Flip 2018: Escritores convidados da Casa Philos indicam livros

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Selecionamos 13 leituras sugeridas pelos autores. Lista inclui obras clássicas e contemporâneas. Confira!

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2018) será realizada entre os dias 25 e 29 de julho, e a Estante Virtual também marcará presença no evento. Em parceria com a Revista Philos, a Estante Virtual está apoiando a Casa Philos, que abre suas portas na Rua Dona Geralda, no Centro Histórico de Paraty. Com o tema “Escrevendo nas margens: visibilidades e visualidades”, as mesas serão marcadas por debates sobre literatura negra contemporânea, artes visuais, diversidade, literatura LGBTQ+, mercado editorial e memória.

Esta é a primeira vez da Casa Philos na Flip 2018. Editor-chefe da Revista Philos, Jorge Pereira explica que o local traz em sua essência o diálogo, a troca de saberes e de conhecimentos. Ao todo, serão 60 convidados no estabelecimento. “Queremos falar da mudança que a literatura e as artes podem fazer na vida das pessoas, além de mostrar que o acesso ao conhecimento é a partícula mobilizadora de uma sociedade mais coesa e justa”, afirma.

Além da parceria com a Estante Virtual, esta é a primeira vez que a Casa recebe uma curadoria colaborativa. Jorge destaca que a organização criou eixos para as mesas de diálogos e depois incluiu nomes de autores novos e consagrados. “Foram criados quatro núcleos: em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Recife e em Lisboa. Queríamos propiciar o debate sobre a diversidade mostrando pessoas distintas e fazendo ecoar suas vozes e ideias”, acrescenta.

Enquanto o evento não chega, convidamos alguns autores participantes da Casa Philos para sugerir leituras inesquecíveis. A lista reúne 13 livros para todos os gostos, desde obras clássicas até contemporâneas. Entre os autores indicados estão Julio Cortázar, Conceição Evaristo, Gabriel García Márquez e Clarice Lispector. Confira!


Bestiário, de Julio Cortázar

Indicação da escritora Cristina Judar, Bestiário reúne histórias que falam de objetos e acontecimentos do dia a dia. Em cada conto, há surpresa e inquietação. Publicada inicialmente em 1951, a obra é a primeira em que Julio Cortázar afirma se sentir “seguro do que queria dizer”. O mistério marca a narrativa e o autor deixa a dúvida no ar. Cabe ao leitor desvendar as mensagens das entrelinhas.

Julio Cortázar, Bestiário


Lavoura arcaica, de Raduan Nassar

Fundador da Revista Lavoura, o escritor Lucas Verzola indicou o livro Lavoura arcaica. Com um narrador em primeira pessoa, o texto entrelaça o novelesco e o lírico. A obra retrata a história do personagem André, o filho encarregado de revelar o avesso de sua imagem e da família. O autor Raduan Nassar propõe uma aventura com a linguagem – um instrumento que, com seu rigor, desorganiza um outro rigor, o das verdades pensadas como irremovíveis.

Lavoura arcaica, de Raduan Nassar


A vida que ninguém vê, de Eliane Brum

A jornalista e pesquisadora Jéssica Balbino escolheu A vida que ninguém vê, de Eliane Brum, uma das principais jornalistas literárias brasileiras contemporâneas. A obra narra a busca da repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícias e de pessoas anônimas. As crônicas emocionam pela agudeza do olhar que a repórter imprime aos seus personagens.

A vida que ninguém vê, de Eliane Brum


A metamorfose, de Franz Kafka

Um clássico é um clássico, né? Indicado pelo escritor Bruno Mendonça, A metamorfose é um dos principais livros da literatura mundial. A obra de Franz Kafka coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante, o famoso Gregor Samsa, transformado em um monstruoso inseto. Narrada com um realismo inesperado, a história associal o inverossímil ao senso de humor que chega a ser trágico e cruel.

A metamorfose, Franz Kafka


O estrangeiro, de Albert Camus

Lançado em 1942, O estrangeiro faz parte do “ciclo do absurdo” de Albert Camus, uma trilogia que inclui um romance, um ensaio e uma peça de teatro. Todas as obras descrevem o aspecto fundamental de sua filosofia: o absurdo. Indicado pelo escritor Jean Cândido, o livro conta a história de um narrador personagem, chamado de Meursault, um homem que comete um assassinato e é julgado pelo crime na Argélia.

O estrangeiro, de Albert Camus


Poemas da recordação e outros movimentos, de Conceição Evaristo

Poemas da recordação e outros movimentos é permeado pelos temas sobre feminilidade, memória e resistência negra. A antologia poética da escritora Conceição Evaristo tece os fios de suas vivências pessoais e coletivas. Na história, a poeta convida o leitor a mergulhar em profundas “águas-lembranças”, espelho do qual emergem imagens e vozes femininas. A indicação da obra foi da escritora e slammer Bell Puã.

Poemas da recordação e outros movimentos


O que é lugar de fala?, de Djamila Ribeiro

O que é lugar de fala?, de Djamila Ribeiro, tem conquistado o meio literário contemporâneo. Indicado pela escritora Letícia Brito, o livro traz a discussão sobre o conceito de lugar de fala e revela as polêmicas relacionadas ao assunto. A obra questiona sobre quem tem direito à voz em uma sociedade que tem como norma a branquitude, masculinidade e heterossexualidade. Pensar em outros lugares de fala passa pela importância de se trazer outras perspectivas que rompam com a história única.

O que é lugar de fala, de Djamila Ribeiro


São Jorge dos Ilhéus, de Jorge Amado

São Jorge dos Ilhéus é um dos clássicos de Jorge Amado. A obra, indicada pelo compositor e escritor Yuri Dinalli, narra a saga dos pioneiros e das guerras sangrentas pela posse de terra em Ilhéus. Nesse contexto, em que os confrontos de jagunços foram substituídos pelo jogo na bolsa de valores e pelas intrigas políticas, surgem os personagens mais díspares, como prostitutas, jogadores e militantes comunistas. O livro mistura e entrelaça os destinos dos personagens, narrando de modo envolvente seus dramas, comédias, sonhos e traições.

São Jorge dos Ilhéus, de Jorge Amado


A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector

A lista não poderia deixar de fora a eterna e intensa Clarice Lispector. O escritor e cronista Felipe Ribeiro sugeriu o livro A paixão segundo G.H., um dos clássicos da autora. A obra narra o pensar e o sentir da protagonista-narradora G.H. Ela demite a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço. Ela supõe que o local está imundo e cheio de objetos inúteis. Depois de limpar o quarto, G.H encontra uma barata na porta do armário e esmaga o inseto para provar seu interior branco. A protagonista vê sua condição de dona de casa e mãe como uma selvagem.

A paixão segundo G.H, de Clarice Lispector


Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Os livros do colombiano Gabriel García Márquez são quase leituras obrigatória e com Cem anos de solidão não é diferente. A narrativa se passa na aldeia de Macondo. Trata-se da solitária família Buendía, na qual todos os integrantes de todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula, uma personagem centenária e uma famosa matriarca da história da literatura latino-americana. A escolha desse clássico foi da escritora Helen Queiroz.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez


Trilogia suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez

O poeta e escritor Hamilton Borges escolheu a Trilogia suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrezum dos marcos na literatura latino-americana. Autobiográfico, o livro é uma narrativa arrebatadora sobre o cotidiano de Cuba em plena crise econômica. O autor narra sua vida particular e tudo o que se passa ao seu redor. Com uma linguagem direta, aborda temas como sexo, fome, desencanto e luta. 

Trilogia suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez


Vidas secas, de Graciliano Ramos

Lançado inicialmente em 1938, Vidas secas é um dos livros mais importantes de Graciliano Ramos. O autor alcança o máximo da expressão que buscava em sua prosa. Os personagens são impulsionados pela seca, áspera e cruel. A leitura intrigante provoca compaixão e faz o autor ser visto, paradoxalmente, como antipoético e antisonhador no auge do clima de poesia.  O clássico foi indicado pela escritora Ninfa Parreiras.

Vidas secas, de Graciliano Ramos


Esperando Godot, de Samuel Beckett

Indicado pelo escritor Arthur Lungov, Esperando Godot é uma tragicomédia dividida em dois atos que desafia o público e a crítica. A obra narra a história de dois personagens clownescos, Vladimir e Estragon, que esperam por um sujeito que talvez se chame Godot. No entanto, a chegada dele é sempre adiada. O autor revoluciona a narrativa e o teatro do século XX.

 

Esperando Godot, de Samuel Beckett


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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