Graphic novel, HQ ou história em quadrinhos?

(5 Estrelas - 1 Votos)
De livros clássicos até histórias contemporâneas, as histórias em quadrinhos (HQ) vem ganhando mais e mais espaço entre os leitores. E o mercado editorial vem surfando essa onda. Neste ano, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou uma nova categoria do prêmio Jabuti. A principal premiação de literatura no país, incluiu uma categoria exclusiva para hqs e o premiado foi justamente uma publicação independente, Castanha do Pará, do professor e artista Gidalti Oliveira.

A Bienal do Rio 2017 dedicou um espaço totalmente voltado para receber o público geek e falar de quadrinhos, com experiências em realidade virtual, games e oficina de HQ. São novos autores e ilustradores sendo descobertos e o conceito de que os desenhos seriam voltados exclusivamente para o público mais jovem vai caindo cada vez mais.

O que é graphic novel?

Um pouco diferente das histórias de super heróis multi seriadas e com novos volumes a cada estação, mas ainda explorando quadros sequenciais de forma lúdica e divertida estão as graphic novels. Histórias com início, meio e fim, não periódicos, porém, eventualmente, como os filmes, podem adquirir uma sequencia ou continuação.

Uma característica comum é a estilização do artista. Cada um desenvolvendo seu método de desenho, cores e formatos. Por serem histórias fechadas, são mais longas, com maior desenvolvimento e destaque para  o formato e impressão. Normalmente a encadernação é mais detalhada e a qualidade do papel é superior, o que pode encarecer um pouco mais as revistas, mas não necessariamente. Veja uma lista com história incríveis e divertidas!


Morro de favela, de André Diniz

Com um traço forte e bem característicos do autor e desenhista André Diniz, A graphic novel Morro da Favela, conta a vida do fotógrafo Maurício Hora, morador do Morro da Providência. Na tentativa de entender melhor sua origem, Maurício pesquisou a história de sua comunidade e descobriu que as raízes dela estavam cravadas na primeira favela brasileira, que começou a surgir em 1897. Morro da Favela é uma narrativa necessária para se entender o dia a dia das favelas cariocas pelo ponto de vista de um morador, que buscou na fotografia sua identidade e acabou fazendo um registro que entrou para a história da cultura carioca.

morro da favela - andre diniz


Escolhas, de Felipe Cagno

Escolhas é uma história lírica, sensível e bem-humorada sobre os desafios de sustentar um desejo de criança em sua mais radical literalidade. João Humberto cresceu sonhando em se tornar o primeiro super-herói do mundo. Ele nunca desistiu desse sonho e foi levando-o consigo no vestibular, na faculdade, no primeiro emprego… Todas as suas escolhas refletiam a busca pelo impossível. Ingênuo? Ridículo? Louco? Ele ouviu tudo isso a vida inteira. Até que…

escolhas


O Árabe do Futuro: uma Juventude no Oriente Médio (1978 1984), de Riad Sattouf

Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes – experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida na França socialista de Mitterand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad. Vencedor do prêmio principal do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 2015, O árabe do futuro é um relato literário pleno em forma de quadrinhos: com traço simples e narrativa fluida e descontraída, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural.

O arabe do futuro


Persépolis Completo, de Marjane Satrapi

A maravilhosa Marjane Satrapi apresenta ao leitor a cultura do mundo árabe de uma maneira leve e divertida. Ela tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita — apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa. Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente,o humor se infiltra no drama — e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

Persépolis Completo, de Marjane Satrapi


Babys in Black, de Arne Bellstorf

Hamburgo, Alemanha, 1960. Astrid Kirchherr terminou seu curso de arte e agora trabalha como assistente para seu antigo professor. Seu relacionamento com Klaus Voormann, um jovem designer gráfico, aos poucos fenece. Em uma noite de outubro, depois de outra discussão, Klaus parte sozinho, para retornar tarde da noite, empolgado com o que descobrira em St. Pauli, o bairro boêmio de Hamburgo – um grupo de adolescentes ingleses toca rock’n’roll num bar chamado Kaiserkeller. Quando Astrid decide acompanhar o namorado ao tal lugar naquela noite, ela não imagina que sua vida está prestes a mudar. Assim, o leitor é introduzido a ‘Baby’s in Black, o quinto Beatle – a história de Astrid Kirchherr e Stuart Sutcliffe’ – HQ que procura mostrar o início dos Beatles antes de seu estouro como fenômeno pop e o envolvimento de Astrid com Stuart, o quinto Beatle e grande amigo de John Lennon.

Babys in Black Arne Bellstorf


Qual outra HQ você incluiria na lista? Participe!

Natália Figueiredo

Natália Figueiredo

Jornalista Multimídia em Estante Virtual
Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.
Natália Figueiredo


Quer receber dicas semanais de leitura?

Assine e receba dicas fresquinhas em seu e-mail toda semana.

Comentários

Natália Figueiredo

Natalia Figueiredo fez da escrita sua profissão. Começou a carreira no jornalismo impresso do Rio, mantém o blog de viagens Nat no Mundo (http://natnomundo.com/) e, hoje, escreve sobre literatura para o Estante Blog.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Shares