5 livros de Patrícia Galvão, a Pagu

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Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, foi uma das personalidades femininas mais importantes do século XX no Brasil.

Mais conhecida como Pagu, Patrícia Galvão nasceu em São João da Boa Vista, em 9 de junho de 1910. Pagu até hoje é um símbolo cultural, lembrada especialmente por seu trabalho como jornalista e ativista política, tal como a “inimiga número 1” da ditadura de Getúlio Vargas. Foi pioneira em diversas áreas, tornando-se mais tarde um símbolo do movimento feminista. Aos 15 anos, já colaborava com o o Brás Jornal, assinando como o pseudônimo de Patsy. Na década de 1940, tornou-se colunista fixa no jornal Diário de S. Paulo, no editorial Suplemento Literário. Aos 18 anos, Pagu filiou-se ao movimento revolucionário modernista e também ao Partido Comunista. Foi apresentada aos artistas Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade, com o qual casou-se dois anos depois. Com Oswald, iniciou de vez sua participação política e lançou periódicos como O homem do povo, em oposição ao regime conservador e de direita.

À frente do seu tempo

Aos 20 anos, Pagu incendiou o bairro do Cambuci, em São Paulo, em um protesto contra o governo, se tornando a primeira mulher no Brasil a ser presa por motivos políticos. Ao todo, a jornalista e ativista foi presa 23 vezes, na maioria das vezes por “perturbação da ordem” ou ataque à moral e aos bons costumes. Conhecida por sua postura à frente do seu tempo, Pagu iniciou sua vida sexual muito antes do que as mulheres de sua época e tinha o costume de andar nas ruas com blusas transparentes e sem sutiã, além de fumar bastante e falar muitos palavrões. Sua postura diferente das outras mulheres rendeu à ela inúmeras perseguições, políticas, sociais e moralistas, mas a colocou em um patamar no qual nenhuma outra mulher no Brasil esteve em sua época.

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque!
– Trecho da canção “Pagu”, composta por Rita Lee

Para fugir da repressão, passou boa parte de sua vida entre o Rio de Janeiro e Paris. Em 1935, Divorciou-se de Oswald de Andrade e tentou voltar a exercer sua profissão de jornalista na França, mas logo foi presa como comunista estrangeira, permanecendo na prisão por 5 anos. Em 1945, casou-se novamente com o jornalista da A Tribuna de Santos, Geraldo Ferraz, com quem viveu até a sua morte. Na década de 1960, ao descobrir que estava com câncer, tentou o suicídio pela primeira vez e escreveu em seu panfleto Verdade e liberdade: “Uma bala ficou para trás, entre gazes e lembranças estraçalhadas.” No dia 12 de dezembro de 1962, Patrícia Galvão faleceu na cidade de Santos, deixando sua marca na história política social do país.

Confira os principais livros da autora!


Safra macabra – contos policiais, de Patrícia Galvão

Os nove contos que compõem este livro foram publicados originalmente na revista Detetive, em 1944.  Sob o pseudônimo de King Shelter, Patrícia Galvão – que já havia escrito o primeiro romance dentro da realidade do proletariado do Brasil (Parque Industrial, 1933), também estava se tornando a primeira autora brasileira a publicar regularmente histórias policiais.

Safra macabra


Paixão Pagu, de Patrícia Galvão

Escrito em 1940, quando Pagu havia recém-saído da última das suas 23 prisões como inimiga política número um da ditadura Vargas, o livro é uma longa carta que ela escreveu ao homem que amava, o escritor Geraldo Ferraz. Mostra Pagu sem subterfúgios, corajosa e sincera. Ela revela desde sua vida sexual iniciada precocemente até os altos e baixos do seu casamento com Oswald de Andrade. A militância política, as prisões, os amores, acertos e erros dessa mulher singular são narrados com uma dura e incrível auto-análise.

Paixão Pagu


Parque industrial, de Patricia Galvão

Parque industrial, de Patrícia Galvão, a Pagu, é uma jóia da literatura brasileira do século XX. Escrito em 1932, foi publicado pela primeira vez no ano seguinte, numa edição, com tiragem e divulgação pequenas. Tido como o primeiro romance do proletariado brasileiro, denunciou a vida dos excluídos da sociedade paulistana e retratou a desigualdade social numa sociedade moralmente hipócrita.

Parque industrial


O homem do povo, de Oswald de Andrade e Patricia Galvão

Após se filiarem ao Partido Comunista do Brasil, Pagu e Oswald de Andrade passam a publicar O Homem do Povo, visando espalhar a mensagem da revolução entre o operariado urbano. No entanto, apesar de todo esforço de Pagu e da melhor intenção de Oswald, a estreiteza ideológica do partido e o conservadorismo da sociedade fizeram com que tanto o jornal quanto sua militância tivessem vida curta. O próprio jornal acabaria logo fechado pela polícia, não apenas pela radicalidade de sua ideologia, mas também pela “perturbação da ordem”.

O homem do povo


Pagu: Patrícia Galvão – livre na imaginação, no espaço e no tempo, de Lúcia M. Teixeira Furlani

Nesta biografia, a autora Lúcia Maria Teixeira Furlani percorre os passos de Pagu, em diferentes lugares e cidades deste mundo, em sequência cronológica de 1910 até sua morte, em 1962, além de apresentar os reflexos de sua obra no mundo atual.

Pagu, patrícia galvão


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Thayane Maria

Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém os seus blogs pessoais no Medium e no Wordpress: @Msmidnightlover e Missmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.

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