“Minha luta é dizer que não perdemos nada quando ganhamos liberdade”, diz Leila Slimani

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Autora do livro “Canção de Ninar” dividiu a mesa com o escritor André Aciman, de “Me chame pelo seu nome”, no terceiro dia de Flip 2018

Autora do livro Canção de Ninar, a franco-marroquina Leila Slimani discutiu sobre relações familiares e o papel da mulher na sociedade durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2018), nesta sexta-feira, 27. Para a escritora, o espaço doméstico é político e a vida em família pode ser uma prisão.

“Como preservamos a nossa intimidade? Não conhecemos os outros e uma parte nossa também fica inacessível a eles. Precisamos nos moldar na sociedade e até na nossa vida doméstica”, explicou Leila, acrescentando que o espaço da literatura é onde ela não é julgada.

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Leila contou ainda como a questão da sexualidade e as mulheres são tratadas no Marrocos. “Quando somos jovens, somos vistos sob o olhar e a vigilância dos outros. Não são vistos como cidadãos. Isso também é um risco para as mulheres. Quando seu corpo pertence ao estado, você perde a dignidade”, destacou.

Sobre a obra

Canção de Ninar aborda questões atuais do nosso cotidiano, sobre relações de poder, a função da mulher na sociedade e preconceito entre classes. Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal procura uma babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise.

Discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. No entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações até o dia em que ocorre uma tragédia.

Canção de ninar, de Leila Slimani

Mesa na Flip 2018

Nesta sexta-feira, 27, Leila Slimani dividiu a mesa com o escritor André Aciman, de Me chame pelo seu nome, na Tenda dos Autores, na Flip 2018. Além de discutirem sobre relações familiares, os autores também falaram sobre criação. “Quando entra no seu quarto, você está no espaço privado. Sempre foi um prazer estar no meu quarto e depois sair para ver o mundo lá fora. Gostamos da nossa solidão e isso nos torna quem somos”, afirmou Aciman.

Leila acrescentou que, dessa forma, ela é quem quiser ser. “No meu quarto, não sou mais uma mulher, marroquina, escritora. Sou quem eu quero ser. As figuras da literatura ficam ancoradas em mim. Com a leitura, tudo é possível”, completou.

Me chame pelo seu nome, de André Aciman

Destaques na Casa Philos

Já na Casa Philos, um dos destaques deste terceiro dia de debates foi a mesa dos escritores João Anzanello Carrascoza, Volnei Canônica e Estevão Azevedo. Eles discutiram sobre reconhecimento no meio literário, a função da academia na literatura e prêmios.

“Também somos premiados quando levamos os livros para quem não tinha acesso à leitura, encontramos novos leitores, novas traduções, recebemos uma crítica bem feita”, disse Carrascoza. Volnei analisou que cada vez há menos espaço para críticas literárias nos grandes veículos de comunicação e, com isso, os prêmios acabam se tornando o maior espaço de visibilidade para os escritores.

João Anzanello Carrascoza, Volnei Canônica e Estevão Azevedo Casa Philos 2018

Mais cedo, as slammers Bell Puã, Letícia Brito e Giulia Ramos abordaram a abertura da festa literária para o gênero e o desconforto que é preciso gerar com determinados temas. “O slam é a literatura mais democrática que existe, a gente ainda está longe de viver em uma democracia plena. Mas o slam vem cumprindo isso”, reforçou Bell. Em seguida, a filósofa Márcia Tiburi e a artista Beatriz Azevedo conversaram sobre democracia e filosofia prática.

Bell Puã e slammers na Flip 2018

 


Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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