O hábito da leitura durante os anos

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Na antiguidade, ler era restrito aos nobres e intelectuais. Com o tempo, a atividade tornou-se um agente de socialização e hoje assume um impacto individual.

O poder de socialização dos livros era indiscutível. Desde os tempos da polis grega ou dos monges da Idade Média, os livros eram lidos em voz alta e por grupos influentes da época, como filósofos, intelectuais, religiosos ou políticos. Em obras como O nome da rosa, de Umberto Eco, períodos negros da história da leitura foram apresentados, como a proibição de circulação dos exemplares entre pessoas que não eram consideradas adequadas para obter o conhecimento, que era restrito apenas para as camadas mais altas da sociedade.

Nos séculos seguintes, especialmente a partir de 1700, a leitura tornou-se um hábito social. As pessoas se reuniam para ler em grupos em cafés, saraus e as aulas de leitura eram bastante comuns, tanto nas classes ricas quanto nas mais pobres. A partir dos ideais disseminados pela Revolução Francesa e o Iluminismo, o poder da leitura passou a ser relacionado com o movimento humanista e o antropocentrismo, dando aos livros, leitores ávidos e escritores um novo status social.

“The reading lesson”, ou “A aula de leitura”, do pintor sueco Knut Ekvall.

O impacto individual da leitura

No início do século XX, a literatura consolidou-se entre as belas artes criadas pela humanidade, mas passou por um período de mudanças importantes a partir da prensa móvel, criada por Johannes Gutenberg, que revolucionou as técnicas de impressão e possibilitou que a produção de materiais de leitura, como livros, jornais e revistas se espalhasse pelo mundo e consequentemente alcançasse um público maior. A partir disto, a leitura tornou-se cada vez mais individual e introspectiva, deixando de vez os tempos dos grandes saraus de leitura para trás.

Em 1774, com o jornalismo e os grandes meios de comunicação de massa ainda em período embrionário, o lançamento do livo Os sofrimentos do jovem Werther, do escritor alemão Johan Wolfgang von Goethe, causou um impacto profundo na história da literatura, comprovando a influência da leitura na vida da sociedade, em especialmente dos jovens. Inspirados pela vida melancólica e pela depressão causada por um amor não correspondido do personagem da obra, uma onda de suicídios entre jovens e adultos tomou conta da Europa. Atualmente, o fato é chamado por psicólogos de Efeito Werther.

O início da disseminação de jornais, livros e revistas, a partir da criação da prensa móvel, por Johannes Gutenberg.

O que ganhamos com a literatura?

Hoje o impacto da leitura é algo restritamente individual, mas apesar da limitação, a capacidade transformadora do hábito permaneceu. Segundo o jornalista Urariano Mota, que participou do projeto Outras palavras, realizado pela Secretaria de Cultura de Pernambuco, o que mais o inspirou a participar do projeto de incentivo à leitura foi o questionamento feito por jovens de maioria pobre e da periferia de Recife: “O que eu ganho com a literatura, professor?”. Para Uraniano, a pergunta foi dolorosa de ser escutada, principalmente porque o consumo de livros além do que a escola oferece é uma das possibilidades mais efetivas de modificar, não apenas profissionalmente a vida de um indivíduo, mas graças as histórias e as ideologias adquiridas através da leitura também abrem portas e janelas para quem antes não enxergava nenhuma saída.

De acordo a publicação do jornalista no portal GGN, os jovens precisam se inspirar no tempo no qual a literatura era de consumo social, mas erudito – e muitos lutavam pela possibilidade de estar com um livro em mãos. Além disto, o hábito da leitura deve ultrapassar a obrigação educacional dos livros escolares e não ser limitada apenas para ser estudada e conhecida com o intuito de ir bem na prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM: “É algo muito mais precioso, e eterno enquanto houver humanidade, do que tirar uma nota 1.000 na redação do Enem. Ou, se quiserem, pode ser criado até um anúncio prático de comercial: com a literatura virem humanos, e ganhem uma nota mil para toda a vida”, explicou o jornalista.

Pessoas lendo jornais em Nova York, 1946. A década fez parte do auge dos grandes veículos de comunicação em massa, principalmente dos jornais impressos.

Uma saída é a adaptação dos antigos clubes de leitura para a internet. Os chamados booktubers, são pessoas que usam o espaço do YouTube e criam canais para falar somente sobre o universo dos livros. Os temas vão de discussões sobre o final de personagens, a continuação de sagas, resenhas, sorteios de livros e tudo que envolve o mundo literário.  Outras opções são os grupos e páginas focadas na leitura e escrita que estão presentes em redes sociais, como Instagram e Facebook e também sites e blogs de resenhas de livros. No entanto, apesar das diversas plataformas virtuais e físicas que oferecem a oportunidade de ler mais, o impacto da leitura deve ser sentido a princípio individualmente, uma vez que a sensação é difícil de esquecer e segue os leitores apaixonados por toda a vida.


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Thayane Maria

Thayane Maria

Redatora em Estante Virtual
Thayane Maria, jornalista e cinéfila. Além de escrever para o Estante Blog, também mantém o seu blog no Medium: @Msmidnightlover. Vive em eterna busca pelo excêntrico.
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