Livros de Valter Hugo Mãe recebem novas edições

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Biblioteca Azul publica obras do autor desde 2016. Em maio, “O paraíso são os outros” e “O remorso de Baltazar Serapião” foram relançados

Desde o fim da editora Cosac Naify, a Biblioteca Azul assumiu a publicação das obras do escritor português Valter Hugo Mãe. Ao todo, já são sete livros relançados. Os mais recentes são O remorso de Baltazar Serapião O paraíso são os outros, dois clássicos do autor que receberam novas edições em maio deste ano. Já em 2016, três obras foram republicadas: O filho de mil homensA máquina de fazer espanhóisHomens imprudentemente poéticos. Enquanto isso, no ano passado, A desumanizaçãoO apocalipse dos trabalhadores voltaram a conquistar o público.

As novas edições da Biblioteca Azul são marcadas por cores e ilustrações. Com versão em capa dura, O paraíso são os outros apresenta uma nota exclusiva de Valter Hugo Mãe sobre seus desenhos. Publicada inicialmente em 2014, a obra conta a história de uma menina que volta seu olhar pueril para os casais de pessoas e animais. Retrata a vida de uma menina que é fascinada pelo amor e sonha com a pessoa que um dia amará. A voz da personagem toca crianças e adultos.

O paraíso são os outros, Valter Hugo Mãe

No mesmo mês, a Biblioteca Azul relançou O remorso de Baltzar Serapião, vencedor do Prêmio Literário José Saramago, que inicialmente foi publicado em 2006. Estirpe e jugo são os elementos brutos com os quais Valter Hugo Mãe narra a história dos sarga, “nascidos de pai e vaca”, e de seu primogênito. Baltazar é um camponês miserável e de passividade bestial. Ele e sua mulher são exploradas por Dom Afonso, senhor das “almas e coisas” daquela terra.

A obra é aclamada pela crítica e recebeu elogios do célebre autor português José Saramago. “Basta ler a primeira página, a primeira palavra, sentir a primeira respiração. É um livro diferente. A sensação que esta obra me dá, além do ímpeto arrasador e ao mesmo tempo construtor de algum elo, é a de estar a assistir a um novo parto da língua portuguesa, um nascimento de si mesma”, afirmou José Saramago

O remorso de Baltazar Serapião

Sobre o autor

Valter Hugo Mãe nasceu em Henrique de Carvalho,  atual Saurimo, uma cidade angolana administrada por Portugal, em 1971. Nascido dentro deste caldeirão cultural, o autor sofreu grandes influências na literatura, nas artes plásticas, na televisão e na música. O escritor se formou em Direito, mas seguiu carreira literária depois de cursar pós-graduação em Literatura Portuguesa Contemporânea, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Além da literatura, ele também se dedica ao desenho e inaugurou a sua primeira exposição em Maio de 2007. Valter Hugo Mãe inovou ao escrever seus primeiros romances integralmente em letras maiúsculas, com a intenção do leitor enxergar a literatura como liberdade completa de pensamento. Por outro lado, as letras minúsculas foram escritas com a finalidade de representar a igualdade. Conheça as outras obras do escritor relançadas pela Biblioteca Azul!


O apocalipse dos trabalhadores

O apocalipse dos trabalhadores é o terceiro romance de Valter Hugo Mãe. O livro conta a história das empregadas domésticas Maria Quitéria que mantêm esperanças em uma vida melhor, mesmo com o trabalho duro e a rotina exaustiva. Maria envolve-se com seu patrão e Quitéria vive um romance com um jovem imigrante da Ucrânia. Para complementar o orçamento do mês, as amigas fazem bicos como carpideiras e velam mortos desconhecidos.

O apocalipse dos trabalhadores


A desumanização

A desumanização se passa na paisagem inóspita dos fiordes islandeses. A obra é narrada por uma menina de 11 anos, que conta o que lhe resta após a morte da irmã gêmea. Escritos de uma maneira muito especial e sutil, os relatos da criança passam uma delicada melancolia e extrema beleza plástica.

A desumanização


Homens imprudentemente poéticos

Um dos principais livros de Valter Hugo Mãe, Homens imprudentemente poéticos é ambientado no Japão antigo e proporciona uma imersão idílica na cultura milenar japonesa. Na obra, o autor traz à tona os temas da morte e do suicídio, em um contexto em que este ato possui um ponto de vista distinto ao do Ocidente. O escritor escolhe um lugar longínquo para retratar a história, levando o leitor ao Japão profundo, um ambiente sagrado que partilha o mesmo universo das fatalidades e da miséria.

Homens imprudentemente poéticos


A máquina de fazer espanhóis

Com prefácio do compositor e cantor Caetano Veloso, a nova edição de A máquina de fazer espanhóis conta a história do barbeiro António Jorge da Silva, de 84 anos. O idoso é levado pela filha a viver em um asilo depois da morte da mulher. No entanto, a possível tragédia dá lugar à subjetividade do personagem. A obra inclui verdades cortantes e arrebatadoras sobre velhice, amor, política, literatura e período militar em Portugal.

A máquina de fazer espanhóis


O filho de mil homens

Criado a partir dos questionamentos de Valter Hugo Mãe sobre paternidade, O filho de mil homens retrata a história do pescador Crisóstomo. Ao chegar aos 40 anos, ele se sente triste e incompleto por não ter tido um filho. Até que um dia ele conhece o jovem órfão Camilo e o acolhe. Desencantada com a vida, Isaura se junta aos dois e encontra uma possibilidade de ser feliz. O autor usa as relações familiares, seus conflitos e afetos, para discorrer sobre temas como a solidão, a felicidade e o amor.

O filho de mil homens


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Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista, editora do Estante Blog e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea e jornalismo literário.

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