A difusão da cultura nordestina na literatura de Ariano Suassuna

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Em homenagem aos 4 anos de morte escritor, selecionamos oito de suas principais obras. Veja a lista e conheça melhor sobre a vida do autor!

Caracterizado por suas críticas sociais e bom humor, o escritor Ariano Suassuna foi um dos maiores difusores da cultura nordestina na literatura. Nascido no dia 16 de junho de 1927, o autor do renomado Auto da compadecida foi o criador do Movimento Armorial, um projeto que tinha o objetivo de criar uma arte erudita com elementos da cultura popular. A iniciativa orientava diversas expressões artísticas além da literatura, como música, cinema, arquitetura e dança.

Filho do então líder da Paraíba, Suassuna nasceu nas dependências do Palácio da Redenção, sede do Executivo do estado, em João Pessoa. Ele se mudou com a família para a cidade de Taperoá, em 1933, depois que seu pai foi morto por motivos políticos, no Rio de Janeiro, durante a Revolução de 1930. Foi nesta cidade que ele começou os estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de teatro.

O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”

Em 1942, Suassuna passou a morar em Recife e, três anos depois, terminou os estudos em duas escolas locais. Já em 1950, se formou em Ciências Jurídicas Sociais, na Faculdade de Direito do Recife. Na literatura, ele estreou com o poema Noturno, publicado com destaque no Jornal do Commercio, também em Recife.

Ainda na universidade, o escritor conheceu o dramaturgo Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Suassuna escreveu a primeira peça, Uma mulher vestida de sol, em 1947. Além de conquistar o meio literário, as obras do autor também se consagraram nos cinemas e na televisão.

Publicada em 1955, a peça Auto da compadecida ganhou uma adaptação nas telonas em 2000. Sete anos depois, a minissérie de TV A pedra do reino homenageou os 80 anos de Suassuna, baseada na obra homônima. Uma curiosidade do processo criativo do autor é que ele costumava escrever todos os seus textos à mão. Ele dizia que escrevê-los pelo computador era desumano.

Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.”

Até abril de 2014, ele foi secretário da Assessoria Especial do governo de Pernambuco. Suassuna morreu, aos 86 anos, no dia 23 de julho de 2014, por causa de um acidente vascular cerebral (AVC). Para homenagear esse grande nome da literatura brasileira, relembramos oito de suas principais obras. Confira e se apaixone pela escrita de Suassuna!


Auto da compadecida

Este é o principal clássico de Ariano Suassuna. Dividida em três atos, a peça Auto da compadecida conta a história de João Grilo e Chicó, que andam pelas ruas anunciando o filme A paixão de Cristo, “o mais arretado do mundo”. Os dois trabalham em uma padaria e aproveitam a morte da cadela da mulher do padeiro para ganhar um trocado. João Grilo vive em confusões e Chicó é um covarde que gosta de contar mentiras. Publicada inicialmente em 1955, a história depois foi eternizada nos cinemas e conquista o público até hoje.

Auto da compadecida, Ariano Suassuna


O santo e a porca

Escrita em 1957, a comédia O santo e a porca traz todas as características do Movimento Armorial. O livro aproxima-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do Nordeste. Dividida em três anos, a obra narra a história de Euricão Árabe, um velho avarento devoto do Santo Antônio que esconde dinheiro dentro de sua casa.

 

O santo e a porca, de Ariano Suassuna


A Pedra do Reino

A pedra do reino é apresentada como um romance autobiográfico narrado por Dom Pedro Dinis Ferreira, o “Rei do Quinto Império e do Quinto Naipe, Profeta da Igreja Católico-Serteneja e pretendente ao trono do Império do Brasil”. Na obra, Ariano Suassuna baseou-se nos principais elementos da cultura popular nordestina, como a literatura de cordel, os repentes e a embolada.

A Pedra do Reino, Ariano Suassuna


O casamento suspeitoso

Marcada pela sátira social, a peça O casamento suspeitoso revela-se como uma comédia de costumes, não embasada no romanceiro nordestino e a menos rural de Ariano Suassuna. A ação se desenrola na casa da matriarca e sua problemática é doméstica, como em O santo e a porca. Nas duas peças, os personagens pertencem a famílias constituídas e a temática é centrada no interesse pelo dinheiro associado ao matrimônio. A obra mostra uma sociedade voltada para o esnobismo e a difamação. 

O casamento suspeitoso, de Ariano Suassuna


Os homens de barro

A peça Os homens de barro é constituída por apenas um ato. Escrita entre 1948 e 1949, a narrativa se desenvolve no conjunto de lajedos da Pedra do Reino diante das esculturas da Sagrada Família. Perto do local, homens esculpem um anjo que supostamente teria aparecido para um deles. Como de costume, o autor aborda questões sociais por meio da arte.

Os homens de barro, Ariano Suassuna


Seleta em prosa e verso

Seleta em prosa e verso é uma coletânea de textos variados de Ariano Suassuna, selecionados pelo escritor Silviano Santiago. Em meio a teatro e escritos em prosa, o livro é uma rara oportunidade de entrar em contato com a poesia de Suassuna. Entre os poemas estão Fazenda Acahuan (Lembranças de meu pai), Infância e Lápide. Já os contos escolhidos são O casamento e O caso do coletor assassinado.

Seleta em prosa e verso, Ariano Suassuna


Farsa da boa preguiça

Publicada inicialmente em 1960, a Farsa da boa preguiça é construída em versos livros, em três atos, com trechos musicais cantados. A obra reúne citações de Luiz de Camões, Bíblia e orações. A força do arcaico é justamente a contínua presentificação e, consequentemente, a capacidade de se eternizar. Ariano Suassuna alia os valores mais arraigados de sua região a seu imenso arcabouço erudito e teórico. 

A farsa da boa preguiça, de Ariano Suassuna


A história de amor de Fernando e Isaura

No livro A história do amor de Fernando e Isaura, Ariano Suassuna conta a história de uma paixão proibida, um amor tão intenso e verdadeiro que se encaminha para um trágico desfecho. É o único romance do autor que não se passa na Paraíba e o sertão fica praticamente ausente da narrativa. A trama tem como cenário Alagoas, com grande parte das ações decorrendo nas proximidades do mar.


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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