homenagear o Dia Internacional das Mulheres, perguntamos às nossas leitoras, nas redes sociais, quais escritoras inspiram suas vidas.

A lista reúne 11 escritoras para todos os gêneros literários, como as consagradas Jane Austen, Simone de Beauvoir, Chimamanda Ngozi Adichie e Hilda Hilst. Veja a lista completa e boa leitura!


A ilha sob o mar, de Isabel Allende

O romance narra a vida de Zarité, a escrava que foi vendida aos nove anos de idade para o francês Toulouse Valmorain, dono de uma das maiores plantações de cana-de-açúcar nas Antilhas. Como escrava doméstica, ela não padeceu as dores e as humilhações de seus iguais, mas conheceu as misérias de seus patrões, os brancos. Desde o começo o leitor sente a tensão frente à realidade da ilha e a severidade com que Zarité é obrigada a conviver.


Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector

A amoralidade diante da maldade. O instinto na condução da trama, com uma certa dose de automartírio. A narrativa inovadora (ainda hoje) provocou frisson nos círculos literários. A técnica de Clarice Lispector funde subjetividade com objetividade, alterna os focos literários e o tempo cronológico dá lugar ao psicológico (o presente entremeado ao intermitente flashback ). A prosa leve discorre com fluência e fluidez nos meandros da protagonista, na sua visão de mundo e interação com os demais personagens.


No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie

Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Chimamanda Ngozi Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos 12 contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro, ela parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.


A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir

Outra autora citada por nossas leitoras é Simone de Beauvoir. Esta obra contém contos curtos que procuram expressar a fragilidade da mulher moderna – do envelhecimento até a solidão, culminando na indiferença do ser amado. As histórias deste livro buscam mostrar uma visão compassiva e lúcida sobre as desigualdades e complexidades da vida.


Da prosa, de Hilda Hilst

Da prosa reúne pela primeira vez toda a ficção de uma das vozes mais originais da literatura brasileira, homenageada na Flip 2018. A cada página, o leitor pode notar como a escrita de Hilda, que nos anos 1990 daria “adeus à literatura séria” para se dedicar a sua trilogia erótica, se mantém profundamente autêntica, transgressora e, sobretudo, atual. Em caixa com dois volumes, esta edição inclui textos inéditos de Daniel Galera e Carola Saavedra, dois aclamados escritores da nova geração, leitores e admiradores de Hilda, e de Alcir Pécora, que organizou a obra da escritora nos anos 2000 para a editora Globo.


Senhora dona do baile, de Zélia Gattai

Relato dos anos de exílio que Zélia Gattai e Jorge Amado passaram na Europa, Senhora dona do baile nos oferece é um vigoroso retrato do pós-guerra. A Guerra Fria racha o mundo ao meio, transformando as diferenças intelectuais e políticas em graves inimizades. São anos tensos, que Zélia fisga com agilidade incomum. Publicado originalmente em 1984, o livro tem início em 1948, quando Zélia e o filho, João Jorge, então com quatro meses, embarcam rumo à Europa para se juntar a Jorge Amado, obrigado a fugir às pressas do Brasil depois de ter seu mandato de deputado federal cassado. Zélia adota, aqui, o papel que mais lhe agrada: o de discreta, mas meticulosa, observadora do real.


Mulheres, cultura e política, de Angela Davis

Nessa compilação de discursos e artigos, a ativista política Angela Davis apresenta um balanço de sua luta por uma mudança social progressista. Dividida em três eixos temáticos, “Sobre as mulheres e a busca por igualdade e paz”, “Sobre questões internacionais” e “Sobre educação e cultura”, a obra aborda as mudanças políticas e sociais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas em relação à igualdade racial, sexual e econômica.


Perdas e ganhos, de Lya Luft

Lya Luft é uma mulher de seu tempo, e sobre ele dá seu testemunho em tudo o que escreve, especialmente neste livro. Uma mulher madura que já experimentou perdas e ganhos, mas mantém o otimismo, ama a vida, se diz “um bicho de sua casa” — embora pouco doméstica, considera sua família o centro da vida, e a vida mais importante do que a literatura. A poeta convida o leitor para refletir ao seu lado, indagar, contemplar e admirar o mundo.


Persuasão, de Jane Austen

Este é o último romance escrito pela consagrada autora inglesa Jane Austen. Anne Elliot, filha de um vaidoso e esnobe baronete, apaixona-se por Frederick Wentworth, um jovem ambicioso e inteligente, mas sem conexões familiares importantes. Obedecendo à recomendação da sua família, Anne sacrifica então seu grande amor por conveniências sociais, e, ao fazê-lo, fecha-se para novos relacionamentos, recusando inclusive uma proposta de casamento.


O olho da rua, de Eliane Brum

Esse livro traz dez reportagens – cinco delas urbanas, quatro na Amazônia e uma sobre a geografia íntima da autora. O percurso começa por um nascimento nos confins da Amazônia, pelas mãos de parteiras da floresta, e se encerra com uma morte em São Paulo, quando Eliane testemunha os últimos 115 dias de vida de uma merendeira de escola.


Quem tem medo do feminismo negro?, de Djamila Ribeiro

Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. 


Qual livro você incluiria na lista? Comente e participe 🙂


Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
Gabriela Mattos
Comentários

Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

2 comentários em “Conheça 11 mulheres escritoras que inspiram as nossas leitoras

  • 11.03.2019 a 5:09 am
    Permalink

    aaa amei o post, com certeza vários ai entraram na minha wishlist

  • 09.03.2019 a 5:28 pm
    Permalink

    Emily Bronte é a minha escritora favorita. A sua obra-prima é um primor de retrato realista da sociedade rural inglesa e prodigiosamente, ao mesmo tempo, a obra máxima de um romantismo desesperado, raivoso, autocentrado na paixão como finalidade em si mesma, como um redemoinho que devora vidas e consciências. A maior história de amor já contada, escrita por uma jovem pobre, sem horizontes, mas quanta vida interior pulsando nas veias, com o fogo da imaginação feminina.

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