Manoel de Barros, o grande poeta brasileiro

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Para Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros foi o maior poeta brasileiro. 

Em mais de setenta anos de ofício literário, Manoel de Barros reinventou a linguagem poética, tornando-se referência não só na literatura – com a influência de seus poemas para poetas espanhóis e portugueses – mas também peças teatrais, músicas, ideologias políticas e filmes. Foi vinculado cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente foi parte do movimento Modernista brasileiro, situando-se mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da obra de Oswald de Andrade. Na raiz da língua portuguesa, Manoel de Barros subverteu a sintaxe e ficou conhecido pelas suas construções poéticas que não respeitavam as normas da língua padrão – sendo comparado, inclusive, à Guimarães Rosa.

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá, no dia 19 de dezembro de 1916 e faleceu em Campo Grande, em 13 de novembro de 2014. Com apenas 13 anos, Manoel mudou-se sozinho para Campo Grande (MS), onde estudou em um colégio interno e, mais tarde, para o Rio de Janeiro, onde se graduou em Direito. O autor passou 10 anos em um internato, uma situação que o levou a rebelar-se contra a educação católica e os costumes do local. Na literatura, especialmente na juventude, sofreu bastante influência da poesia de Arthur Rimbaud – e foi através do poeta francês que Manoel de Barros descobriu a possibilidade de “misturar todos os sentidos” na prosa.

Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.

O reconhecimento do grande público

Apesar da importância de sua obra para a literatura nacional, o trabalho de Manoel de Barros só foi reconhecido pelo público no começo da década de 1980, através dos prêmios que ele já havia recebido desde da década de 1960. A razão do reconhecimento tardio, segundo o próprio escritor, foi o fato de que ele não frequentava os meios literários e editoriais badalados de sua época e dizia que, “com orgulho”, nunca bajulou ninguém. Durante sua juventude, filiou-se ao Partido Comunista, mas se decepcionou quando o seu líder, Luís Carlos Prestes, após 10 anos de prisão política durante o regime getulista, declarou apoio ao então presidente Getúlio Vargas, o mesmo que entregou sua esposa Olga Benário ao regime nazista da Alemanha, onde faleceu. Após o episódio, Manoel de Barros passou a morar na Bolívia e também viveu um ano em Nova York, onde estudou cinema e pintura no Museu de Arte Moderna.

Manoel de Barros recebeu dois Prêmios Jabutis e foi membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, além de ter seu trabalho publicado em Portugal – onde é muito reconhecido – na Espanha e também na França. Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros foi o maior poeta brasileiro de todos os tempos. Confira suas obras!


Livro sobre nada, de Manoel de Barros

Manoel de Barros encanta o leitor nesta obra com poesias vibrantes e que desacatam as normais e convenções sociais. Lançado em 1996, Livro sobre nada é um dos trabalhos mais importantes do autor. O título, que veio da frase de Gustave Flaubert “sempre desejei escrever um livro sobre nada”, caiu imediatamente no gosto do público e é até hoje um de seus livros preferidos pelo público e pela crítica.

livro sobre nada


Meu quintal é maior do que o mundo, de Manoel de Barros

Meu quintal é maior do que o mundo recolhe poemas publicados por Manoel de Barros ao longo de mais de setenta anos de carreira. Recortar a obra desse poeta não é tarefa fácil, já que ela assume muitas formas, e se move como de forma vanguardista. Meu quintal é maior do que o mundo revela a força, a vitalidade, o alcance universal e a atemporalidade da obra deste poeta.

Meu quintal é maior que o mundo


Escritos em verbal de ave, de Manoel de Barros

As palavras inocentes e o lirismo de Manoel de Barros retornam às livrarias. E trazem de volta Bernardo, personagem importante de diversos poemas do autor. Em Escritos em verbal de ave, o poeta retrata a morte de Bernardo com uma sutileza intrínseca à sua poesia. O livro não só homenageia o personagem, como presenteia os leitores com mais uma obra delicada, uma mistura de sonhos, invenções e palavras que só o poeta consegue combinar.

Escritos em verbal de ave


O livro das ignorãças, de Manoel de Barros

Neste livro, Manoel de Barros continua “entortando” e reinventando as palavras. Certa vez ele disse a Guimarães Rosa: “Temos que enlouquecer o verbo, adoecê-lo de nós, a ponto que esse verbo possa transfigurar a natureza. Humanizá-la.” E deu certo.

O livro das ignorãças


Arranjos para assobio, de Manoel de Barros

Arranjos para assobio, lançado em 1982, marca o período em que Manoel passou a ser reconhecido pelo grande público, ao redimensionar a relação entre homem e natureza, marcando o território de sua criação como contrário a tudo o que aquilo que é útil ou racional.

Arranjos para assobio


O guardador de águas, de Manoel de Barros

O guardador de águas contém toda a exuberância da natureza do Pantanal brasileiro. Manoel de Barros duplica-se e cede a palavra a outro personagem, o Bernardo da Mata. Bernardo era empregado de sua fazenda e foi seu amigo de vida inteira. Em vários poemas, é Bernardo quem apresenta a fala primitiva da natureza que tanto caracteriza o poeta.

O guardador de águas


Qual é o seu livro favorito de Manoel de Barros? Conta pra gente!


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém os seus blogs pessoais no Medium e no Wordpress: @Msmidnightlover e Missmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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Comentários

Thayane Maria

Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém os seus blogs pessoais no Medium e no Wordpress: @Msmidnightlover e Missmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.

Um comentário em “Manoel de Barros, o grande poeta brasileiro

  • 22.12.2017 a 7:24 pm
    Permalink

    Um livro, faz-se referência aos grandes leitores!.

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