Os 10 melhores livros de 2017

(2.9 Estrelas - 9 Votos)

Veja quais foram os livros em destaque no ano.

Listas são sempre injustas, pois acabam deixando muita gente boa de fora. Mas se partimos da premissa dos últimos livros mais relevantes e importantes lançados no mercado brasileiro, podemos escolher títulos de destaque por suas contribuições políticas, estéticas ou sociais. Abaixo, uma seleção de livros e autores de nossa lista anual para ler, reler e compartilhar. Confira!


  • Como Ser as Duas Coisas, de Ali Smith

Inventiva e lúdica, Ali Smith oferece um romance sublime que reafirma a força de uma das vozes mais originais e celebradas da ficção atual. As narrativas, apesar de serem independentes, conversam entre si. As duas personagens enfrentam dilemas de gênero e descobrem sua sexualidade ao longo das páginas. Smith cria uma história original de duplos, protagonizada por um pintor renascentista dos anos 1460 e uma neta dos anos 1960. O romance foi vencedor dos prêmios: Baileys Women’s Prize for FictionLiterary, Book of the Year Award, Goldsmiths Prize, Costa Novel Award e finalista do Man Booker Prize.

Como ser as duas coisas


  • Breve história de sete assassinatos, de Marlon James

Em 3 de dezembro de 1976, às vésperas das eleições na Jamaica e dois dias antes de Bob Marley realizar o show Smile Jamaica para aliviar as tensões políticas em Kingston, sete homens não identificados invadiram a casa do cantor com metralhadoras em punho. O ataque feriu Marley, a esposa e o empresário, entre várias outras pessoas. Breve história de sete assassinatos é uma obra de ficção que explora esse período instável na história da Jamaica e vai muito além. Marlon James cria com magistralidade personagens – assassinos, traficantes, jornalistas e até mesmo fantasmas – que andaram pelas ruas de Kingston nos anos 1970, dominaram o submundo das drogas de Nova York na década de 1980 e ressurgiram em uma Jamaica radicalmente transformada nos anos 1990. Um romance épico, brilhante e arrebatador, vencedor do Man Booker Prize de 2015. O autor foi uma das figuras mais esperadas na Flip deste ano.

Breve história de sete assassinatos, de Marlon James


  • Manual da faxineira, de Lucia Berlin

Pela primeira vez no Brasil, a obra de uma lendária contista norte-americana que vem conquistando cada vez mais leitores. Lucia Berlin teve uma vida repleta de eventos e reviravoltas. Aos 32 anos, já havia vivido em diversas cidades e países, passado por três casamentos e trabalhado como professora, telefonista, faxineira e enfermeira para sustentar os quatro filhos. Lutou contra o alcoolismo por anos antes de superar o vício e tornou-se uma aclamada professora universitária em seus últimos anos de vida. Desse vasto repertório pessoal, Berlin tira inspiração para escrever os contos que a consagraram como uma mestre do gênero. O livro foi eleito um dos 10 melhores livros em 2015, pelo The New York Times.

Manual da faxineira, de Lucia Berlin


  • Problemas de gênero, Judith Butler

A autora que esteve palestrando no Brasil, neste ano, e mobilizou um punhado de manifestantes em São Paulo, fundou a Teoria Queer neste livro inspirador. Judith Butler apresenta uma crítica contundente a um dos principais fundamentos de movimento feminista: a identidade.  Para Butler, não é possível que exista apenas uma identidade: ela deveria ser pensada no plural, e não no singular. Ou ainda, não é possível que haja a liberação da mulher, a menos que primeiro se subverta a identidade de mulher.

Problemas de gênero, Judith Butler


  • The Underground Railroad: Os Caminhos Para a Liberdade, de Colson Whitehead

Do Vencedor do Pulitzer 2017, do Man Book Booker Prize e autor best-seller do The New York Times, Colson Whitehead conta em  ‘The Underground Railroad: Os caminhos para a liberdade’ a história de Cora, uma jovem escrava em uma plantação de algodão na Georgia. A vida é infernal para todos os escravos, mas especialmente terrível para Cora. Uma pária até entre outros africanos, ela está chegando à maturidade, que a tornará vítima de dores ainda maiores. Quando um recém-chegado da Virgínia, Caesar, revela uma rota de fuga chamada, a ferrovia subterrânea, ambos decidem escapar de seus algozes. Mas nada sai como planejado. Cora e Caesar sabem que estão sendo caçados: a qualquer momento podem ser levados de volta a uma existência terrível sem liberdade.

The Underground Railroad: Os Caminhos Para a Liberdade, de Colson Whitehead


  • A menina perdida, de Elena Ferrante

O último livro da série napolitana que chegou ao Brasil neste ano é o final que o leitor de Amiga Genial esperava, com a dureza e a força que aprendemos a identificar nas personagens de Ferrante.  A história de vida de Lenu e Lina e de todos os personagens do bairro de Nápoles agora caminham da maturidade à velhice. Lançado na Itália há três anos, História da menina perdida (Biblioteca Azul) encerra a tetralogia que transformou a autora italiana em um dos maiores fenômenos literários dos últimos tempos.

A menina perdida, de Elena Ferrante

 


  • A noite da espera, de Milton Hatoum

Primeiro volume da série O lugar mais sombrio, o novo romance de Milton Hatoum retrata a formação sentimental, política e cultural de um grupo de jovens na Brasília dos anos 1960 e 1970.

A noite da espera, de Milton Hatoum


  • O Conto da Aia, de Margaret Atwood

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

Margaret Atwood


  • Outros Cantos,  de Maria Valéria Rezende

Numa travessia de ônibus pela noite, Maria, uma mulher que dedicou a vida à educação de base, entrelaça passado e presente para recompor uma longa jornada que nem mesmo a distância do tempo pode romper. Em uma escrita fluida, conhecemos personagens cativantes de diversos lugares do mundo e memórias que desfiam uma série de impossíveis amores, dos quais Maria guarda lembranças escondidas numa “caixinha dos patuás posta em sossego lá no fundo do baú”. Com sutileza e domínio da narrativa, Maria Valéria Rezende vai compondo um retrato emocionante dessa mulher determinada, que sacrifica a própria vida em troca de algo maior. “Outros cantos” é um romance sobre as viagens movidas a sonhos. O título foi finalista na categoria romance, do prêmio jabuti e vencedor do prêmio São Paulo de Literatura.

Outros Cantos Maria Valéria Rezende


  • Da poesia, Hilda Hilst

A intensa e prolífica atividade literária de Hilda Hilst se desdobrou em livros de ficção e em peças de teatro, mas foi na poesia que ela deu início e fim à sua carreira. Ao longo de 45 anos, entre 1950 e 1995, a poeta publicou em pequenas tiragens graças ao entusiasmo de editoras independentes. Com o tempo, sua escrita, até então considerada marginal e hermética, começou a receber o interesse de uma legião de leitores e estudiosos.

A Companhia das Letras reuniu toda a lavra poética da autora de Bufólicas em um só livro, que inclui, além de mais de 20 títulos, uma seção de inéditos e fortuna crítica. O material contém posfácio de Victor Heringer e carta de Caio Fernando Abreu para Hilda. A poesia de Hilda que ganha forma em cantigas, baladas, sonetos e poemas de verso livre   explora a morte, a solidão, o amor erótico, a loucura e o misticismo. Ao fundir o sagrado e o profano, a poeta se firmou como uma das vozes mais transgressoras da literatura brasileira do século XX e será a homenageada da Flip em 2018.

Da poesia - Hilda Hilst


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Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
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Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

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