A literatura americana de Philip Roth

(2.5 Estrelas - 57 Votos)

Renegado pelo Nobel, Philip Roth parte como um dos mais importantes romancistas de nosso tempo

Um dos maiores romancistas americanos do século XX, morreu aos 85 anos na ilha de Manhattan, nos Estados Unidos, por insuficiência cardíaca. Philip Roth com seu texto brilhante e extrema lucidez escreveu mais de 30 romances, além de contos e ensaios.

Ele foi publicado em edição completa pela Library of America e reconhecido por diversas premiações como o Pulitzer, o Man Booker International Prize (o maior em Língua Inglesa), o National Book Award e a Gold Medal in Fiction, da Academia Americana de Artes e Letras. A única injustiça – para muitos de seus leitores – é o autor nunca ter vencido o Nobel de Literatura.

Uma das principais obras de Roth já publicadas no Brasil é o seu aclamado romance “Pastoral americana”, que integra a trilogia política composta por “Casei com um comunista” (1998) e “A marca humana” (2000). Além da ficção realista de “Complô contra a América” (2005).

É claro que, tal como ocorre quando qualquer pessoa morre, embora muitos estivessem sofrendo, outros permaneciam indiferentes, ou se sentiam aliviados, ou então, por motivos bons ou maus, estavam na verdade satisfeitos.” Philip Roth em Homem Comum.

Perda e mortalidade

Em sua longa carreira, Roth mostrou muitas facetas de si mesmo. O significado do que representa ser americano, judeu, escritor e homem. A morte e a sexualidade são elementos muito presentes em seus textos. Já aos 73 anos, o autor mantinha a admirável marca de um livro por ano, com uma vasta lista de grandes publicações. No implacável “Homem Comum” (2006), Roth joga luz a devastação da idade e da mortalidade. Tema bastante presente no fim de sua vida.

Philip Roth no cinema

Neste ano, o romancista ganhará adaptação de seu livro “Indignação” (2008) pelas mãos do produtor e roteirista Schamus. No roteiro, estão temas como preconceito, a identidade americana, o judaísmo e a sombra da guerra. Esta é a sexta adaptação de um livro do americano e tem previsão de estreia no Brasil em 3 de novembro.

No fim da vida o boxeador Joe Louis disse: ‘Fiz o melhor que pude com aquilo que tinha’. É exatamente o que eu diria do meu trabalho” Philip Roth

Muitos escritores mostraram seus pesares com a morte do romancista nas redes sociais.

 : Philip Roth era dos grandes de uma tradição q talvez esteja morrendo: a dos artistas q veem indivíduos como o q eles são, querem ou poderiam ser, e não só pelo q representam em sua derrota contra as fúrias históricas/coletivas. RIP

 :  É o meu escritor favorito, na minha opinião o maior romancista americano da segunda metade do século XX. Foi esnobado pelo Prêmio Nobel embora o merecesse mais que os dez últimos ganhadores. Estou de luto. Escritor Philip Roth morre aos 85 anos nos EUA

Paul Auster sobre Philip Roth: ‘Era uma força e esteve entre nós por muito tempo’.

Conheça as obras:


Adeus, Columbus

O livro de estréia de Philip Roth. Foi com essa coletânea de ficções curtas que o escritor norte-americano surgiu no cenário literário, já como um autor em pleno domínio de seus recursos. A novela-título é ainda hoje considerada uma de suas narrativas mais bem realizadas, e ao menos dois dos contos são obras-primas irretocáveis – ‘A conversão dos judeus’ e ‘Eli, o fanático’. Se em alguns dos textos o autor recria com humor cáustico, na melhor tradição realista, a estreiteza de horizontes da classe média baixa, em outros sua prosa mágica transforma um prosaico bairro pequeno-burguês da Nova Jersey de meados do século passado num mundo tão onírico quanto um quadro de Marc Chagall.

adeus, Columbus


Pastoral americana (1998)

Empresário judeu bem-sucedido, Seymour Levov casa-se com uma católica em 1949, prefere contratar negros em sua fábrica e dá uma educação liberal à filha. Só que suas ilusões acabam destruindo o lar que ele imaginava perfeito, à moda dos ideais americanos.

Pastoral Americana Philip Roth


Homem comum

Numa narrativa direta, íntima e ao mesmo tempo universal, Philip Roth explora o tema da perda, do arrependimento e do estoicismo. O autor de Complô contra a América, que relatava o encontro angustiante de uma família com a história, agora volta sua atenção para a luta de um homem contra a mortalidade, conflito que dura sua vida inteira.

philip-roth-homem-comum


Complexo de Portnoy (2004)

Quando lançado, em 1969, O complexo de Portnoy se tornou best-seller e foi saudado como a consagração definitiva do talento de Philip Roth. A crítica, porém, teve certa dificuldade em classificá-lo. Seria “literatura séria” ou apenas humor? Não era a primeira vez na história do romance que um livro engraçadíssimo parecia uma obra importante; mas havia ao menos dois elementos que causavam estranheza. Em primeiro lugar, o traço caricatural na construção dos personagens lembrava o humor dos grandes comediantes judeus da época, como Lenny Bruce e Woody Allen, que se apresentavam em boates; ao mesmo tempo, porém, a interioridade do narrador-protagonista era de grande densidade.

Complexo de Portnoy (2004)


Casei com um comunista (2000)

Trabalhador braçal que se tornou ator de rádio, Ira Ringold é um comunista exaltado e linha-dura. Sua vida toma rumos inesperados quando a esposa resolve, em plena era do macarthismo, pôr a público as convicções políticas do marido. O livro é uma história de delação, traição e vingança.

 Casei Com um Comunista Philip Roth


E você qual o seu livro favorito do autor?

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo

Quer receber dicas semanais de leitura?

Assine e receba dicas fresquinhas em seu e-mail toda semana.

Comentários

Natália Figueiredo

Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é responsável pelo Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

3 comentários em “A literatura americana de Philip Roth

  • 30.05.2018 a 2:33 pm
    Permalink

    Difícil sair indiferente da leitura de ‘Homem comum’… Temas como a condição humana, a sexualidade e a finitude (em ‘O professor do desejo’, por exemplo) são tratados com maestria por este grande escritor.

  • 25.05.2018 a 6:03 pm
    Permalink

    Eu me apaixonei por *Patrimônio*, lembrei demais do meu pai. Acho que li também o *Homem comum*, que me impressionou muito. Quero ler outros.

  • 24.05.2018 a 5:04 pm
    Permalink

    Operação Shylock foi o primeiro que li. Não é muito cotado, mas é um livro maravilhoso! Nele, o autor descobre um sósia. Não satisfeito, o sósia apropria-se do nome e da identidade do autor. Excelente leitura!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Shares