As prioridades na hora de escolher a escola do seu filho

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Os modelos de educação estão evoluindo cada vez e se adaptando as demandas tecnológicas, globais e individuais de cada aluno.

A prerrogativa do modelo educacional tradicional tem sido cada vez mais questionado entre pais e professores. Para explicar a finalidade do sistema escolar que conhecemos, precisamos voltar um pouco no tempo. No período da Revolução Industrial, as 24 horas do dia eram divididas entre 8 horas de trabalho nas fábricas, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer. Até os finais de semana foram programados para obedecer as regras impostas pela sociedade da época, como o domingo de folga para que os funcionários pudessem ir à igreja.

Na grade escolar não era muito diferente: as cadeiras enfileiradas, o quadro negro na frente, o professor como autoridade máxima perante ao aluno e as provas para avaliar com notas o desempenho dos alunos. Todo este processo, que permanece o mesmo até hoje, foi baseado nos princípios fordistas que visavam a formação do aluno apenas para trabalho industriais e nas fábricas. O Reino Unido era o local no qual este modelo era praticado de forma mais rígida, especialmente nos anos após a Primeira Guerra Mundial e a queda da bolsa norte-americana. Bandas inglesas como Pink Floyd, Beatles e Rolling Stones já usaram diversas vezes a sua arte para criticar o sistema educacional britânico.

As consequências da globalização e da tecnologia na educação

No Brasil, este sistema escolar criou raízes na formação dos primeiros colégios e universidades, na antiga capital do Rio de Janeiro, no qual o modelo educacional utilizado era inspirado nas escolas europeias. Na última década, a funcionalidade do mesmo começou a ser questionada por educadores de todo o mundo. Com o fenômeno da globalização, as empresas passaram a adaptar suas rotinas em um formato global e que acompanhe a evolução das tecnologias. Neste sentido, como o perfil profissional do século 21 sofreu mudanças profundas, o modelo educacional também deveria – mas não é necessariamente a realidade, pelo menos na maioria dos países.

Alguns dos novos modelos de educação já desembarcaram no Brasil, como a Escola da ponte, de origem portuguesa. A ideia principal é fornecer uma escola sem as salas de aulas tradicionais e onde os alunos poderão escolher qual conteúdo precisam se aprofundar. Além disso, os professores atuam como “orientadores educativos”, auxiliando os alunos de forma mais individual e focada nas potências e limites de cada um.  Diferente do modelo tradicional, as matérias são divididas em dimensões: linguística, lógica-matemática, naturalista (ciências da natureza, ciências naturais, físico-química e geografia), identitária (estudo do meio, história e geografia), artística, pessoal e social. Todo o processo de aprendizagem é acompanhado de perto por pedagogos, psicólogos e professores.

Novos modelos de educação

Outro exemplo é a School In The Cloud, criada por Sugata Mitra, um professor indiano que estava procurando novas maneiras de ensinar, fugindo do padrão que conhecemos. Ele fez um experimento colocando computadores em lugares pobres da Índia e permitiu que as crianças começassem a utilizar intuitivamente nas máquinas. Conforme elas iam aprendendo como funcionava a tecnologia, o professor ia inserindo conteúdo de algumas matérias nos computadores. O resultado foi surpreendente: as crianças não só aprenderam inglês, a única linguagem disponível nos PCs, como também repassavam o conteúdo aprendido umas para as outras. No Brasil, alguns professores do Colégio Presidente Pedrosa, da rede pública de Curitiba, já começaram a utilizar o método “na nuvem” com os alunos. Os professores nem sempre precisam comparecer fisicamente nas aulas, uma vez que o conteúdo está todo online.

Um método bastante utilizando atualmente é o modelo de ensino Alemão. Na Alemanha, desde cedo as crianças se preocupam com seu desempenho no ensino médio. A grade escolar do primário termina na 4º série e o aluno passa para uma fase chamada “período de orientação”, durante dois anos, os professores acompanham de perto as notas e o desempenho do estudante para orientá-lo de qual das três áreas do ensino médio ele irá escolher, sendo eles a escola Hauptschule, na qual os alunos recebem uma formação geral básica, o Realschule, que permite o aluno a frequentar cursos mais adiantados em escolas profissionalizantes, e por fim o Gymnasium, que é o ensino mais aprofundado de todos, dando ao aluno o certificado de conclusão e permitindo o acesso à uma universidade ou curso superior.

Como escolher a escola ideal

Além da Escola da ponte, existem outras opções de colégios que estão seguindo um caminho distinto do exemplo educacional que estamos acostumados. Períodos como final do ano e férias podem ser calmos para as crianças, mas os pais geralmente estão se perguntando qual é a melhor opção escolar para os filhos. Neste sentido, vale ressaltar que é o futuro dele(a) que está em pauta e tudo deve ser muito bem pensado, desde a forma que a criança consume e internaliza o conhecimento, até as dificuldades e as potências do seu filho(a).

Desta forma, é imprescindível atentar-se aos seguintes pontos:

  • É importante para o seu filho(a) frequentar uma escola que visa a formação global, e não local. Além do ensino mais diversificado, contribui para a formação como ser humano.
  • Opte por uma escola que tenha uma equipe de profissionais completa, com professores, pedagogos e psicólogos.
  • Preocupe-se com elementos essenciais como se a escola tem pontos de coleta seletiva de lixo, valoriza o reuso e também como é utilizado o material didático.
  • Atividades sociais, artísticas e culturais são importantes. Escolha uma escola que valorize isso e a consequência da participação do seu filho(a) nestes estes projetos.
  • Localização e segurança são essenciais, principalmente nos dias de hoje. Preocupe-se com o tempo gasto em transporte público, carros ou vans e também com as medidas de proteção da escola e dos alunos.
  • Por fim, conheça bem seu filho(a). Mesmo que tenha mais de um, cada filho(a) é um universo diferente, logo as potencialidades de um não necessariamente serão as mesmas do outro. O mesmo com as dificuldades pedagógicas. Invista em um colégio que incentive seu filho(a) a desenvolver seus pontos fortes e dê o a segurança para que ele(a) trabalhe seus pontos fracos.

A melhor forma de decidir o futuro de uma criança é conversando em família. Mesmo que leve tempo, lembrem-se que é melhor escolher com sabedoria do que conformar-se com o modelo educacional que parece mais confortável. Além disto, é a criança que passará a maior parte do seu tempo dentro dos muros do colégio – e é certo que a experiência escolar mudará sua vida pra sempre.

Para uma melhor compreensão da história do nosso sistema de educação, como a razão de ter sido criado e as consequências, confira o vídeo abaixo!


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém o seu blog no Medium: @Msmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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