Conceição Evaristo anuncia candidatura à ABL

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Durante o Salão Carioca do Livro autora mineira confirma o que parte do público já pedia; Seu interesse em ingressar na Academia Brasileira de Letras.

Desde o dia 21 de abril a cadeira de número 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL) está vaga, por conta da morte do cineasta Nelson Pereira dos Santos. No dia 26 de abril, a ABL realizou uma sessão solene para anunciar a abertura da vaga. A notícia movimentou coletivos negros e de mulheres em uma campanha para indicar quem poderia ser o próximo ou a próxima “imortal”.

Uma petição online foi criada para que fosse incluído o nome de Conceição Evaristo como nova ocupante da cadeira de número 7. Até o fechamento desse artigo o abaixo-assinado já contava com mais de 16 mil assinaturas, sob o chamado: #ConceiçãoEvaristoNaABL.

A autora com uma das carreiras mais célebres da literatura contemporânea brasileira, vencedora do Jabuti e com reconhecimento internacional; no entanto, ainda não havia manifestado sua posição a honraria ou pensado seriamente a respeito. Até ontem. Quando ao fim da mesa Escrevendo a própria história, ao lado do autor Henrique Rodrigues, Conceição anunciou que sim. “Eu quero. É um direito nosso, vou me inscrever na segunda-feira”, prometeu.

Quem forma a ABL?

Fundada e primeiramente presidida pelo escritor negro Machado de Assis, a ABL ainda apresenta muito pouca diversidade em suas cadeiras. Como ressaltou a jornalista Flávia Oliveira, mediadora da mesa, “uma instituição monótona, masculina e branca”.

Poucas mulheres já ocuparam as cadeiras, nenhuma delas negra. As mulheres-membras foram: Ana Maria Machado (Cadeira 1); Rachel de Queiroz (Cadeira: 5); Dinah Silveira de Queiroz (Cadeira: 7); Cleonice Berardinelli (Cadeira: 8); Rosiska Darcy de Oliveira (Cadeira: 10); Lygia Fagundes Telles (Cadeira: 16); Zélia Gattai (Cadeira: 23) e Nélida Piñon (Cadeira: 30).

A vez de Conceição

Nascida em uma favela de Belo Horizonte, Conceição Evaristo trabalhou como empregada doméstica, até se mudar para o Rio de Janeiro, aos 25 anos, onde passou em um concurso para o magistério. Graduou-se em Letras, é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

Preocupada em ser vista como uma excepcionalidade na autoria negra, a autora contou que riu da ideia no começo. Mas, agora decidiu. E convidou o público a uma reflexão sobre o que é literatura universal? “Eu escrevo a partir da minha subjetividade de mulher negra e encontro identificação mesmo internacional. Então, quem definiu isso do que é Literatura Universal? Eu leio Jorge Amado, mas não sou nenhuma Gabriela”, completa. Para a autora, chegou a hora da mulher negra ter voz, vez e verso.

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.
Natália Figueiredo


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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, é editora do Estante Blog e mantém o blog de viagens Nat no Mundo.

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