11 livros infantis com protagonistas negros

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Através da literatura, as crianças podem encontrar figuras de identificação que são essenciais nos primeiros anos de vida.

A infância é o período no qual as crianças mais aprendem. Elas reproduzem tudo o que seus pais fazem e falam, além de serem bastante influenciáveis em relação aos estímulos de forma geral, como na convivência escolar, desenhos animados, pintura, filmes e, claro, livros. As histórias de princesas de cachinhos dourados, pele branca e moradoras de reinos e castelos lindíssimos são bastante famosas e vivem expostas nas prateleiras das livrarias. No entanto, é importante atentar-se a diversidade de classes, raças e costumes sociais de todos os cantos do mundo.

A falta de representatividade na arte

Ainda hoje, a difusão da literatura com protagonistas negros é menor do que com protagonistas brancos. No Brasil, negros são retratados nos livros geralmente como escravos, deixando o lugar do herói e do mocinho para o personagem de pele branca. De acordo com a pesquisa A personagem do romance brasileiro contemporâneo: 1990-2004, realizada pela Universidade de Brasília (UnB), o negro é mais representado na literatura através de personagens que são bandidos (20,4), seguido por empregados domésticos (12,2%) e por fim escravos (9,2). Autores como Lima Barreto, Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus são grandes nomes que voltaram suas vidas e obras para a luta contra o preconceito – a favor da representação dos negros na sociedade e na arte.

O mesmo problema se repete na sétima arte. No Brasil, 53,6% da população se autodeclara negra ou parda, ou seja, mais da metade dos 207 milhões de habitantes do País. Segundo o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o período entre 2002 e 2014, homens brancos dominaram o elenco principal das 20 maiores bilheterias de cada ano. Ao todo, eles representam 45% dos protagonistas. Depois vêm as mulheres brancas (35%), homens negros (15%) e, por último, mulheres negras (apenas 5%). Em 2002, 2008 e 2013, nenhum filme analisado pelos pesquisadores foi protagonizado por uma mulher negra.

Como mudar esta realidade?

Este ano, o ator, escritor e diretor brasileiro Lázaro Ramos – convidado da FLIP 2017 – lançou seu livro Na minha peleno qual ele compartilha experiências doces e amargas que viveu, convidando o leitor a trocar de pele com ele, embarcando em uma narrativa que fala acima de tudo sobre respeito e igualdade. No entanto, a sua estreia na literatura foi com o livro infanto-juvenil Caderno de rimas do João, que conta a história de João, um menino negro que explica assuntos complexos da vida através da poesia. Segundo Lázaro, a sua inspiração para escrever o veio de ter crescido sem encontrar personagens negros que o representassem, com a obra acredita que pode modificar esta realidade para os seus filhos: “Tem um personagem como esse, que é um personagem negro, que é baseado no meu filho e que traz uma representatividade para as crianças que forem ler. O herói da nossa história é esse menino encantador e o ponto de vista dele”, explicou.

Outra exemplo do impacto da falta de representatividade na infância, é o depoimento do cantor e compositor Martinho da Vila. De acordo com Martinho, era importante na sua formação saber mais sobre o continente Africano e seus antepassados: “Ninguém da minha geração estudou sobre África. Estudávamos reis, rainhas, gregos, mas África nunca. Para nós, era um continente formado apenas por uma grande floresta, animais e negros que vieram escravizados para Brasil. De repente me vi na África. Voltei para cá e comecei a falar que aqueles países iam ficar independentes”, contou em entrevista.

Esse vácuo de representatividade afeta, entre outras coisas, a auto estima das crianças negras e que crescem cercadas de modelos que pouco tem a ver com sua realidade, ressaltando a ideia de que elas estão erradas de serem quem são e incentivando padrões de beleza que podem causar, entre outros males, a depressão. Pensando nisso, selecionamos 11 livros infanto-juvenis em que protagonistas negros vivem aventuras que mudam suas vidas para melhor. Os personagens encontram a sua identidade, adquirem confiança e auto estima, descobrem os reais valores da vida e principalmente ganham coragem para enfrentar o mundo de frente. Confira os livros!


Caderno de rimas do João, de Lázaro Ramos

Neste que é o primeiro livro do escritor, roteirista e ator Lázaro Ramos, o leitor poderá acompanhar a história do menino João, que encanta o público com rimas espontâneas e temáticas diversas. Ele nos apresenta, de um jeito divertido, assuntos sérios, como o preconceito e a representatividade negra, de um modo mais colorido.

O caderno de rimas do João


O mundo começa na cabeça, de Prisca Agustoni

Em muitos países africanos, trançar os cabelos ou fazer penteados é uma arte muito antiga, ensinada de geração em geração. Cada região do continente tem seu estilo e os penteados, geralmente, indicam o status, idade ou etnia do indivíduo. Em O mundo começa na cabeça, Prisca Agustoni, sem se ater aos códigos sociais, trata dessa arte, sob um olhar poético e lúdico.

o mundo começa na cabeça


Uma princesa nada boba, de Luiz Antonio

“Por que eu não podia ser igual a uma princesa?”, é a pergunta da protagonista deste livro e de muitas meninas reais que aparentemente não se encaixam nos padrões de beleza que veem na televisão e nos livros. Quando vai até a casa da avó com este questionamento, a menina vive uma transformação ao descobrir a história de princesas africanas que existiram de verdade e até vieram para o Brasil. Explorando elementos poucos conhecidos da cultura africana, o autor Luiz Antonio fala de busca pela identidade e auto estima.

Uma princesa nada boba


O menino marrom, de Ziraldo

Esta é a história de um menino marrom, mas fala também de um menino cor-de-rosa. São dois perguntadores crônicos que querem descobrir juntos os mistérios das cores. São muitas as perguntas e também serão muitas as descobertas!

o menino marrom


Flora, de Bartolomeu Campos de Queirós

No livro, a menina Flora, observa, contempla, admira, respeita e vivencia zelosamente o ciclo da vida. Surpreende-se diante da força da natureza, da importância da terra e de cada nova fase da vida.

Flora


A bonequinha preta, de Alaíde Lisboa de Oliveira

Mariazinha e sua bonequinha preta são muito amigas. Certo dia, a menina saiu com sua mãe e não pôde levar a sua boneca preferida. Mariazinha pediu a bonequinha para se comportar e também para não chegar à janela. Mas os pedidos da menina não adiantaram. A Bonequinha preta ouviu miados na rua, chegou até a janela e um acidente aconteceu.

A bonequinha preta


O menino nito, de Sonia Rosa

Nito abria um berreiro por tudo e ninguém aguentava mais tanta choradeira. Um dia seu pai o chamou num canto e veio com aquele discurso: “Você é um rapazinho, já está na hora de parar de chorar à toa. E tem mais: homem que é homem não chora.” Essas palavras martelaram na cabeça do Nito. De tal maneira que o menino resolveu parar de chorar.,definitivamente. Mas como ninguém é de ferro, caiu na cama doente. E só um médico, o Dr. Aymoré resolveu o seu problema: o menino tinha que chorar todas as lágrimas reprimidas, uma a uma. Os pais do Nito trouxeram duas bacias enormes e além do menino, todos naquela casa choraram juntos. 

o menino nito


One Love: baseado na canção de Bob Marley, de Cedella Marley

Adaptado da canção de mesmo nome de Bob Marley, a obra fala de aceitação, respeito, justiça e união contra os preconceitos de cor e classe, almejando a amizade e o amor universal.

One Love


Escola de chuva, de James Rumford

É o primeiro dia de aula em Kelo, no Chade, na África. As crianças caminham pela estrada. Vou ganhar um caderno?, pergunta Tomás. Vou ganhar um lápis? Vou aprender a ler como vocês?. Mas quando ele e as outras crianças chegam à escola, não há sala de aula nem carteiras. Apenas uma professora. A primeira lição é construir a nossa escola, diz ela.

escola de chuva


Nó na garganta, de Mirna Pinsky

Tânia é uma menina de 10 anos, negra e pobre. Um dia, sua família decide mudar de vida. Seus pais, contratados para cuidar da casa de veraneio dos patrões, partem esperançosos para o litoral. Tânia percebe então a dura realidade do preconceito. Uma experiência amarga que a levará ao encontro de sua verdadeira identidade.

nó na garganta


Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado

Neste clássico da literatura infantil, Ana Maria Machado conta a história de um coelhinho branco quer ter uma filha pretinha como aquela menina do laço de fita. Mas ele não sabe como a menina herdou aquela cor.

menina bonita do laço de fita


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém o seu blog no Medium: @Msmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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