Castro Alves e outros autores abolicionistas

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Escritor da terceira geração romântica no Brasil morreu há 147 anos e deixou extenso legado à literatura brasileira

Um dos principais romancistas brasileiros, Castro Alves é conhecido como “poeta dos escravos“. O escritor nasceu em 14 de março de 1847, na vila de Curralinho (hoje conhecida como cidade de Castro Alves), na Bahia. Aos seis anos, se mudou para Salvador com seus pais. Desde criança, ele já demonstrava paixão por escrever poesias. Após a morte dos pais, se casou com Maria Rosário Guimarães e foi morar em Recife, em 1862. Influenciado pelas ideias abolicionistas e republicanas, publicou seu primeiro poema contra a escravidão, intitulado A primavera, no ano seguinte.

Castro Alves é considerado o último grande poeta da terceira geração do Romantismo. Além do tema da escravidão, o autor era conhecido pela poesia amorosa, que descreve a beleza do corpo da mulher. No entanto, essa imagem não é mais idealizada, mas, sim, realista. Liberais, os textos do escritor são marcados por um estilo eloquente, com hipérboles e linguagem romântica.

Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar.”

No Rio de Janeiro, Castro Alves se formou no curso de Direito e conheceu Machado de Assis, que o ajudou a crescer nos mundo literário. Ainda na cidade, ele precisou amputar o pé esquerdo após ser baleado com um tiro de espingarda. Patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras, Castro Alves morreu em Salvador, em 6 de julho de 1871, aos 24 anos, ao ser diagnosticado com tuberculose.

Outros autores abolicionistas

Além de Castro Alves, outros poetas também adotaram o tema da abolição em seus textos. Um deles foi José do Patrocínio. Filho de uma quitandeira com um padre, ele nasceu no dia 9 de outubro de 1853, em Campos dos Goytacazes, no Rio. Mesmo sem reconhecer a paternidade, o religioso levou o menino para a sua fazenda, na Lagoa de Cima. Lá, ele passou a infância como liberto, mas conviveu com escravos e sofreu rígidos castigos.

José do Patrocínio foi um jornalista polêmico e fortaleceu os ideais abolicionistas por meio do jornal Gazeta da Tarde. O escritor se destacou como uma das figuras mais importantes do movimento republicano no Brasil. Ele foi exilado do país após fazer críticas severas ao governo e expor a situação miserável dos negros mesmo com a Lei Áurea.

Outro poeta abolicionista foi Joaquim Nabuco, um dos criadores da Academia Brasileira de Letras. O autor nasceu no dia 19 de agosto de 1849, em Recife. Na data de seu nascimento, atualmente comemora-se o Dia Nacional do Historiador. Fundador da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, em 1880, o escritor foi colega de turma de Castro Alves e do jurista Ruy Barbosa na universidade de Direito.

Apesar de ter sido criado em uma família escravocrata, o poeta defendeu a libertação dos escravos. Além disso, Nabuco foi o fervoroso defensor da criação de um estado laico. Para homenagear os autores, selecionamos algumas de suas principais obras. Veja a lista completa!


Espumas flutuantes, de Castro Alves

Espumas flutuantes foi publicado um ano antes de sua morte e representa o fim do movimento do Romantismo no Brasil. Neste período, os valores da monarquia davam lugar às transformações que conduziriam ao sistema republicano. Coletânea de poemas de Castro Alves, a obra é marcada por temas existenciais, como amor e morte, que também fizeram parte da vida do poeta. Ele foi o primeiro escritor do Romantismo que uniu experiência e inspiração nos textos. 

Espumas flutuantes, de Castro Alves


Os escravos, de Castro Alves

Publicado de forma independente pela primeira vez, em 1883, Os escravos é um dos principais livros de Castro Alves. A narrativa da obra tem como foco central o tema da escravidão, como a maior parte do trabalho do poeta. De formação cultural sofisticada, o escritor compreensão da alma popular a partir de suas temáticas.

Os escravos, Castro Alves


O abolicionismo, de Joaquim Nabuco

Publicado em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea, O abolicionismo se tornou o principal livro do movimento. Na obra, Joaquim Nabuco defende de forma enfática a emancipação dos escravos e seus descendentes, propondo vias para a integração dessas pessoas à sociedade. Dividido em seis partes, o ensaio é organizado em torno de argumentos filosóficos, econômicos e políticos.

O abolicionismo, de Joaquim Nabuco


Balmaceda, de Joaquim Nabuco

Em Balmaceda, Joaquim Nabuco volta a sua atenção para uma encruzilhada histórica. O autor discute o mandato do presidente chileno José Manuel Balmaceda, que se matou após a derrota na Guerra Civil de 1891. Em artigos, Nabuco concluiu que o drama chileno estava cheio de lições para o Brasil. Sua crítica à figura de Balmaceda joga luz sobre um passado de pouco mais de um século e sobre o presente imediato, com grande sentido para toda a América Latina.

Balmaceda, de Joaquim Nabuco


Os retirantes, de José do Patrocínio

Os retirantes é uma das maiores obras de José do Patrocínio. Publicado em 1889, o romance retrata a história do povo nordestino brasileiro que sofria com a seca severa na região. O autor foi um dos idealizadores da Guarda Negra, que era formada por negros e ex-escravos. Os integrantes do grupo secreto estavam dispostos a dar a vida pela Princesa Isabel e movimentaram o Rio até a Proclamação da República, no dia 15 de novembro.

Os retirantes, José do Patrocínio


Motta coqueiro ou pena de morte, de José do Patrocínio

A obra Motta coqueiro ou pena de morte narra a história do fazendeiro Manuel da Mota Coqueiro, conhecido como Fera de Macabu. Ele foi condenado injustamente à morte em 1852. No romance, o autor cria um personagem fictício, chamado Herculano, que depois assume todos os crimes de Macabu.

Motta coqueiro ou a pena de morte, José do Patrocínio


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Gabriela Mattos

Gabriela Mattos

Redatora em Estante Virtual
Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.
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Gabriela Mattos

Gabriela é jornalista e foi repórter em um jornal carioca. Viciada em comprar livros, é apaixonada por literatura contemporânea brasileira e jornalismo literário.

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