Morre Ursula K. Le Guin, a maior escritora americana de ficção científica

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Criadora de mundos fantásticos e defensora das mulheres na literatura, Ursula K. Le Guin transformou para sempre a ficção científica.

A premiada autora de fantasia e ficção científica, Ursula K. Le Guin, nos deixou essa semana aos 88 anos de idade. A morte aconteceu na própria casa da autora em Portland (EUA) e foi noticiada pelo The New York Times. O jornal classificou a autora como a “maior escritora de ficção científica da América”. O filho, Theo Downes-Le Guin, confirmou a notícia, mas não especificou a causa.

Pioneira do gênero, Ursula utilizou em sua obra questões de gênero muito pouco abordados na época. Mas seus livros não ficaram restritos ao tema, sendo comparada pelos leitores a autores como Tolkien e George R.R. Manrtin. Ao longo da carreira, publicou mais de 20 romances, livros de poesia, contos e ensaios, além de literatura infantil. Passeando com tranquilidade entre temas como exílio, transculturação, solidão existencial, distância antropológica, alteridade e anarquismo.

A autora ficou conhecida principalmente pelos clássicos A Mão Esquerda da Escuridão e Os Despossuídos. A obra foi traduzida para mais de 40 idiomas e teve milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Durante a carreira, ela conquistou 17 indicações ao prêmio Nebula e 24 indicações ao prêmio Hugo, os dois mais importantes prêmios destinados à ficção científica, sendo premiada seis vezes em cada um deles. Única autora a conseguir esse feito. Em 2014, ela recebeu, finalmente, a medalha pelo conjunto da obra da National Book Awards. Ao receber a honraria, a escritora defendeu outros autores de ficção científica e fantasia que foram “excluídos da literatura por tanto tempo. Escritores da imaginação”.

Nós lemos livros para descobrir quem somos” (1979)

“Gentlemen, I just don’t belong here”

Fora de suas obras, Ursula diversas vezes posicionou-se a favor das mulheres, como na fantástica carta de 1987, respondendo a um pedido para promover uma antologia de ficção científica que não continha vozes femininas. Le Guin, de maneira singela, respondeu que não pertencia àquele espaço exclusivamente masculino. Filha de antropólogos, desde pequena LeGuin interessou-se por lendas e mitos, utilizando além da fantasia dimensões sociais, psicológicas e culturais.

Em 2014, a autora também foi indagada se escritores de ficção científica deveriam se esforçar para prever com precisão o mundo do futuro. Ela respondeu:” O trabalho da ficção científica não é prever o futuro. Ao invés disso, ela contempla possíveis futuros. Escritores podem achar o futuro atraente precisamente por ele não poder ser conhecido, uma caixa preta na qual pode-se dizer que qualquer coisa é passível de acontecer, sem medo da contradição de um nativo. O futuro é um laboratório seguro e estéril para testar ideias, um meio de pensar acerca da realidade, um método.”

Confira suas obras traduzidas no Brasil!


O feiticeiro de Terramar (Coletânea Ciclo Terramar Vol. 1)

Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.

O feiticeiro de Terramar


As tumbas de Atuan (coletânea Ciclo Terramar Vol. 2)

Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados. Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe. Para Neil Gaiman: “As lições de Terramar continuam tão potentes, sábias e necessárias quanto qualquer um poderia sonhar”.

As tumbas de Atuan (coletânea Ciclo Terramar)


A mão esquerda da escuridão

Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.

A mão esquerda da escuridão


Os Despossuídos

Os Despossuídos lida com temas fundamentais a sua época, como o capitalismo, o comunismo russo e o anarquismo, além dos conceitos de individual e coletivo. O romance se passa em dois planetas-gêmeos, Uras e Anarres, com sistemas políticos opostos e prestes a entrar em guerra, numa alusão à Guerra Fria.

Os Despossuídos


Gatos Alados

Quatro gatinhos nasceram com asas. Mamãe gata quer salvá-los da curiosidade de pessoas inescrupulosas, mesmo que para isso precise se separar deles.

Gatos Alados Ursula K. Le Guin


Já conhecia a obra? Qual o seu livro favorito autora?

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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