A intensa Elvira Vigna e a literatura contemporânea brasileira

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Escritora morreu em 10 de julho de 2017 após lutar cinco anos contra câncer de mama. Para homenageá-la, selecionamos suas principais obras

Nascida no Rio de Janeiro, em 1947, Elvira Vigna foi um marco para a literatura contemporânea brasileira. Com temas sobre questões éticas, raciais e de identidade, as obras da autora são aclamadas pelas críticas literárias. Ela é considerada uma das vozes mais originais da literatura. Entre seus principais livros estão Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, vencedor do prêmio APCA de Literatura e indicado ao Prêmio Jabuti, em 2017, e Por escrito, que conquistou o Prêmio Oceanos de melhor romance.

Elvira Vigna também era tradutora, ensaísta, artista plástica e trabalhou como jornalista. Formada em literatura pela Universidade de Nancy, na França, ela foi mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Autora morava em São Paulo.

Literatura infantil

A escritora estreou na literatura ao escrever livros infantis. Em 1981, ela ganhou o Prêmio Jabuti com o título Lã de Umbigo. Em paralelo, Elvira Vigna também ilustrava livros infantis, projetava capas e fazia exposições. Ainda na década de 1980, a autora passou a publicar ficção para adultos, como as obras Sete anos e um diaA um passo de Eldorado.

Ela morreu no dia 10 de julho de 2017, aos 69 anos, após ficar internada quase cinco meses no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Elvira Vigna lutava há cinco anos contra um grave câncer de mama. Apesar de ter sido diagnosticada em 2012, a escritora preferiu não tornar público a doença. Para homenagear a vasta carreira literária da autora, selecionamos oito de suas principais obras. Confira!


Como se estivéssemos em palimpsesto de putas

Essa foi a última obra publicada por Elvira Vigna em vida. Em Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, a autora retrata a história de dois estranhos que se encontram em um verão de forte calor no Rio. A mulher é designer em busca de trabalho e o homem foi contratado para informatizar uma editora. O acaso junta os dois em uma sala, onde ele relata seus encontros frequentes com prostitutas. Na obra, a escritora cria um poderoso jogo de traições e insinuações.

 

Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna


Por escrito

Por escrito é uma história de separação, mas engana-se quem espera encontrar mulheres chorando pelos cantos da casa. Assim como a prosa de Elvira Vigna, as vidas das personagens são inquietantes e inesperadas. É uma história de desencontros, em que as pessoas parecem não ver quem está à frente delas. Uma história de esperas e muitos erros.

Elvira Vigna, Por escrito


O jogo dos limites

Título altamente recomendado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, O jogo dos limites propõe a seus personagens e leitores um jogo inteligente e desconcertante. Trata-se de saber que há um trabalho a ser feito – uma vida a ser vivida – e que existem limites para o jogo. Os grupos que jogam somos N.Ó.S., E.L.E.S. e os pobres. Há também jogadores avulsos, como viciados em computador, pitboys violentos e uma deusa-mulher com quem só é possível falar encarando um espelho. Faz parte do jogo responder a uma pergunta implícita: qual é mesmo a guerra? 

O jogo dos limites, Elvira Vigna


Nada a dizer

Nada a dizer também é uma das obras mais marcantes da autora. O livro retrata a história de um adultério, narrada sob o ponto de vista da mulher traída. No entanto, o que se encontra nestas páginas é uma investigação minuciosa das motivações de cada um dos envolvidos, além de uma discussão indireta das possibilidades de entendimento amoroso no mundo urbano contemporâneo. Lealdade, autoconhecimento e convivência são alguns dos temas que permeiam a obra.

Nada a dizer, Elvira Vigna


Coisas que os homens não entendem

O livro Coisas que os homens não entendem narra a história da fotógrafa Nita que volta ao Rio de Janeiro após passar uma temporada em Nova York. Na memória, a cena recorrente é um assassinato: um tiro e Aureliano tomba na sua frente, no apartamento em Santa Teresa que ela conhecia tão bem. Para Nando, irmão do morto, não foi difícil subornar a polícia e em dois tempos enterrar o caso nos arquivos cariocas de crimes não resolvidos. Elvira Vigna propõe ao leitor descobrir quais peças cabem no jogo da autocomplacência e aquelas que nunca se encaixarão nos limites da ética.

Coisas que os homens não entendem, Elvira Vigna


Às seis em ponto

Às seis em ponto é o quarto romance para adultos de Elvira Vigna. A obra conta a história da personagem Maria Teresa que acorda todos os dias às seis em ponto e tem sua rotina sempre igual. É um método que ela aperfeiçoa desde a infância. Até na hora de mentir ela é sistemática, metódica. A narrativa da autora avança e recua sem parar, evitando a qualquer preço se ajustar ao foco cristalino de todas as verdades.

Às seis e ponto, Elvira Vigna


Deixei ele lá e vim

Deixei ele lá e vim retrata uma morte, que todos sabem ter sido criminosa e todos dizem ter sido acidental. Isso não muda a vida de quem matou ou apenas assistiu, nem a de quem adivinha o que houve mas prefere fingir que nada sabe. O que muda, na verdade, é uma noção estabelecida sobre narrativas ficcionais e sobre o papel de narradores, leitores e escritores. Como receber as informações de alguém que avisa que mente, sobre fatos cujo desfecho é preciso intuir? Não existe fronteira clara entre coisa inventada e a concretude de dados. 

Deixei ele lá e vim, Elvira Vigna


O assassinato de bebê Martê

Os filhos se reúnem sem entusiasmo para comemorar os 80 anos do pai. A festa parece mais um funeral. Querem festejá-lo ou enterrá-lo? Enquanto o leitor se faz perguntas diante dos fatos relatados (ou inventados?), um fio subterrâneo vai percorrendo o romance O assassinato de bebê Martê em que não são exatamente os bons sentimentos que movem as personagens e em que todos, inclusive a narradora, têm algo inconfessável a esconder.

O assassinato de bebê Martê, de Elvira Vigna


Quais livros você incluiria na lista? Comente e participe!

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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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