Política e parcerias na Flip 2018

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Em ano de eleição, pré-candidatos e ministros tem participação ativa em casas paralelas da Festa Literária Internacional de Paraty.

Paraty recebeu uma Flip bastante atípica neste ano. Em uma caminhada pelas ruas de pedras e casas históricas era possível cruzar com figuras como o ministro do STF Luís Roberto Barroso ou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) e o vereador e pré-candidato Tarcísio Motta (PSOL). Enquanto isso, em um barco pirata de editoras independentes a líder e também pré-candidata a vice presidência, Sônia Guajajara, defendia o lugar de fala e ocupação dos espaços públicos pela população indígena. “Queremos ser representados por nós mesmos”, argumentava.

Além da parte política, a 16ª edição foi tida como a mais artística de todas. “Integrar todas as artes com a literatura foi uma variação muito bacana”, apontou Mauro Munhoz, diretor da Casa Azul, organização social responsável pela Flip. A Festa Literária conseguiu, em 2018, lotar a primeira noite de abertura com performance de Fernandona, evocando Hilda Hilst (1930-2004) em uma celebração a todas as mulheres.

Emocionada, a atriz foi aplaudida de pé dentro e fora da Tenda dos Autores. Nas praças e próximo ao mar saraus e batalhas de slam convidavam o público a vivenciar a poesia em sua oralidade, com grupos como Slam das Minas e o Corujão da Poesia trazendo sons e sotaques de todo Brasil.

Mais vendidos

Na livraria oficial da festa, o livro mais vendido durante o evento foi “Júbilo, memória, noviciado e paixão” (Companhia das Letras), de Hilda Hilst. Em segundo lugar na lista de best-sellers ficou “O que é lugar de fala?” (Letramento), de Djamila Ribeiro, seguido de “Quem tem medo do feminismo negro?” (Companhia das Letras) da mesma autora – destaque em mesas oficiais e paralelas da programação.

No site da Estante Virtual, a procura pelos livros de Hilda Hilst aumentou em 40%, comparado com o mesmo período no ano anterior. Disparado na frente como o mais vendido está o título “A Obscena Senhora D” (esgotado em livrarias tradicionais), seguido por “Cartas de um Sedutor“, “Do Desejo” e “Da Poesia“.

A Obscena Senhora D

De fora para dentro

As casas paralelas deste ano ganharam o protagonismo que merecem. Ao triplicar de tamanho em relação ao ano anterior, elas entraram no mapa do programa oficial com programação forte e direito a polêmicas. O ex-curador do Prêmio Jabuti José Luiz Goldfarb foi acusado de racismo contra Sara Cristina Trajano da Silva, funcionária da editora Patuá. Goldfarb negou. A Flip, por sua vez, divulgou uma nota oficial de repúdio em relação ao fato.

Foram mais de 20 casas paralelas oficiais e não oficiais, em terra e no mar. Entre elas a inédita Casa Philos, que em parceria com a Estante Virtual e a editora Kazuá ocuparam a Academia do Samba, próximo a Igreja Santa Rita de Cássia, oferecendo uma programação diversa e às margens.

Slam das minas na Casa Philos

Números e legado

Segundo os organizadores, 90% dos assentos da Tenda do Autores foram ocupados, com 6.820 pessoas passando por ali e 9.361 pessoas no Auditório da Praça até o sábado. Mostrando o envolvimento do público, muitas vezes, os aplausos foram puxados de fora para dentro da Tenda.

Um grande legado da festa, este ano, foi a reforma e reativação do Cinema da Praça, que recebeu um catálogo de longas e curtas apoiados pela Petrobras e promete continuar funcionando para a população. O casarão histórico, na Praça da Matriz, funcionou até 1973. Em 2016, a Prefeitura de Paraty iniciou o projeto arquitetônico de restauro do sobrado.

Em tom de nostalgia, no ultimo dia da 16ª Flip artistas próximos a autora reuniram-se no palco para explorar a multiplicidade de sua obra. O cantor Zeca Baleiro, que lançava o disco com poemas de Hilda Hilst, o fotógrafo Eder Chiodetto, que registrou imagens de Hilda para o livro “O Lugar do Escritor e a atriz Iara Jamra que interpretou na década de 1990 “O Caderno Rosa de Lori Lamby” e comentou as marcas que a experiência deixou em sua trajetória. “Encenar essa obra em 1999 foi menos chocante do que em 2018”, compartilha.

Hilda foi pioneira, transgressora, sensível e política, cabendo um pouco de cada em sua homenagem.

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Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo
Comentários

Natália Figueiredo

Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

Um comentário em “Política e parcerias na Flip 2018

  • 01.08.2018 a 9:46 am
    Permalink

    Quero participar da estante virtual. Fui à Flip mas desisti de comprar o livro q queria devido à fila enorme q havia cada vez q tentava compra-lo.

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